Carro encarece até 43,8% no Brasil em cinco anos
Com a volta do IPI, vendas têm queda de 28% em fevereiro
Primeira quinzena do mês mostra resultado preocupante para o setor; mercado espera ano ruim com o cenário econômico desanimador
Produção de veículos acumula alta de 13,9% no ano
Em meio ao cenário mais fraco de vendas no mercadointerno, a produção de veículos teve leve desaceleração em setembro após recorde mensal registrado em agosto.
A queda na comparação entre os dois meses foi de 2,5%, para 332 mil unidades. O volume, contudo, ainda é 15,2% superior ao registrado em setembro do ano passado (288,2 mil unidades).
De janeiro a setembro, as 2,841 milhões de unidades produzidas já representam um avanço de 13,9%, frente ao mesmo período de 2012.
Os dados foram divulgados pela Anfavea (associação das montadoras) nesta sexta-feira (4).
EXPORTAÇÕES
Neste segundo semestre as exportações têm ajudado a compensar a perda de fôlego no mercado nacional, sustentando o ritmo de produção nas fábricas.
As vendas ao exterior somaram 45,5 mil unidades --avanço de 66% na comparação com o mesmo do ano passado. No ano, o crescimento já chega a 31,6%.
Enquanto isso, o volume registrado no Brasil no mês passado, de 309,8 mil unidades, embora superior a setembro de 2012, não foi suficiente para reverter o quadro de retração no acumulado do ano, que ficou negativo (-0,3%) pelo segundo mês seguido.
Fatores como a restrições de crédito e ainda baixa confiança do consumidor têm limitado o ritmo do setor a um nível inferior ao observado nos últimos anos.
PROJEÇÕES
Diante desse cenário, a Anfavea revisou, no último mês, suas projeções e passou a prever um crescimento de 1% a 2% nas vendas de 2013. Analistas não descartam, porém, a hipótese de que o ano encerre no vermelho, o que seria o primeiro resultado negativo desde 2003.
As montadoras contam com uma possível antecipação de compras nos dois últimos meses para salvar o ano, como observado em períodos anteriores ao fim da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). O benefício se encerra por completo em janeiro.
Para a produção, o cenário é de otimismo. A expectativa é alcançar um crescimento de 11,9% em 2013.
Crise pode gerar novo mapa global do setor automotivo
Arquivo/EM/D.A. Press
Indústria brasileira pode conquistar novos mercados
O novo desafio das americanas General Motors e Chrysler é tornarem-se competitivas para garantir a recuperação no jogo das forças da indústria automobilística mundial. A implicação imediata das concordatas é que as companhias ficam menores e deixam fatias de mercado disponíveis para concorrentes. Na segunda-feira, quando a GM anunciou a concordata e a Justiça americana permitiu a venda da Chrysler para a Fiat, a francesa Peugeot, por exemplo, declarou estar aberta a qualquer tipo de aliança, desde que a família Peugeot mantenha sua presença central. Analistas acreditam, contudo, que os fabricantes asiáticos avançarão mais do que os europeus.
A Toyota, a Nissan e outras, com seus modelos pequenos e médios, competem mais com os produtos em massa dos Estados Unidos do que os veículos das alemãs Daimler, BMW e Audi. O Brasil também poderia avançar nesse cenário. “Temos oportunidades em vista tanto no mercado externo quanto interno. Já estamos vendo grupos brasileiros ganhando força. A filial da Mitsubishi conseguiu autorização dos japoneses para produzir aqui. A Hyundai já aprovou projeto para a produção do Tucson no Brasil”, exemplificou Mariana Oliveira, analista do setor automobilístico da Consultoria Tendências.
José Roberto Ferro, presidente do Lean Institute Brasil, aponta outras configurações no novo mapa global do setor. “Ainda temos o caso Volkswagen e Porsche, além do crescimento, caso o mercado continue permitindo, de montadoras chinesas, da Renault, Nissan e PSA”, afirmou. Olivier Girard, da Consultoria Trevisan, acrescenta que ativos da GM, sobretudo na Europa, poderão ser colocados à venda para cobrir a dívida da matriz. “A sueca Saab, por exemplo, pode ser comprada pela Fiat, que já demonstrou interesse”, destacou.
Nessa onda de fusões e aquisições, a diminuição do catálogo de produtos e das vendas da GM deve não só impedir que a empresa recupere a posição de maior do mundo no setor automotivo, como fazer com que seja ultrapassada domesticamente pela própria Toyota e, num segundo momento, pela Ford — que então se tornaria a maior montadora dos EUA. Em 10 anos, de 1998 a 2008, os Estados Unidos, líderes mundiais na produção de veículos, caiu para terceiro lugar, ficando atrás do Japão e China. O Brasil avançou, passando da 11ª colocação para a 6ª. Este ano, a China deve assumir a liderança, tornando Xangai a nova capital do automóvel.
O resultado do primeiro trimestre do ano, fortemente impactado pela turbulência econômica mundial, já aponta a tendência do novo cenário. As marcas mais vendidas no período foram: Toyota (1,19 milhão de unidades), Volkswagen (939 mil), Ford (916 mil), Honda (698 mil), Nissan (657 mil), Chevrolet (635 mil), Hyundai (580 mil), Fiat (483 mil), Renault (369 mil), Peugeot (355 mil). Nos primeiros três meses do ano, as vendas dos Estados Unidos caíram 53,3%, seguidos do Japão (-49%), Alemanha (-34,8%) e Brasil (-16,8%), enquanto na China subiram 1,6%.