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Para Fiesp, 2013 não vai recuperar queda registrada em 2012

Diretor da entidade afirma que depreciação do real não deve trazer sinais positivos neste ano

 

Não há mais tempo para salvar o resultado da indústria neste ano, avalia o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo(Fiesp), Paulo Francini.

"Temos só quatro meses. O ano já está comprometido", disse, durante divulgação dos dados do Indicador do Nível de Atividade (INA), nesta quinta-feira (30). De janeiro a julho, o INA acumula alta de 4,3% ante o mesmo período de 2012, mas, segundo Francini, até o final do ano este número vai diminuir.

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"Os 4,3% vão cair e se situar em torno de 3%, inferior à queda de 4,1% do ano passado. 2013 não vai recuperar o que caiu em 2012", completou. Em julho ante junho, o INA caiu 1,6% na série com ajuste sazonal. O economista aponta ainda que no mês de julho todos os indicadores que compõem o INA foram para a mesma direção.

AE/THALES STADLER

Economista da Fiesp espera que recuperação do mercado ocorra após estabilização do câmbio

"Depois da queda no primeiro semestre de 2012 houve uma recuperação e essa recuperação perdeu força", disse Francini.

Mesmo a recente depreciação do real não deve trazer os sinais positivos para a indústria já neste ano. "Temos que esperar. A tarefa de reconquistar posição leva naturalmente mais tempo", disse o economista. Segundo ele, com otimismo é possível esperar alguma recuperação ainda neste ano, mas é mais certo aguardar esse efeito para o primeiro trimestre do ano que vem.

"A pior taxa de câmbio é a volátil", reforçou. Só depois da estabilização da taxa de câmbio, que o economista espere que seja entre R$ 2,35 e R$ 2,40, se dará o início de uma recuperação de mercado.

A expectativa de Francini é de que o resultado do INA nos próximos meses seja pior do que o registrado em iguais meses de 2012, devido a uma base de comparação mais forte, e continue morno na variação mensal.

O economista mencionou três setores industriais que refletem momentos da economia. O setor químico por exemplo registrou queda de 4,1% no INA de julho ante junho, devido ao forte crescimento das importações. Segundo Francini, este é um cenário que pode melhorar com o novo patamar de câmbio.

O setor de móveis também enfrenta problemas (queda de 2,8% na mesma base de comparação), mas por conta do enfraquecimento do comércio no mercado interno. Já o setor de celulose, por sua vez, registrou alta de 0,9% e acumula avanço de 6,7% no ano. Francini atribui o bom resultado a uma gradual recuperação da economia europeia.

Confiança

A pesquisa Sensor, realizada pela Fiesp, mostrou que a confiança do empresariado diminuiu em agosto, ao cair para 49,4 pontos ante 50,6 pontos em julho. Em março, o Senso chegou a 56,8 pontos. "Agosto é o primeiro mês desde janeiro em que o Sensor fica abaixo de 50 pontos, significa que o panorama não é bom."

Francini disse ainda que a pesquisa aponta para um cenário de incertezas para o emprego e para a produção. No primeiro quesito, o indicador passou de 49,5 pontos para 47,9. Já no item estoques, a queda foi ainda maior, de 47,2 em julho para 42,9 em agosto, o que, segundo o economista, revela que as indústrias já começam a ficar super estocadas.

http://economia.ig.com.br/empresas/industria/2013-08-29/para-fiesp-2013-nao-vai-recuperar-queda-registrada-em-2012.html

China tira US$ 12,6 bi do Brasil em exportações

Segundo a Fiesp, a principal razão para a substituição de produtos brasileiros por chineses é o câmbio, que está desvalorizado na China e valorizado no Brasil

A concorrência de produtores chineses tirou da indústria brasileira US$ 12,6 bilhões em exportações a seus três principais mercados, entre 2004 e 2009, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que analisa os embarques para EUA, Argentina e União Européia (UE).

O levantamento mostra ainda que a disputa com a China também custou à indústria local US$ 14,4 bilhões em vendas internas.

Nos seis anos analisados, a China dobrou a participação nas vendas de bens industriais à UE, para 22%, enquanto a presença do Brasil passou de 1% para 1,2%. Nos EUA, a fatia chinesa passou de 11% para 25%, enquanto a brasileira caiu de 1,2% para 1%.

Segundo a Fiesp, a principal razão para a substituição de produtos brasileiros por chineses é o câmbio, que está desvalorizado na China e valorizado no Brasil.

"Enquanto a taxa de câmbio chinesa permaneceu praticamente estagnada em patamar estimulante às exportações, o Brasil assistiu a permanente valorização de sua moeda", relata o estudo.

Com base em dados do instituto americano c, as duas moedas estão em desequilíbrio, com o real valorizado em 16% e o yuan desvalorizado em 40%.

Essa diferença torna os produtos chineses mais baratos em dólares e encarece os brasileiros, criando cenário hostil para a indústria nacional. "A China vai ter de valorizar sua moeda em algum momento.

Ela terá de ter câmbio flutuante para se integrar ao mundo de maneira competitiva e ser uma economia de mercado", disse o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, que participou na semana passada de reunião do Conselho Empresarial Brasil-China, em Xangai.

Pequim iniciou processo de valorização do câmbio em meados de 2005 e permitiu a valorização em 20% da moeda até junho de 2008, quando interrompeu o movimento em razão da crise financeira internacional. Desde então, o yuan é mantido no patamar de 6,83 por US$ 1.

Apesar da pressão internacional, a China deve manter o gradualismo na política cambial e permitir tímida valorização no segundo semestre, que os analistas estimam em 3%, distante dos 40% apontados pela Fiesp.

O mercado no qual o Brasil mais perdeu espaço para os chineses foi a UE, com prejuízos de US$ 6,2 bilhões de 2004 a 2009.

Em seguida aparecem EUA, com US$ 5 bilhões, e Argentina, com US$ 1,4 bilhão. No caso da UE, o que o Brasil deixou de exportar equivale a pouco mais de 3% dos embarques totais para a região no período.

Proporcionalmente, as perdas para os EUA foram maiores e representaram 3,7% dos embarques para o país. Ritmo alucinante.

As perdas atingem desde setores de alta tecnologia aos que são intensivos em mão de obra, como calçados e têxteis.

O segmento que mais sofreu foi o de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com 17,1% dos US$ 12,6 bilhões. No mercado doméstico, 29% das perdas se concentraram no segmento de material eletrônico e de comunicação.

"As importações da China estão crescendo a um ritmo alucinante e setores da economia que poderiam estar crescendo sofrem com a concorrência desleal dos produtos beneficiados pelo câmbio", ressaltou Giannetti.

Segundo ele, o segmento de máquinas e equipamentos é um dos que mais sofrem diante da concorrência de produtos chineses que entram no País a "preços aviltantes".

Giannetti afirmou que as empresas com projetos de siderurgia, energia e infra-estrutura consideram em primeiro lugar a importação de máquinas e equipamentos chineses para as obras e plantas industriais.

"Há dez anos, éramos nós que fornecíamos equipamento para a Hidrelétrica de Três Gargantas", lembrou, fazendo referência à gigantesca usina chinesa.

Enquanto a China abocanhou fatias cada vez maiores do comércio internacional para se transformar na maior potência exportadora do mundo em 2009, o Brasil teve expansão tímida de sua participação.

Em 2000, o país asiático aparecia em sétimo lugar no ranking dos maiores exportadores, com fatia de 3,9%.

As vendas brasileiras representavam 0,9% e ocupavam a 28ª posição. Nove anos depois, a China estava em primeiro lugar, com 9,6% das exportações globais. O Brasil subiu para a 24ª posição, com fatia de 1,2%. 

 

http://economia.ig.com.br/china+tira+us+126+bi+do+brasil+em+exportacoes/n1237654956363.html