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Estudos indicam que real está até 50% acima da taxa de equilíbrio

Existe uma pergunta no mercado que atualmente  grande parte dos economistas prefere não responder: qual a taxa de equilíbrio do câmbio? Embora eles não se comprometam com um número exato, há um consenso entre os analistas de que o dólar próximo da atual casa do R$ 1,70 prejudica a economia brasileira.

Recentemente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se valeu de um estudo do banco Goldman Sachs para dizer que a taxa ideal para o dólar é de R$ 2,60. O valor - 48,6% acima do patamar atual, de R$ 1,73 – é considerado justo por economistas consultados pelo iG, quando levadas em conta as transações correntes do País.

“A única certeza é de que o câmbio atual é absolutamente insustentável do ponto de vista produtivo. Vários estudos falam em defasagem de 50% entre o câmbio brasileiro e o chinês”, diz o economista Antonio Corrêa  de Lacerda, da PUC-SP. "Há outros que apontam entre 30% e 50%. O Brasil está com câmbio errado e isso nos tira competitividade, seja no mercado internacional, seja no interno."

O professor Lucio Sarno, da Cass Business School, do Reino Unido, considera que o real está cerca de 21% sobrevalorizado frente ao dólar. “É um cálculo difícil de fazer”, diz. 

Diferentes metodologias de cálculo

Há várias definições para taxa de equilíbrio do dólar. “Você pode interpretar o câmbio como um ativo, e aí considera o fluxo de capitais, o diferencial de juros, o risco Brasil", diz Paulo Tenani, professor da FGV. "Ou você pode interpretar o câmbio voltado para o mercado de bens, como um equilíbrio para a balança comercial e a conta corrente.”

Segundo Tenani, o dólar a R$ 2,60 pode, de fato, equilibrar as contas externas. “Um câmbio muito apreciado torna o Brasil caro e a produtividade baixa. O ministro Mantega está correto ao dizer que um câmbio mais depreciado é melhor para o País”, afirma.

Por outro lado, ele reconhece que, do aspecto do mercado financeiro, o prêmio pago pelo dólar também é baixo atualmente. “Comparado à média histórica, o Brasil paga menos do que pagava anteriormente", diz. "Os investidores estão tendo um prêmio muito menor pela moeda brasileira.”

Lacerda explica que o cálculo da taxa ideal do dólar deve ser baseado na comparação da flutuação da divisa frente a outras moedas. “O dólar estava a R$ 2,30. Hoje, está a R$ 1,70. Frente ao yuan, o dólar praticamente não teve variação, ficando perto de 6,80 yuans. Então, o real perde nessa comparação.”

Âncora cambial chinesa

Fernanda Feil, economista da Rosenberg & Associados, diz que o yuan “parece a base” do gráfico de comparação entre moedas, já que a variação frente ao dólar é mínima. Ela defende que a tendência de valorização do real deve seguir acentuada, por conta da atratividade do País. “O Brasil hoje é um destino relativamente seguro”, diz.
É difícil encontrar um economista que não defenda que variação cambial seja definida pelo próprio mercado. “O preço ideal do dólar é o que ele se encontra agora", afirma André Sacconato, da consultoria Tendências. "Num cenário de câmbio flexível, é o mercado quem define o valor.”

Embora reconheça que as atuações do Banco Central no mercado à vista tenham influência na variação do câmbio, Sacconato acredita que a autoridade monetária não tem condições de mudar a tendência da moeda. Ele alerta, no entanto, que uma possível atuação do Tesouro Nacional, via fundo soberano, pode interferir mais diretamente no mercado.

http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2010/01/09/estudos+indicam+que+real+esta+ate+50+acima+da+taxa+de+equilibrio+9234399.html