Mostrando postagens com marcador Deng Xiaoping. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deng Xiaoping. Mostrar todas as postagens

As Duas Aberturas da China ao Ocidente: Uma Análise Simbólica dos Anos 1793 e 1976

A abertura econômica da China

As duas aberturas da China ao Ocidente: a de 1793 e a de 1976

Duas aberturas em particular, a de 1793 e a de 1976, representam momentos decisivos na trajetória do país e em suas relações com o Ocidente.

As aberturas da China em 1793 e 1976 são marcos históricos que simbolizam duas visões distintas sobre o relacionamento do país com o Ocidente. Enquanto a primeira representa uma China isolacionista e autossuficiente, a segunda ilustra uma China pragmática e voltada para o futuro. Ambas as aberturas oferecem lições valiosas sobre a evolução da política externa chinesa e seu impacto nas relações internacionais.

A abertura econômica da China em 1793

A Abertura de 1793 marcou um ponto crucial na história chinesa, inaugurando o contato entre o Império Celestial e o mundo ocidental. A rejeição das propostas britânicas não foi apenas uma decisão política, mas também uma afirmação de autossuficiência e superioridade cultural. A China se percebia como um país que não necessitava de influências externas para preservar sua grandiosidade e, assim, consolidou sua posição de isolamento.

A missão britânica à China, liderada por Lord Macartney em 1793, foi um evento importante na história das relações entre os dois países. A missão tinha como objetivo estabelecer relações diplomáticas e comerciais entre a Grã-Bretanha e a China, mas foi rejeitada pelo imperador Qianlong.

A missão partiu da Inglaterra em 1792 e chegou à China em 1793.

Lord Macartney foi recebido pelo imperador Qianlong em Pequim em setembro de 1793.

A missão ficou na China por cerca de quatro meses antes de retornar à Inglaterra.

A missão foi um fracasso em seus objetivos imediatos, mas foi um sucesso em termos de aumentar o conhecimento britânico sobre a China.

A composição da missão britânica era significativa. Além de Lord Macartney, que era um diplomata experiente, a missão incluía uma série de cientistas, artistas e especialistas. Esses indivíduos tinham a intenção de documentar e estudar a cultura e a sociedade chinesa durante a missão.

A carta do rei Jorge III, que foi entregue ao imperador Qianlong, expressava o desejo de estabelecer relações amigáveis e comerciais com a China. A carta foi escrita em chinês, uma demonstração de respeito pela língua e cultura chinesas.

Os presentes britânicos, que incluíam inovações tecnológicas da época, como máquinas a vapor e outros produtos europeus de alta qualidade, foram uma tentativa de impressionar o imperador Qianlong.

A resposta de Qianlong em poesia, reiterando sua recusa em conceder as demandas britânicas e enfatizando a autossuficiência da China, foi uma rejeição diplomática à missão britânica.

A influência das ideias iluministas na missão britânica é evidente. O pensamento iluminista europeu promovia valores como comércio livre e relações diplomáticas baseadas na razão. Esses valores contrastavam com a visão confucionista tradicional da China, que enfatizava o isolamento e a autossuficiência.

Apesar da rejeição inicial, as relações diplomáticas e comerciais entre a China e o Reino Unido continuaram a se desenvolver ao longo do século XIX. Essa evolução levou eventualmente a tratados comerciais desiguais, como o Tratado de Nanking em 1842.

A missão britânica à China de 1793 foi um evento importante na história das relações entre os dois países. A rejeição da missão pelo imperador Qianlong foi um sinal da diferença de valores e perspectivas entre a China e o mundo ocidental. No entanto, a missão também lançou as bases para a eventual abertura da China ao comércio e à influência do Ocidente.

A abertura de 1793 marca a postura da Dinastia Qing em relação às relações exteriores é um evento emblemático na história da China, que destacou a complexa interação entre o país e o mundo ocidental. 

As razões subjacentes à recusa do imperador Qianlong são multifacetadas e podem ser interpretadas à luz de diversos fatores históricos, culturais e políticos. A missão britânica tinha como objetivo principal estabelecer laços comerciais e diplomáticos com a China, reconhecendo o imenso potencial de seu mercado. Os britânicos ansiavam por acesso aos portos chineses, a criação de embaixadas permanentes e a possibilidade de comercializar uma gama de produtos europeus, desde relógios e instrumentos científicos até armamentos.

O imperador Qianlong adotou uma postura fria e rejeitou categoricamente as demandas britânicas. Em uma carta icônica, ele afirmou que a China já possuía tudo o que necessitava e não via mérito em trocar suas riquezas por "itens estrangeiros". Sustentou que a China era uma nação civilizada e benevolente, que tratava os forasteiros com generosidade, mas que não carecia de suas amizades. Criticou também os britânicos por não acatarem os rituais e as normas de etiqueta chineses, como se curvar diante do imperador e reconhecer sua autoridade.

As raízes dessa rejeição podem ser rastreadas em um contexto histórico e cultural mais amplo. A China era uma potência regional tanto em termos econômicos quanto militares, controlando o comércio na Ásia e abrigando uma população colossal de aproximadamente 300 milhões de habitantes. A dinastia Qing, que governava a China desde 1644, solidificara seu domínio apoiada nos princípios do confucionismo. O confucionismo enaltecia a ordem social, a harmonia, a moralidade e a lealdade ao imperador, considerando-o o "filho do céu", um governante sábio e benevolente com a responsabilidade de manter a paz e a prosperidade.

Nesse contexto, a China se autodenominava o "Império do Meio", enxergando-se como culturalmente superior aos demais. Estrangeiros eram percebidos como bárbaros que deveriam prestar tributo e demonstrar respeito ao imperador, mas sem qualquer direito de interferência nos assuntos internos do país. Portanto, a postura de Qianlong refletia uma visão de mundo centrada na China e desdenhosa das influências externas. Ele não considerava os britânicos como parceiros iguais, mas sim como súditos distantes que deveriam submeter-se à sua vontade.

A abertura econômica da China em 1976

A abertura de 1976, por outro lado, foi desencadeada pela morte de Mao Zedong e pela subsequente ascensão de Deng Xiaoping ao poder. Deng iniciou um processo de reformas econômicas que visava abrir a China para o investimento estrangeiro e modernizar rapidamente sua economia. Esta abertura foi notavelmente mais bem-sucedida em termos de crescimento econômico e integração global. O simbolismo desta abertura está na mudança radical na política e na mentalidade chinesas. Ela simboliza o reconhecimento por parte da China de que a integração global e o desenvolvimento econômico eram cruciais para o progresso do país, marcando o início da China como uma potência global emergente. 

A abertura de 1976 foi desencadeada pela morte de Mao Zedong e pela subsequente ascensão de Deng Xiaoping ao poder.

Deng Xiaoping iniciou um processo de reformas econômicas que visava abrir a China para o investimento estrangeiro e modernizar rapidamente sua economia.

A abertura de 1976 foi notavelmente mais bem-sucedida em termos de crescimento econômico e integração global.

O simbolismo desta abertura está na mudança radical na política e na mentalidade chinesas.

A abertura de 1976 marcou o início da China como uma potência global emergente de fato, a China se tornou uma força econômica e política importante no mundo nas décadas seguintes.

A abertura de 1976 foi um evento importante na história da China. Ela marcou uma mudança radical na política e na mentalidade chinesas. Antes de 1976, a China era um país fechado e isolado do mundo. A economia era controlada pelo governo e o comércio com o exterior era limitado.

A morte de Mao Zedong em 1976 abriu caminho para uma nova era na China. Deng Xiaoping, o novo líder do país, era um reformista que acreditava que a China precisava se abrir ao mundo para prosperar.

Deng iniciou um processo de reformas econômicas que visava abrir a China para o investimento estrangeiro e modernizar rapidamente sua economia. Essas reformas foram um sucesso, e a China experimentou um crescimento econômico sem precedentes nas décadas seguintes.

O simbolismo da abertura de 1976 está na mudança radical na política e na mentalidade chinesas. Ela simboliza o reconhecimento por parte da China de que a integração global e o desenvolvimento econômico eram cruciais para o progresso do país.

A abertura de 1976 transformou a China em uma potência global emergente. O país é agora a segunda maior economia do mundo e uma força importante na política e na economia internacionais.

Referências

TREVISAN, Claudia. Os Chineses. São Paulo: Contexto, 2009. A China encontra o Ocidente.

“Concorrência com a China ficará pior”

Opinião do presidente da Abimaq, que representa fabricantes de máquinas e equipamentos, é compartilhada por outros setores; abertura econômica chinesa deve drenar investimentos


Bárbara Ladeia - iG São Paulo

Na última semana, a China deu mais um passo na trajetória de distensão iniciada há 35 anos, com o líder político Deng Xiaoping. Após dias de reunião, o Partido Comunista, que comanda o país,anunciou uma série de medidas que incluem uma maior flexibilização da economia e prometeu abrir as portas do mercado financeiro do gigante asiático para empresas privadas.
O sistema financeiro aberto tem sido visto como a porta de entrada para um aumento do capital estrangeiro no país. A China, que já é o principal destino dos investimentos estrangeiros, deverá reforçar ainda mais sua liderança se, de fato, essa distensão acontecer.
Divulgação
Não é a primeira vez que a China anuncia flexibilização econômica
A relação entre Brasil e China não é exatamente uma lua de mel – são 23 investigações de defesa comercial contra o país oriental em curso, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Mesmo assim, para quem vende para a China, a reforma é uma boa notícia. Sorte dos produtores brasileiros de alimentos e commodities, que têm o país como um dos principais parceiros comerciais. No entanto, para quem está na indústria, a notícia não é das melhores.
Na Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o assunto ainda não está em avaliação intensa. Luiz Aubert, que preside a associação, prentende colocar o tema em pauta depois de a reforma ser definitivamente aprovada. “Tenho de cuidar do aqui e agora – o que já não é fácil. Se eu ficar tentando administrar esse futuro eu infarto”, brinca.
Pudera. Nos últimos anos, a China se consolidou na posição de maior ameaça para a indústria nacional de máquinas e equipamentos – e também para a têxtil, para a siderúrgica, para a de brinquedos e outras tantas. Aubert diz não ter dúvidas de que os investimentos internacionais no setor produtivo deverão migrar para o país asiático e, consequentemente, empoderar ainda mais a economia daquele país.
Fernando Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), acha cedo para disparar o pânico do mercado – que já lamenta bastante a invasão dos produtos chineses. Como os chineses são tidos como grandes planejadores de longo prazo – a abertura do país acontece há mais de 30 anos –, Pimentel avalia que o peso dessa abertura só virá no longo prazo. “A China é um paquiderme que se move devagar. Qualquer reforma é uma reforma de longo prazo”, diz.
O presidente da Abit prefere não vê no curto prazo motivo de apreensão com o crescimento chinês e considera que “o Brasil deve se preocupar mais consigo mesmo”. “A China depositou 5 mil pedidos de patente no ano passado, contra quase 200 nossas”, diz.
Divulgação
Jato Legacy 650 entregue a Jackie Chan, embaixador da marca Embraer: unidade será a primeira produzida lá
Tecnologia e inovação
A China leva vantagem em relação ao Brasil em duas frentes: inovação e tecnologia, avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima: “Começam a ter a competência de seus vizinhos asiáticos, como o Japão e a Coreia do Sul. A tendência é logo superarem esse patamar."
Para Lima, não se trata de uma nova ameaça, mas de uma concorrência ainda mais pesada. “A maior parte dos investimentos que chegaram até a China visa exportação, agora haverá maior dedicação para o atendimento da demanda interna”, diz. “Eles vão ficar ainda mais atraentes para o investimento externo.”
O que alivia esse receio geral, segundo Lima, é a dificuldade em fechar negócios com a China – não só pela dificuldade com o empresariado, mas também com a instabilidade local. “Não é tão fácil assim investir na China. A questão regulatória é ainda mais instável que aqui no Brasil”, explica.
Vale lembrar que persistem as regras para empresas estrangeiras, que precisam se juntar com locais para implantar seus negócios – transferindo conhecimento e tecnologia. Para se instalar na China e usufruir das vantagens operacionais, a Embraer Aviação Executiva precisou se juntar em uma joint venture com a China Aviation Industry Corporation II para criar a Harbin Embraer Aircraft Industry Co. Ltd. – compartilhando, assim, boa parte da sua experiência.
Agregar valor ao continente
A abertura econõmica vem porque chegou a hora de a China começar a agregar valor, inovação e tecnologia aos seus produtos. Atualmente, a educação é um dos investimentos centrais do país, que forma um milhão de engenheiros por ano. “É fundamental para eles neste momento que as exportações chinesas deixem de ser vistas como algo de baixo valor e baixa qualidade. Precisarão conquistar a confiança do mundo”, diz Alexandre Uehara, diretor acadêmico das Faculdades Rio Branco e especialista em Ásia.
O diferencial está na forma como o país oriental vem administrando sua estrutura interna. Uehara diz que aquele velho modelo de larga produção com mão de obra barata está ficando para trás. “Eles já estão perdendo esse mercado para o sudeste asiático.” E mesmo assim, ainda são 10 milhões de vagas de emprego geradas anualmente.
Embora já viesse concorrendo com as empresas nacionais em alguns setores chave como a siderurgia e a indústria têxtil, o Brasil ainda tinha o trunfo da qualidade guardado na manga. Se a China for bem sucedida em sua missão interna, esse trunfo poderá acabar. “Eles estão subindo um patamar e a massa de profissionais capacitados é crescente”, afirma.
A velha reclamação da carga tributária no Brasil se enquadra perfeitamente esse cenário competitivo. A reforma tributária prevista pelo gigante asiático impõe uma carga de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) da China – metade do que opera no Brasil. Uehara destaca, no entanto, que esse diferencial não é preciso entrar em pânico. “A tendência é custo de produção se elevar e a carga tributária também. O governo chinês já sabe disso e sabe que isso também ameaça a competitividade deles.”

Investimento Estrangeiro: Brasil x China (US$ bilhões)

Confira a evolução do investimento estrangeiro no Brasil e na China desde o começo no século.
Fonte: The United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD)

Ruptura ou continuidade – uma dúvida de longo prazo
A decisão de tornar a economia chinesesa foi divulgada pela agência estatal e o mundo inteiro falou sobre o assunto. Mas o fato é que pouco se sabe sobre o que vai acontecer. O ex-embaixador do Brasil na China e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Clodoaldo Hugueney, é um dos que não viu clareza no discurso chinês. “A única informação que temos é que há uma reforma estatal em curso, mas não conseguimos ver para que direção essa reforma andará”, diz.
Embora tenham anunciado as novidades como um grande acontecimento, boa parte dos observadores entende que essa maior liberalização já vem tarde. “Trata-se do de mais um passo do mesmo processo iniciado em 1978. Essa é só um aprofundamento da política de distensão econômica prometida”, afirma o ex-embaixador.
Exatamente por esse tônus de continuidade, Hugueney não enxerga a abertura como um risco para as empresas nacionais, uma vez que a China já é o principal destino dos investimentos estrangeiros no mundo. “Não vai faltar investimento. O que eu vejo acontecendo são poucas oportunidades de negócios, graças ao freio nas economias da Europa e dos Estados Unidos”.
A China já era o principal destino do capital mundial e assim deve continuar pelos próximos anos. “Não se toma nenhuma decisão na China sem que o partido esteja totalmente envolvido. Para que todas as novidades sejam viabilizadas, terão de vencer as resistências internas e a luta de interesses dentro do partido”, explica Hugueney.
Nem mesmo os chineses vêem uma grande ruptura nesse novo anúncio e qualquer mudança mais substancial no cenário só virá de 2020 para frente, na análise do pesquisador do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI), Jorge Njal.
Há quatro anos morando em Jinhua, provincia de Zhejiang, o especialista não vê alvoroço da população local com as novidades anunciadas pelo partido. “Não é para hoje, nem para amanhã. Por aqui, as pessoas estão esperando para ver se de fato essa abertura vai acontecer”, diz. “Não é a primeira vez que eles anunciam uma maior liberalização, mas não adianta contar com a saída do Estado da economia chinesa. Isso não vai acontecer.”
O setor financeiro, que agora passará a ser parte da iniciativa privada na China, deverá se beneficiar da oportunidade de atender o mercado de 1,3 bilhão de chineses. Atualmente, Banco do Brasil e Itaú são os bancos brasileiros em operação no país asiático.
Outros setores poderão não ter a mesma sorte. Dado o tamanho do controle político exercido sobre a população, Njal duvida que outros setores mais estratégicos como telecomunicações, internet, defesa de fronteiras e segurança nacional vão chegar algum dia à mãos estrangeiras. As restrições são tão políticas quanto culturais. “O ocidental aqui não é bem-visto nem bem-quisto”, diz.
Mas na hora de fazer negócios, a conversa avança com mais facilidade. A tendência é que, daqui para frente, os negócios bilaterais sejam ainda mais fluidos. Principalmente porque faz parte dos objetivos da nova liderança do partido intensificar esse processo de abertura política e econômica do país. "Eles são concentrados no que é de interesse deles e têm pouca flexibilidade", explica Hugueney.