Cálculo é para imóvel novo. Usados têm margem de ganho maior por eliminar os custos com as construtoras; conheça as despesas previstas além do preço de compra do bem
Comprar um imóvel é pagar bem mais do que ele vale. Só as taxas no ato da compra podem consumir 14% do valor financiado na cidade de São Paulo. Se a intenção for revender, o custo pode chegar a 26% do preço de aquisição, só compensando repassá-lo adiante se for vendido por mais de um quarto acima do que custou. Caso contrário, é prejuízo garantido.
A simulação foi feita ao iG pelo sócio do escritório Turci Advogados, Carlos Fujita, levando em conta um empreendimento novo de R$ 400 mil, preço médio na capital paulista. Ele considerou as taxas estimadas em imóveis novos e usados (veja a tabela abaixo), que variam conforme o município ou Estado.
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Eventuais gastos com reforma, decoração ou instalações devem ser considerados antes de fechar o contrato
Os gastos obrigatórios incluem impostos como o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), corretagem, taxas cobradas pela incorporadora, custo de interveniência e Imposto de Renda sobre o ganho de capital.
Antes de fechar negócio, é importante pesquisar o custo exato de impostos e taxas que incidem em cada localidade do País. “Pode-se fazer uma estimativa do quanto se vai gastar apurando esses valores com base no valor do imóvel”, orienta o professor de finanças do Ibmec, Eduardo Coutinho.
Se o imóvel comprado por R$ 400 mil em São Paulo for revendido por R$ 500 mil, estima-se um prejuízo de R$ 4.100 no bolso do investidor, já que R$ 104,1 mil serão consumidos só com taxas de compra e revenda, concluiu Fujita.
Usados saem mais em conta
Na cidade do Rio de Janeiro, o cenário é parecido. Um imóvel novo adquirido a R$ 750 mil exige um gasto de 11% sobre este valor no momento da compra. Mas se este mesmo imóvel for usado, os custos despencam para 2,4%, devido à eliminação de taxas como as cobradas pelas construtoras e o custo de financiamento.
Na revenda do usado, o investidor sai ganhando em relação ao novo. Se vender o imóvel por R$ 900 mil, pagará 11% (ou R$ 84.817,00) em taxas, lucrando R$ 65.182,29. Mas se fizer a mesma transação com um imóvel novo, terá prejuízo de R$ 25.567,71, em função dos encargos.
Como planejar outras despesas
Além dos impostos e taxas, o comprador de um imóvel novo precisa levar em conta eventuais despesas extra com reforma, decoração ou instalações não previstas em contrato. Se o bem for comprado na planta, é preciso verificar se no memorial descritivo da construtora está prevista a colocação de pisos, azulejo e armários.
“Se o documento prevê que a cozinha será entregue no contrapiso, sem acabamento, cabe ao comprador planejar os gastos com antecedência”, diz o economista e professor da Anhanguera Educacional, Antonio Azambuja.
A melhor forma de bancar estas despesas é no período em que as prestações do imóvel são mais baixas – geralmente antes da entrega das chaves, quando não há correção pelo INCC (Índice Nacional de Construção Civil). Quando o imóvel ficar pronto, basta mandar instalar os móveis ou piso, que já foram pagos.
“Há compradores que só percebem o quanto terão de desembolsar com reformas depois que o imóvel está pronto, quando não têm mais dinheiro, e caem no cheque especial”, conta Azambuja.
Há também os chamados ‘gastos fantasma’, pequenas despesas que não estavam previstas, como a instalação de lâmpadas, interruptores e fios. O economista recomenda sempre reservar uma margem de 10% do orçamento para estes gastos invisíveis.
Se o imóvel é usado, é preciso verificar antes de assinar o contrato se não há parcelas do IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) em atraso, ou taxas de condomínio que deixaram de ser pagas.
Melhor forma de financiar
Ao fazer o financiamento do imóvel, quanto maior a entrada, melhor, na opinião de Coutinho, do Ibmec. É possível financiar até 80% do valor total, segundo determinação do Banco Central (BC), mas especialistas recomendam comprometer um percentual menor.
“A melhor decisão é financiar o menor valor possível, para fugir dos juros”, recomenda Coutinho. Embora seja possível financiar um imóvel em até 35 anos, Azambuja sugere que o financiamento seja feito num prazo menor, se possível. "Entre cinco e dez anos é o ideal, não mais do que isso".
Caso faltem recursos para dar uma boa entrada, a sugestão é abrir uma aplicação de baixo risco como a renda fixa ou a poupança, que permite resgatar o dinheiro a qualquer momento. “Se o surgir uma oportunidade de compra nos próximos seis meses, enquanto se poupa, a caderneta é mais simples de resgatar”, diz Coutinho. Para prazos mais longos, os títulos do Tesouro Direto são mais recomendados.
Para Azambuja, o importante é que os gastos não consumam mais que 30% da renda mensal. “Só compre um apartamento que caiba no seu bolso”.
Se a intenção é morar, o professor da Anhanguera propõe que o potencial comprador faça um “test drive” no bairro onde pretende fazer a aquisição, para evitar arrependimentos no pós-compra. “Morar de aluguel por um tempo na região onde se deseja comprar é um ato de precaução”, diz.
SIMULAÇÃO (SÃO PAULO)
Taxas previstas na compra de um imóvel novo de R$ 400 mil em São Paulo:
Despesa
Percentual (%)
Valor (R$)
Taxa SATI*
1%
4 mil
Corretagem*
6%
24 mil
Taxa de interveniência*
2%
8 mil
Taxa de obra*
2%
8 mil
ITBI**
2%
8 mil
Escritura e registro**
2%
8 mil
Dispêndio total (com cláusulas contratuais + despesas obrigatórias)
1%
4 mil
(*) Taxas estipuladas em cláusulas contratuais e cobradas pela incorporadora. Os percentuais e valores são estimados e podem variar (ou não ser cobrados) em cada caso.
(**) Despesas obrigatórias.
Taxas previstas de um imóvel novo comprado a R$ 400 mil e vendido a R$ 500 mil em São Paulo:
Despesa
Percentual (%)
Valor (R$)
Taxa de repasse*
3%
12 mil
Imposto de Renda sobre ganho de capital
15%
5,7 mil
Corretagem
6%
30 mil
Documentação
-
400
Valor líquido recebido
-
451,9 mil
Escritura e registro**
1%
4 mil
Dispêndio total (com cláusulas contratuais + despesas obrigatórias)
-
456 mil
(*) Taxas estipuladas em cláusulas contratuais e cobradas pela incorporadora. Os percentuais e valores são estimados e podem variar (ou não ser cobrados) em cada caso.
O advogado Roberto Mortari Cardillo, especialista em direito civil e sócio do escritório Cardillo & Prado Rossi Advogados, explica ao iG o significado das taxas mais comuns cobradas nas operações imobiliárias. Confira:
COMPRA
Taxa Sati (Serviço de Assessoria Técnica Imobiliária) – É cobrada no ato da assinatura do contrato com a construtora na compra de um imóvel a ser construído. Pode variar de 0,5% a 1% sobre o valor do bem. Abrange a análise da documentação do eventual comprador e, se for o caso, de todo o procedimento restante para financiamento bancário. Ou seja, visa a remuneração dos serviços de natureza jurídica e técnica ao comprador. Sua cobrança pode ser questionada.
Corretagem – É a taxa paga ao corretor de imóveis por intermediar a operação. Segundo o artigo 722 do Código Civil, pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas”. A taxa pode variar por Estado. Em São Paulo, por exemplo, ela se situa em torno de 6% do valor da transação imobiliária.
Taxa de interveniência – É exigida pela incorporadora se o comprador pretende obter financiamento para o saldo devedor, após a entrega das chaves, em um banco diferente do indicado pela incorporadora. Normalmente, as incorporadoras mantêm parceria – não formal - com algum banco, o qual financia parte da obra. Seu custo pode ser de até 2% do valor a ser financiado, cobrado na transmissão efetiva da posse (entrega das chaves).
ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) – É um imposto municipal. Na cidade de São Paulo, é de 2%. Não é cobrado em caso de doação, e sua transação é concretizada sempre entre pessoas vivas, não alcançando a transmissão por sucessão. O ITBI é de responsabilidade do adquirente do bem, ou seja, na compra e venda imobiliária recairá sobre os ombros do comprador.
VENDA
Taxa de repasse – Também conhecida como taxa de cessão de contrato ou de transferência, renúncia à preferência etc. É cobrada pela incorporadora, se e quando o comprador originário do imóvel revende-o, porém sem pagar o saldo devido a ela. O segundo comprador assume então o contrato e o saldo devedor. As incorporadoras exigem tal taxa porque, em tese, ostentam direito de preferência sobre o imóvel vendido. Para abrir mão dele, cobram a taxa, cuja previsão é feita no contrato de compra e venda, mas paga apenas quando o imóvel é revendido.
Imposto de Renda sobre ganho de capital – Tem custo de 15% sobre o lucro com a venda, podendo-se abater o ITBI, os juros do financiamento e as corretagens, caso elas tenham sido pagas à parte, na compra ou na venda. Em geral, elas vêm junto com a incorporadora e não permitem dedução. Há dois casos de isenção: ao vender o único imóvel por menos que R$ 440 mil, ou quando o dinheiro da venda for usado integralmente na compra de outros imóveis residenciais no Brasil, em até 180 dias. Se só parte do valor for usada na aquisição, será preciso pagar imposto sobre o ganho de capital restante. Só fica isento quem não tenha vendido imóvel residencial nos últimos cinco anos.
Documentação – É o conjunto de documentos que devem ser apresentados para realizar uma transação imobiliária. Possuem alta relevância, pois devem refletir não só a situação do imóvel como o status do vendedor, eventual existência de ações anteriores que possam comprometer a venda etc. A segurança do negócio depende da criteriosa análise de tais documentos.
Escritura – É lavrada em cartório de notas. O seu custo é variável, inclusive entre os Estados, e pode ser proporcional ao valor do bem. No site do IRIB (Instituto de Registro Imobiliário do Brasil) há tabelas para consulta. É cobrada pelo próprio cartório de notas, valendo observar que eventual contrato de financiamento com banco possui força de escritura pública.
Registro – O registro, segundo o artigo 1º da lei 6015/73, tem o objetivo de imprimir “autenticidade, segurança e eficácia” aos atos jurídicos e se efetua no cartório da situação do imóvel. Possui variáveis de Estado para Estado, tendo como base de cálculo o valor de venda do bem. No site do IRIB, há também as tabelas de custos cobrados pelos cartórios de registro de imóveis.
Economista americano faz alerta após preços em SP e RJ dobrarem em cinco anos; brasileiros dizem, porém, que situação é diferente da dos EUA pré-crise de 2008
O aquecimento do mercado imobiliário em cidades como São Paulo e Rio, com aumento nos preços e na oferta de imóveis, levanta preocupações de que exista uma eventual "bolha imobiliária" em cidades brasileiras.
É possível que haja uma sobrevalorização nos preços, que poderiam cair repentinamente se a eventual bolha "estourar"?
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Preços dobraram em cinco anos, mas analistas dizem que situação brasileira é diferente da americana
Autoridades e especialistas brasileiros descartam a hipótese, mas um economista americano que previu a bolha imobiliária dos Estados Unidos acha preocupante o fato de os preços dos imóveis terem dobrado nos últimos cinco anos nas maiores cidades brasileiras.
E, nos últimos 12 meses, o aumento dos preços do metro quadrado em 16 capitais foi de em média 12,3%, segundo o índice da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgado nesta quarta-feira. Em Curitiba, esse aumento chegou a 26,8%; em São Paulo e Rio, 13,7% e 15,3%, respectivamente.
Dados do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) apontam que o número de novas unidades de imóveis cresceu 46% e as vendas subiram 63% neste primeiro semestre no Estado.
"Não é possível saber com certeza, mas suspeito que exista uma bolha imobiliária nas maiores cidades do Brasil", disse o economista Robert Shiller, professor da Universidade de Yale (Estados Unidos) e que previu a bolha imobiliária dos EUA. Ele esteve em Campos do Jordão (SP) neste final de semana para um congresso da BM&FBovespa.
"O fato de os preços terem dobrado nos últimos cinco anos não soa bem. Se os preços caírem, isso pode criar problemas", afirmou Shiller, fazendo a ressalva de que não conhece a fundo a realidade brasileira.
Ele alega que, nos Estados Unidos, a possibilidade de um imóvel perder valor era vista como inimaginável – e, no entanto, foi isso o que aconteceu com a crise de 2008, fazendo com que muitos proprietários vissem seu patrimônio se depreciar. Em muitos casos, hipotecas passaram a superar o valor dos imóveis.
Brasil diferente
O caso do Brasil, no entanto, é diferente dos EUA, argumenta Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo).
"Em conversas com Banco Central, Caixa Econômica Federal e Abecip (Associação Brasileira de Crédito Imobiliário), descartamos completamente a hipótese de uma bolha aqui", diz Petrucci à BBC Brasil, alegando que o aumento de preços acompanhou o crescimento econômico do país e, no momento, reflete os custos mais altos de terreno e de mão de obra e matéria-prima.
"O que está acontecendo está dentro da normalidade. Nos EUA, mais do que uma crise imobiliária, houve uma crise de papéis (em referência à comercialização, no mercado financeiro, de títulos de hipotecas que se revelaram 'podres', gerando a crise do subprime). Aqui, a geração de emprego e renda continua positiva, o financiamento segue abundante e barato e temos uma população economicamente ativa grande (apta a comprar imóveis)."
Segundo ele, as taxas de financiamento imobiliário não superam os 10,5% ao ano – pouco acima da atual taxa básica (Selic), de 9%.
Petrucci argumenta que o sistema de crédito imobiliário ainda tem "saúde" no Brasil, que o estoque de imóveis não vendidos está equilibrado (uma redução desse estoque levou a aumentos nos preços em 2010) e que os preços não devem subir mais aos níveis de 2009 e 2011.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco declarou, também no congresso da BM&FBovespa, que é preciso "ficar de olho" nos preços dos imóveis, mas que não vê perigos imediatos de uma bolha imobiliária, porque a demanda por imóveis se mantém consistente no país.
Comportamento anormal
Eduardo Zylberstajn, economista da Fipe e coordenador do índice que mede os preços dos imóveis, admite que existe uma preocupação com os preços.
"Não é normal que os preços dobrem (em tão pouco tempo). É algo que precisa ser estudado e debatido", diz à BBC Brasil.
"Mas tampouco era normal a situação que vivemos nos anos 1980 e 1990, quando a hiperinflação corroeu ativos e inibiu o crédito", agrega. Ou seja, seguindo esse raciocínio, o boom imobiliário é decorrência de uma demanda reprimida por crédito e por moradia.
"Minha impressão é de que os preços estão muito ligados ao desempenho do mercado de trabalho, que esteve muito aquecido, mas dá sinais de mudanças de rumo – com salários (crescendo em ritmo) mais moderado", completa o economista. "Isso deve afetar a demanda por imóveis."
Ele cita o caso do Rio, onde a Fipe chegou a observar aumentos de preços de 50% em curto período de tempo. Esse aumento baixou agora para a casa dos 15%, com leve tendência de queda.
Um banco minúsculo até outro dia, criado no Rio de Janeiro e radicado em São Paulo, está chamando a atenção do mercado financeiro pela segunda vez nos últimos anos. No passado, o nome do BVA apareceu misturado a operações esquisitas de seu então único dono, o banqueiro José Augusto Ferraz Santos. Desta vez, o foco da curiosidade é o crescimento relâmpago da instituição. Nos últimos três anos, os ativos do BVA cresceram mais de dez vezes: de R$ 361 milhões no começo de 2007 para R$ 3,9 bilhões em junho deste ano. É um desempenho fabuloso por qualquer critério, principalmente num mercado altamente competitivo e num período que engloba uma crise que deixou de joelhos várias instituições de pequeno e médio portes. A expansão começou com a chegada do executivo Ivo Lodo, que o BVA foi buscar no J. Safra no fim de 2006. Lodo foi contratado como presidente, passou a comprar participações e hoje tem 50% do banco. Desde que assumiu o comando, os resultados melhoraram em todas as linhas do balanço. Os depósitos saíram de pouco menos de R$ 100 milhões para R$ 3,2 bilhões. O número de clientes saltou de 216 para 1.565, crescimento de 625%. O capital total (base necessária para expandir o crédito) saiu de R$ 58 milhões para R$ 330 milhões no mesmo intervalo, uma alta de 460%. A agressividade do BVA virou assunto entre seus concorrentes e analistas de mercado, que passaram a atribuir o sucesso a um suposto bom trânsito político e acesso a fundos de pensão de empresas estatais, como antecipado semanas atrás pela coluna Direto da Fonte. No plano político, chegou-se a espalhar que Luiz Gushiken, ex-ministro do governo Lula conhecido pela influência em fundos de pensão, seria "padrinho" do banco. Segundo Lodo, o único Gushiken que frequentou o BVA é Artur, filho do ex-ministro, que foi estagiário do BVA por cerca de um ano. "Uma vez almocei com Gushiken (o pai). Ele queria agradecer. Foi o único encontro com ele." Procurado semanas atrás, o ex-ministro disse que não fala com jornalistas e não quis ouvir as perguntas. Fundos A respeito do relacionamento com os fundos de pensão de empresas estatais, Lodo e seus executivos afirmam que eles foram importantes na arrancada do BVA, mas hoje teriam perdido espaço para outros clientes. Os investimentos dessas fundações estão concentrados na Vitória Asset Management, a administradora de recursos de terceiros do banco. Criada em 2007, a Vitória acumula hoje quase R$ 3 bilhões de patrimônio, dos quais R$ 1,2 bilhão está no fundo Florestal. Trata-se de um projeto cujo foco é o reflorestamento e a produção de eucalipto, que tem quatro sócios em partes iguais: os fundos de pensão Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica Federal), o frigorífico JBS e a MCL Empreendimentos. Para formar a Florestal, a JBS e a MCL entraram com terras e mudas de eucalipto e Petros e Funcef entraram com cerca de R$ 250 milhões cada um. "A Vitória venceu uma disputa com outros sete concorrentes para administrar o projeto", afirma Carlos Rosa, diretor financeiro da Florestal indicado pelos fundos de pensão. De acordo com o presidente do BVA, além da Florestal, as fundações têm outros R$ 230 milhões aplicados em fundos exclusivos geridos pela Vitória. São R$ 140 milhões da Petros e R$ 90 milhões da Geap (Fundação de Seguridade Social que, segundo definição própria, "oferece aos servidores públicos federais, estaduais e municipais planos e programas de saúde, assistência social e previdência complementar"). Ao todo, portanto, os fundos de pensão teriam hoje cerca de R$ 750 milhões confiados à gestora do BVA, o que representa 25% do patrimônio total. No mercado financeiro, concorrentes com tamanho semelhante ao BVA dizem que é complicado conquistar o direito de administrar um fundo de uma gigante como a Petros - a fundação informa que tem R$ 10,1 bilhões distribuídos em 32 fundos exclusivos, dois deles com o BVA/Vitória Asset. "É tão difícil que eu não tenho nenhum", brinca o presidente de uma gestora de porte semelhante ao da Vitória. Lodo fica irritado quando ouve esse tipo de desconfiança. "Trabalho como um condenado, aplico tudo que ganho no banco e tenho de passar por isso?" Ele argumenta que, sempre que disputou concorrências para gerir fundos do gênero, contratou pessoas qualificadas. Ele reconhece que, no início de seu trabalho no BVA, as fundações foram importantes. Mas afirma que, hoje, há opções que rendem mais dinheiro para o banco, como os fundos de investimento em direitos creditórios (os chamados FIDCs). Além disso, Lodo afirma que bancos que administram muitos recursos de fundos de pensão acabam se acomodando. Com isso, argumenta, ficam vulneráveis às tradicionais mudanças de comando das fundações (sobretudo as ligadas a estatais) em início de governo. Escândalos No mercado, afirma-se que as desconfianças em relação ao BVA encontram ressonância, em parte, por causa do envolvimento do fundador do banco, José Augusto Ferraz Santos, em operações problemáticas. Além do banco, ele tem negócios no ramo de energia e de shopping centers, e seria bem relacionado politicamente, principalmente com parlamentares do PMDB. José Augusto era sócio de uma das empresas que participaram da chamada "máfia do lixo" na prefeitura petista de Santo André (SP), esquema que veio à tona com o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel. "Ele não era gestor da empresa, mas lucrou com o esquema e foi denunciado por tráfico de influência", afirma o promotor de Justiça de São Paulo Roberto Wider, que investigou o caso. Num outro escândalo, o das compensações fraudulentas de dívidas com a Receita Federal, José Augusto teve operações recusadas pelo Fisco quando tentava quitar impostos com créditos podres. Procurado na semana passada, ele estava no exterior. Sua advogada, Ilcelene Bottari, foi encarregada de falar por ele. "No caso de Santo André, já apresentamos a defesa escrita e aguardamos a decisão do juiz", diz ela. "Em relação a compensações tributárias, a Justiça entendeu que meu cliente foi vítima. Ele comprou créditos tributários sem saber que não eram bons. Mas já acertou tudo com a Receita." Planos Embora Lodo defenda seu sócio em público, pessoas próximas afirmam que ele reconhece que a sombra de José Augusto pode deixar o banco numa saia-justa. Ele sabe que, mais do que o bom desempenho no dia a dia dos negócios, o sucesso dos projetos depende da mudança de percepção do mercado em relação ao BVA. E Lodo tem planos ambiciosos para o banco. Em 30 de junho, o BVA ingressou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com um pedido para fazer um fundo de investimento em participações (FIP). Na prática, equivale a uma abertura de capital restrita. Ou seja, o BVA quer ter outros sócios, mas sem participação no controle. Por isso, quer aumentar sua participação no banco e, além disso, planeja mudar o nome da instituição em breve. "Neste momento, faz sentido. Se eu tivesse feito logo quando assumi, ficaria parecendo que queríamos trocar só a casca", afirma. "Hoje, é legítimo."
O aumento da alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) sobre solventes em São Paulo deve provocar aumento em diversos produtos. Tintas e calçados, que usam solventes como insumo, por exemplo, devem ser impactados, segundo estimativas de oito associações empresariais que negociam com o governo paulista medidas para compensar a alta do imposto. O aumento de 18% para 25% na alíquota de ICMS para solventes foi aprovado em dezembro de 2009, mas entrará em vigor no fim de março. O argumento do governo para elevar o tributo é que ele inibirá o uso do solvente para adulterar gasolina.
Os fabricantes de tintas do Estado estimam que o preço do produto aumentará entre 2,2% e 5,7% com as novas alíquotas do ICMS. O setor consome 44% do solvente produzido no país, segundo o presidente interino do Sitivesp (Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo), Paulo Cesar de Aguiar.
A elevação de preços das tintas deve aumentar o custo da construção civil como um todo, já que 60% dos produtos são destinados ao mercado imobiliário. Estima-se que apenas a tinta represente 3% do custo de uma obra e que a pintura pode alcançar 7,5% dos gastos com remuneração da mão-de-obra do serviço.
Apesar de o preço maior, os fabricantes de tintas não esperam queda nas vendas em 2010, afirma Aguiar. A expectativa é de crescimento de 4% na receita deste ano, em relação ao ano passado, quando o setor faturou US$ 3,3 bilhões e vendeu cerca de 375 bilhões de galões de tinta.
Outro produto que chegará mais caro ao consumidor a partir deste mês é o calçado, afirma o presidente da Evandro Knust, vice-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal). O solvente é usado para produção de matérias-primas da indústria calçadista, como couro sintético e cola para sapatos. O aumento de preços estimado é entre 2% e 8%, segundo Knust. “O encarecimento do produto compromete ainda mais a competitividade do calçado nacional com relação ao importado”, diz.
Migração para outros Estados
O aumento do ICMS de solventes amplia a diferença entre a alíquota do tributo cobrada em São Paulo e a tarifa para os negócios interestaduais, de 12%. A carga tributária maior deve favorecer a sonegação de impostos e a migração de empresas para outros Estados, afirma Ruy Ricci, presidente do Sindsolv (Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo). “As empresas vão fazer a conta para ver se vale a pena pagar imposto menor em outros Estados e gastar com frete em vez de pagar 25% de ICMS em São Paulo.”
Para Ricci, a decisão do governo paulista pode prejudicar a recuperação da indústria, setor mais afetado pela crise econômica no ano passado. “Enquanto outras áreas têm desoneração de impostos, há aumento da carga tributária para solventes em São Paulo", afirma. "O governo foi na contramão das medidas de incentivo ao setor produtivo.”
Novos conceitos de condomínios verticais, tendência ao isolamento das famílias, necessidades industrializadas, comportamento de consumo monitorado, incentivo ao consumismo em massa, perda das origens, stress, comportamento psicótico, ambiente político infectado, instituições governamentais altamente burocratizadas e estagnadas, proliferação de favelas e ocupações irregulares, áreas de preservação ambiental, terrenos públicos e privados continuam sendo ocupados ilegalmente, gerando grandes transtornos públicos.
A carência e escassez de recursos para a maioria da população da Cidade São Paulo é evidente, basta uma ou duas horas de caminhada nas zonas periféricas para desenvolver a percepção de caos em que os habitantes destas regiões se encontram, e a dimensão futura do problema que está sendo gerado. Atrás de obras públicas habitacionais, é possível ver um aglomerado de pessoas, habitando casas ou barracos, em condições muito inferiores às mínimas toleráveis. Crianças brincando no esgoto já nem chocam mais as pessoas locais ou mesmo as que simplesmente passam por ali, tornou-se um hábito.
É claro que o modelo Capitalista tem a incrível potência de fazer as mesmas coisas em lugares distintos, com peculiaridades locais, mas na média, absolutamente iguais.
A grande questão é que estamos falando da Cidade de São Paulo, provavelmente uma das próximas capitais emergentes dos próximos anos.
Se fosse possível formar um comparativo, provavelmente o Brasil seria a “carne no freezer” do mundo capitalista, enquanto a China é o prato em degustação.
Simplesmente permanecer com esse conhecimento e não fazer absolutamente nada, será como carregar a arma do bandido.
Os reflexos desta situação tendem a piorar, começando pelo absoluto aumento da criminalidade infantil. Crianças vendendo drogas, portando armas, morrendo em tiroteios com militares nem merece mais as primeiras páginas dos jornais, e sim pequenos espaços nos cadernos policiais.
As eleições se aproximam e de fato não existem milagreiros ou santos políticos, que possam solucionar todos os problemas com a facilidade das promessas políticas. Porém a consciência em quem não votar é fundamental.
O estado e o município de São Paulo, assim como todo território Brasileiro, necessitam urgentemente de novos conceitos políticos, novos planos desenvolvimentistas, nova consciência política e cidadã. Tudo isso para garantir que quando chegada a hora de “descongelar a carne guardada no freezer” haja espaço para os cidadãos paulistas e brasileiros desenvolverem-se e participarem da evolução capitalista com educação, saúde, profissionalismo e competência.
Segundo o Ibge a cidade de São Paulo em números se estabelece em uma extensão territorial de 1.539km² de área, temperaturas médias entre 15°C à 27°C, hospedando aproximadamente 11 milhões de habitantes que oferecem demanda para movimentar 2 mil agências bancárias, 72 mil pontos de comércio, 240 mil lojas, 90 mil prestadores de serviços, 900 feiras livres, 59 ruas de comércio especializado, 34 mil indústrias, todos atendidos por 114 hospitais, 17 pronto-socorros e 4 mil farmácias.
Nada impossível encontrar previsões onde após o ano de 2020, o mundo chegue além dos 4 bilhões de pessoas chegando próximo aos 5 bilhões antes mesmo de 2030. Claro esse é um crescimento macro, ou seja, em todo o mundo, focando a Cidade de São Paulo, que teve sua população triplicada no período entre 1960 e 2008, onde haviam pouco mais de 3,5 milhões de habitantes contra 11 milhões no decorrente ano.
Certamente, o contingente de São Paulo cegará próximo a 15 milhões de pessoas entre 2020 e 2030, e suas resultantes necessidades crescerão em mesmas proporções. Essa dinâmica proporcional acusa um sinal vermelho na logística que atende as necessidades fisiológicas dos habitantes assim como educação e emprego, que já apresentam escassez na presente realidade.
No contexto teórico atual, quebrar paradigmas, repensar os modelos são questões que surgem em qualquer diálogo. Porém, pela questão da ordem democrática essas termologias, apesar de atuais devem ser expelidas, principalmente pelos fundamentadores teóricos. É extremamente importante e fundamental entender que para a sociedade chegar até os níveis de liberdades sociais, e desempenho tecnológico, muito foi investido inclusive em capital humano dentre outros. Sendo assim, a reflexão deve ser iniciada sobre a ótica de atualizar, melhorar, superar e adaptar os novos conhecimentos às tradições clássicas.
Esse é o principal elemento de compreensão para formar continuidade às propostas de desenvolvimento das cidades e de seus elementos sociais.
Natural de São Paulo, ponto geográfico de onde se inicia a compreensão proposta por Ricardo Meper, é possível acreditar no desenvolvimento e geração de fortuna apenas apaixonado-se pelos amontoados antigos de cimento e aço que cortam o céu da maior capital brasileira, e principalmente assistindo ao arranque das audaciosas construtoras que começam a fomentar o mercado imobiliário da cidade com obras em praticamente todos os pontos da cidade.
O enfrentamento da crise financeira das décadas passadas, trouxe para a cultura brasileira, tanto das empresas como dos cidadãos, o costume das altas taxas de juros nas negociações financeiras, e credito disponível restrito para possíveis transações.
Nos cursos de Economia, Administração e até mesmo Marketing, é possível conhecer realidades próximas de indivíduos que vivenciam realidades em empresas tradicionais, que sem contatos políticos ou estratégicos, esbarram seu crescimento nas impossibilidades de investimentos, decorrentes da escassez de capital produtivo no mercado brasileiro.
Nas rodas de discussões não é nada difícil encontrar casos de indústrias e empresas que deixaram a capital de São Paulo, não somente pela questão da escassez de crédito, mas por questões tributárias, fiscalização, mão de obra e até por concorrências internacionais. Poucas são as empresas que resolveram permanecer em São Paulo e ainda não apresentam projetos ou pré-projetos para mudança em busca de benefícios fiscais que maximizem as taxas de retorno dos negócios.
Assim, com crédito para indústria nacional escasso, dificuldades tributárias e operacionais, as empresas se locomovem para cidades interioranas ou mesmos outros estados, muitas vezes elevando custos de logística, mas compensando na amenização fiscal e tributária. O que vem crescendo estrondosamente são as ofertas de serviços especializados, agenciadores, corretoras, contabilidades, assessorias jurídicas entre outros. E apesar do alavanque da indústria imobiliária na Capital de São Paulo, e todo território brasileiro, a crise imobiliária americana aponta os perigos de uma bolha no mercado de imóveis, ainda mais levando em conta as altas taxas brasileiras de financiamentos, então não precisa ser especialista para apontar os riscos futuros de inadimplência e retração do setor.
Contudo, os novos profissionais que buscam a expansão da carreira devem atentar-se para a saturação futura do mercado paulista em todos os níveis. Primeiro é fundamental considerar que não apenas São Paulo mas todo o Brasil, possui baixo potencial de crescimento devido a logística de toda cadeia produtiva. Estradas de ferro, rodovias, hidrovias, hidroelétricas, termoelétricas, usinas nucleares, usinas eólicas, telecomunicações, banda larga, fiscalizações governamentais, produção de papel, desenvolvimento nacional de software, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento formam a ponta da lança que fere e impede o desenvolvimento nacional de acontecer de forma sustentável.
São Paulo abriga hoje quase 10% da população brasileira, representando praticamente 15% do Produto Interno Bruto (PIB). O estado de São Paulo e a Cidade de São Paulo podem ser chamados de coração da economia brasileira e é por isso que as principais empresas de serviços hospedam-se por aqui.