O governo federal arrecadou R$ 1 bilhão a menos do que havia ofertado no leilão de concessão de tecnologia 4G para transmissão de dados. O leilão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acabou hoje com as empresas de telefonia pagando R$ 2,93 bilhões pelas concessões.
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O leilão teve ágio médio de 31,27% (cerca de R$ 700 milhões) nas 54 concessões vendidas. Havia 269 lotes em oferta, com valor mínimo de R$ 3,85 bilhões. O presidente da Anatel, João Rezende, disse que fará leilão das sobras dentro de um ano.
Neste segundo dia, de venda de lotes regionais, foram leiloados ao todo 36 lotes, sendo a maioria deles para a Claro, que comprou 19 lotes (por R$ 144,285 milhões). Em seguida veio a Oi, com 11 lotes (por R$ 68,932 milhões) e a Tim, que arrematou 6 lotes (por R$ 42,238 milhões).
Ontem, foram leiloadas as principais frequências para a telefonia móvel de quarta geração, com cobertura nacional, e que permitirá a elevação da qualidade e da velocidade na transmissão de dados.
Juntas, Claro, Vivo, Tim e Oi pagaram R$ 2,5 bilhões por elas, 35,7% acima dos limites mínimos estabelecidos pelo edital, que era R$ 1,890 bilhões.
O maior ágio pago (66%) foi no lote 3, o mais disputado por ser um dos dois de maior capacidade (20 megahertz) e obrigar a oferta do serviço rural em áreas mais acessíveis. Por ele, a Vivo pagou R$ 1,05 bi, após disputa com a Oi, e ganhou também a obrigação de levar serviço de banda larga também para áreas do interior de Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Piauí, MG e interior de São Paulo.
A Claro, que também comprou a capacidade de 20 MHz, pagou R$ 844,5 milhões, com obrigação de instalar infraestrutura para a região Norte, Maranhão, Bahia e grande São Paulo.
A Tim e a Oi, ficaram com faixas menores, de 10 MHz, e pagaram R$ 340 milhões e R$ 330,8 milhões, respectivamente.
Elas terão responsabilidade sobre o desenvolvimento da rede no Centro-Oeste e interior do Rio Grande do Norte, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Espírito Santo.
Das 67 frequências disponíveis para banda larga fixa, apenas 14 foram vendidas. Sendo 12 permissões para a Sky e duas, em São Paulo, para a Sunrise.
FUNCIONAMENTO
Estima-se, por exemplo, que a velocidade da internet com 4G possa superar em dez vezes a média da que é obtida atualmente com 3G no Brasil.
De acordo com o edital da Anatel, municípios com mais de 100 mil habitantes terão cobertura 4G até 31 de dezembro de 2016.
As cidades sedes da Copa das Confederações estarão cobertas por 4G até 30 de abril de 2013 e as sedes e subsedes da Copa do Mundo terão o serviço até 31 de dezembro de 2013.
PREÇO
Para os consumidores o problema será o preço que essa novidade chegará ao mercado.
O presidente da Claro, Carlos Zenteno, por exemplo, acredita que, em um primeiro momento, os aparelhos -- tanto smartphones quanto tablets -- devem ser acessíveis apenas para as classes mais altas, como A e B.
"Já os modems devem ter preço semelhante e serão mais acessíveis para todas as camadas da população", completou.
Francisco Valim, presidente da Oi, afirma que, apesar de não ser possível dizer precisamente qual será o custo do aparelho celular, há como comparar com o que já é praticado em outros países que implantaram o 4G.
Segundo ele, um smartphone de R$ 1 mil, no 3G, custaria R$ 3 mil no modelo 4G.