Mostrando postagens com marcador Taxa Selic. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Taxa Selic. Mostrar todas as postagens

Com juros de até 700%, dívida do cartão cresce seis vezes em um ano

Livres para praticar juros sem limite, bancos e administradoras cobram taxas muito acima da Selic. Inadimplência da modalidade é de 25,6%, a maior de todas

Taís Laporta - iG São Paulo 

Que negócio no mundo cobra juros médios de 282,82% ao ano? Cartões de crédito no Brasil. Foi esse o custo estimado do cliente que entrou no rotativo em 2013, de acordo com uma pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) em parceria com a Proteste (Associação de Consumidores).
O levantamento – que consultou 60 cartões de 11 instituições financeiras –, encontrou uma distância abismal entre a taxa mais baixa e a mais alta: 52,34% anuais no Ourocard Platinum (Banco do Brasil), e 705,61% no Platinum (Santander).
Getty Images
Inadimplência no cartão foi de 25,6% em dezembro
Com os juros mais altos do mercado, o cartão de crédito é também a modalidade com maior inadimplência no País. O calote bateu em 25,6% em dezembro de 2013, segundo os últimos dados do Banco Central. 
No paradoxo do ovo e da galinha, não se sabe se o quê veio primeiro: os juros ou os calotes. Os bancos justificam as altas taxas do cartão para compensar o índice de não pagamentos.
Uma simulação da pesquisa mostrou que a taxa mais cara encontrada (705,61%) pode engordar a dívida do rotativo em seis vezes no prazo de um ano. Se o cliente pagar apenas o valor mínimo exigido (20%) de R$ 500, a dívida subirá para R$ 3 mil em 12 meses.
O lado bom da pesquisa é que os juros médios do cartão estão menores que os registrados em 2012 pela Proteste. A taxa média anual, segundo a associação, era de 323,14%, 41 pontos percentuais acima do patamar atual. 
“Algumas instituições de fato reduziram as taxas, acompanhando a queda da Selic, mas elas continuam muito altas”, afirma a advogada especialista em direito do consumidor, Denise Santos.
O custo de deixar de pagar a fatura total do cartão ultrapassa, em muito, a Selic, que foi fixada em 10,5% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Mesmo a menor taxa encontrada no estudo, de 52,34% ao ano, é cinco vezes maior que os juros básicos da economia.
No cheque especial – a modalidade de crédito mais onerosa depois do cartão –, a taxa máxima cobrada era de 233,08% ao ano, pelo Santander, de acordo com dados do BC de janeiro deste ano.
Brasil supera os vizinhos em 525%
Em relação aos países vizinhos, o Brasil também é campeão em juros altos no cartão, constatou o estudo da FGV e da Proteste. O País ultrapassa o Peru, segundo colocado no ranking, em 525%, e fica ainda mais longe do México, que cobra uma média de 44,8% ao ano. A Argentina tem taxa de 39,16% anual, e a Colombia, 28,31% (veja o gráfico).
Países da zona do euro e Estados Unidos praticam, historicamente, taxas bem inferiores ao Brasil: em torno de 17,9% e 13%, respectivamente.

BRASIL X VIZINHOS

Quanto cobram seis países da América Latina em juros médios ao ano no cartão de crédito (em %):
BC/FGV/Proteste

Sem limite para os juros
Segundo pesquisa da Boa Vista Serviços em dezembro de 2013, o cartão de crédito foi o causador de 25% das restrições de consumidores com problemas de inadimplência, perdendo apenas de carnês e boletos, com 31%.
Não existe regulamentação nem lei que limite os juros cobrados no rotativo do cartão no Brasil, reforça a coordenadora da Proteste, Maria Inês Dolci. As taxas podem oscilar a qualquer momento, como a cada nova elevação da Selic ou conforme as regras do mercado.
Com isso, os juros do cartão não são fixos, nem podem ser congelados no momento do contrato. Na prática, eles podem subir a cada fatura, sem aviso prévio. “A administradora do cartão é obrigada a informar na fatura qual será a taxa referente àquele mês”, esclarece a advogada Denise.
Se o consumidor se sentir prejudicado por razão das taxas, pode tentar negociar um desconto com o banco. Mas é preciso atentar a "propostas padrão" que os bancos costumam empurrar ao cliente, alerta Maria Inês.
“O consumidor deve avaliar se a proposta se adequa ao seu perfil e possibilidades financeiras. Se não for uma boa proposta, melhor não aceitar”, orienta.
De olho na anuidade do cartão
Pode-se solicitar a negociação não só dos juros, mas da anuidade do cartão, que muitas vezes é alta e pesa nas parcelas. No Itaú, por exemplo, elas variavam de R$ 48 a R$ 690 no ano passado, a depender do tipo de cartão.
Se a negociação com o banco fracassar, o plano B é procurar órgãos de defesa do consumidor, como o Procon.
Também é necessário prestar atenção no chamado custo efetivo total (CET), estipulado pelo Banco Central. As operadoras são obrigadas a informar na fatura o custo total da dívida, que vai bem além dos juros do rotativo.
Custo efetivo total não pode ser ignorado
O CET incluiu todos os encargos e taxas embutidos na operação de crédito, como cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em transações internacionais, encargos e anuidade, além de outras possíveis cobranças.
A soma de todos estes itens deve compor o verdadeiro custo da dívida, completa Maria Inês. O ideal é verificar o quanto será cobrado de CET antes de contratar o cartão, comparando as condições oferecidas junto às instituições.
Vale lembrar que o cliente só entra no rotativo se deixar de pagar o valor total da fatura. É possível desembolsar apenas 20% do valor devido, o chamado "pagamento mínimo", e o resto pode ser financiado.
Na visão de Denise, entrar em dívida com o cartão é a pior forma de contrair um empréstimo. “Deve ser a última opção do consumidor se ele precisar de dinheiro”, acredita.
A recomendação da especialista é procurar linhas de crédito mais baratas, como o empréstimo consignado, que tem limite de 2,14% ao mês e é descontado da folha de pagamento.

Juros sobem a 10% ao ano e BC deixa de falar na inflação de 2014; taxas de um dígito tiveram ganho abaixo do esperado

Depois de 20 meses, os juros brasileiros, os mais altos entre as principais economias do mundo, voltam ao patamar de dois dígitos.
Por decisão do Banco Central, a taxa Selic, que serve de referência para o rendimento das aplicações financeiras e o custo dos empréstimos bancários, foi elevada de 9,5% para 10% ao ano.
O Comitê de Política Monetária abriu a possibilidade de moderar a alta dos juros daqui para a frente, ao excluir do texto do comunicado da medida a preocupação com a inflação do próximo ano.
“Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic”, disse o documento, na tradicional linguagem cifrada do BC.
Sumiu da mensagem uma afirmação repetida nos quatro comunicados anteriores de aumentos de 0,5 ponto percentual: “O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.
Interpretação de texto à parte, o novo patamar da taxa tem o significado político de prenunciar o fim de um dos principais trunfos do governo Dilma Rousseff.

Sob a administração da presidente, a Selic atingiu seu menor percentual desde que foi criada em 1986 —os 7,25% anuais que vigoraram de outubro do ano passado a abril deste ano.
Promovida na tentativa de reanimar o consumo e o investimento, a queda da taxa foi apresentada como um feito da nova orientação da política econômica, mais próxima das teses desenvolvimentistas da esquerda nacional.
Os juros reais, ou seja, acima da inflação, chegaram a cair abaixo dos 2% anuais, uma meta fixada extra-oficialmente no início do mandato de Dilma.
O afrouxamento monetário, no entanto, não obteve a ambicionada aceleração do crescimento da economia —e, enquanto o Produto Interno Bruto continuou em expansão lenta, a inflação subiu mais rapidamente.
O IPCA, índice que serve de referência para a política do BC, chegou aos 6,59% nos 12 meses encerrados em março, acima do teto fixado na legislação, de 2 pontos percentuais acima da meta de 4,5%.
Agora, as projeções centrais dos analistas de mercado são de uma inflação de 5,8% neste ano e 5,9% em 2014, ainda longe da meta mas dentro do que o governo considera como tolerável.
Os ganhos para as contas públicas também ficaram muito abaixo do esperado pela equipe econômica de Dilma. Mesmo quando a Selic estava no piso histórico, as despesas do governo com sua dívida continuaram altas.
Os gastos com juros caíram ao equivalente a 4,8% do Produto Interno Bruto, não muito abaixo dos 5,2% do último ano do governo Lula, encerrado com Selic de 10,75%.
É que a administração petista criou novos custos financeiros ao se endividar no mercado para injetar dinheiro nos bancos públicos e elevar a oferta de crédito.
Dilma corre o risco de encerrar seu mandato com uma taxa superior à herdada do antecessor. A projeção mais consensual para 2014 ainda é uma taxa de 10,5%, mas os analistas com maior taxa de acerto nas pesquisas do BC já trabalham com 11% —uma taxa real na casa dos 5%.
Isso significa que os gastos com a dívida e o deficit nas contas do governo também tendem a ser maiores que os de 2010.

Confira a rentabilidade dos principais fundos de investimentos

FUNDO REFERENCIADO DI
Os fundos referenciados identificam em seu nome o indicador de desempenho que sua carteira tem por objetivo acompanhar.
Para tal, investem no mínimo 80% em títulos públicos federais ou em títulos de renda fixa privados (de empresas) classificados na categoria "baixo risco de crédito".
Além disso, no mínimo 95% de sua carteira é composta por ativos que acompanhem a variação do seu indicador de desempenho, o chamado "benchmark". Usam instrumentos de derivativos (contratos que derivam de outros ativos e têm vencimento futuro) com o objetivo de proteção (chamada de "hedge").
Os fundos referenciados mais conhecidos são os DI. São fundos que buscam acompanhar a variação diária das taxas de juros (Selic/CDI) e se beneficiam de um cenário de alta de juros.
FUNDO RENDA FIXA
Os fundos Renda Fixa Aplicam pelo menos 80% dos recursos em títulos de renda fixa prefixados (que rendem uma taxa de juro previamente estabelecida) ou pós-fixados (que acompanham a variação da taxa de juro ou um índice de preço). Além disso, usam instrumentos de derivativos (contratos que derivam de outros ativos e têm vencimento futuro) com o objetivo de proteção (chamada de "hedge").
FUNDO DE AÇÕES
Os fundos de ações investem no mínimo 67% de seu patrimônio em ações negociadas na Bolsa. Dessa forma, estão sujeitos às oscilações de preços das ações que compõem sua carteira. Alguns fundos dessa categoria têm como objetivo acompanhar a variação de um índice do mercado acionário, como o Ibovespa (principal índice da BM&FBovespa, a Bolsa brasileira) ou o IBX (Índice Brasil, que reúne as 100 ações mais negociadas na Bolsa do país --veja IBOVESPA e IBX em glossário neste site). Os fundos de ações são mais indicados a quem tem objetivos de investimento de longo prazo, pois haverá tempo para que eventuais perdas com as oscilações dos preços das ações da Bolsa sejam recompostas.
MULTIMERCADOS
Os fundos multimercados mesclam investimentos em diversos ativos, como câmbio, ações, derivativos (contratos que derivam de outros ativos e têm vencimento futuro) e renda fixa. Por isso, esses fundos envolvem diferentes fatores de risco, que precisam ser avaliados antes de o aplicador decidir por esse tipo investimento. São fundos com alta flexibilidade de gestão, por isso dependem do talento do gestor na escolha do melhor momento de alocar os recursos, na seleção dos ativos da carteira e no percentual do patrimônio que será investido em cada um dos mercados.
FUNDO CAMBIAL
Os fundos cambiais devem manter pelo menos 80% do patrimônio investido em ativos que sejam relacionados, diretamente ou indiretamente (via derivativos), à variação de preços de uma moeda estrangeira, ou a uma taxa de juro (o chamado de cupom cambial). Nesta categoria, os fundos mais conhecidos são os chamados fundos cambiais dólar, que têm o objetivo de seguir a variação da cotação da moeda americana. Mas vale destacar que esses fundos não refletem exatamente a cotação do dólar, pois, esses investimentos (como todos os fundos) envolvem custos, como taxa de administração e Imposto de Renda.

Alta de Selic torna poupança mais atrativa para 96% dos aplicadores

 

Caderneta também supera a última projeção do BC para o IPCA deste ano, de 5,8%

Taís Laporta – iG São Paulo

 

Com o aumento da taxa Selic para 9% nesta quarta-feira (28), a caderneta de poupança ainda bate a maior parte dos fundos de renda fixa com taxa de administração acima de 0,5% ao mês, além de superar a última projeção da inflação calculada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para 2013, de 5,8%.

Thinkstock/Getty Images

A caderneta só é menos atrativa para quem tem mais de R$ 25 mil aplicados – apenas 4% de seus investidores

A nova alta dos juros faz a poupança render conforme a regra antiga: 6,17% ao ano, mais taxa referencial (TR). Com a Selic até 8,5%, ela rendia 70% da taxa básica mais TR. Com captação recorde de R$ 37,6 bilhões em 2013, a caderneta só é menos atrativa para quem tem mais de R$ 25 mil aplicados – apenas 4% de seus investidores, segundo o último boletim do Banco Central.

Os outros 96% dos investidores dificilmente conseguiriam taxas atrativas que superassem o rendimento da poupança – é preciso levar em conta também que, em grande parte dos fundos, é cobrado Imposto de Renda.

Aplicações atreladas ao CDI

A alta da Selic será mais sentida nas aplicações atreladas ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que acompanha a taxa de juros, na visão do professor de finanças do Insper, Michael Viriato. Entre elas, estão os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), algumas debêntures, letras hipotecárias e LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), isentas do Imposto de Renda. “Para saber se elas renderão mais que a poupança, é preciso descontar as taxas e o IR”, explica.

Atrelados ao CDI, os fundos DI seriam um dos investimentos mais beneficiados pela alta dos juros. Mas a taxa de administração acima de 1% cobrada em todas as aplicações com menos de R$ 25 mil torna a poupança mais vantajosa.

COMPARATIVO

Rendimento bruto das aplicações – sem considerar taxas e impostos – e alta da inflação acumulados nos seis primeiros meses do ano (em %)

Banco Central e Reuters

Segundo dados de junho de 2013 da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), os fundos só ficam atrativos para quem tem mais de R$ 50 mil para desembolsar – pois a taxa cai para 0,88%. Mas 48% do patrimônio líquido destes fundos é composto por aplicações abaixo deste valor.

Enquanto isso, o aplicador de baixa renda – aquele que investe até R$ 1 mil – pagaria uma taxa astronômicapara investir em fundos DI: em torno de 3,27% . Como mais da metade (52,7%) dos aplicadores da poupança possuem apenas R$ 100 aplicados, a caderneta ainda é a alternativa mais viável para eles.

Redução das taxas

Quando as aplicações perdem da poupança, os bancos tendem a reduzir as taxas para tentar atrair mais clientes para suas carteiras, explica o diretor executivo de estudos econômicos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel Ribeiro de Oliveira. “Quando as aplicações perdem da poupança, os bancos são obrigados a reduzir o valor mínimo do investimento e a flexibilizar as cobranças”.

Algumas aplicações passaram a aceitam aporte inicial de R$ 100, quando antes o valor mínimo era de R$ 5 mil. As taxas de administração, que há alguns anos atingiram o pico de 6% ao ano, hoje acompanham uma margem média entre 1,5% e 3%, segundo Oliveira.

Simulação

Pelas regras da poupança antiga – que voltam a vigorar –, uma aplicação de R$ 10 mil renderia R$ 668,00 (ou 6,68% ao ano) em 12 meses, segundo uma simulação da Anefac. Já um fundo de investimento com taxa de administração de 1% ao ano acumularia R$ 655 (6,55% ao ano) no mesmo período, ou R$ 13 a menos. O rendimento desse fundo só bateria a poupança se tivesse taxa de administração de 0,5% ao mês. Nesse caso, geraria R$ 693 em 12 meses.

http://economia.ig.com.br/financas/investimentos/2013-08-28/para-96-dos-aplicadores-poupanca-supera-fundos-com-selic-a-9.html

Governo brasileiro reduz projeção de crescimento do PIB a 2,5% em 2013

 

Expectativa oficial agora está alinhada com estimativa de economistas no Boletim Focus

Reuters

O governo brasileiro reduziu sua previsão de crescimento da economia para este ano, numa visão mais pessimista da capacidade de reação da atividade econômica.

A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu para 2,5%, ante 3% previsto em julho, de acordo com Relatório de Receitas e Despesas referente ao quarto bimestre divulgado nesta sexta-feira (20) pelo Ministério do Planejamento.

-Veja também: PIB de São Paulo sobe 0,2% em julho, segundo Seade

A projeção do governo está agora em linha com a estimativa de economistas ouvidos pelo Banco Central para o relatório Focus, de crescimento de 2,4% este ano.

Thinkstock/Getty Images

O governo manteve, contudo, as previsões para a inflação em 5,7% e para a taxa Selic média do ano, a 8,20%

O governo manteve, contudo, as previsões para a inflação em 5,7%; para a taxa Selic média do ano, a 8,20%; e para uma taxa de câmbio média de R$ 2,09 por dólar.

O governo elevou em R$ 4,1 bilhões a previsão para a receita total, em um acréscimo sustentado pelo aumento na projeção para receitas não administradas, que não foram detalhadas no documento. Por outro lado, foram mantidas as receitas previstas com concessões e dividendos de empresas estatais federais.

Do lado das despesas, o documento prevê acréscimo de R$ 4,744 bilhões nos gastos públicos, por conta da estimativa de gasto de R$ 1,968 bilhão com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que está cobrindo a redução da conta de luz; de gastos adicionais de R$ 1,5 bilhão com abono e seguro desemprego; e aumento de R$ 1 bilhão das despesas com subsídios.

http://economia.ig.com.br/2013-09-20/governo-brasileiro-reduz-projecao-de-crescimento-do-pib-a-25-em-2013.html

Existe perigo de bolha imobiliária no Brasil?

Economista americano faz alerta após preços em SP e RJ dobrarem em cinco anos; brasileiros dizem, porém, que situação é diferente da dos EUA pré-crise de 2008


O aquecimento do mercado imobiliário em cidades como São Paulo e Rio, com aumento nos preços e na oferta de imóveis, levanta preocupações de que exista uma eventual "bolha imobiliária" em cidades brasileiras.
É possível que haja uma sobrevalorização nos preços, que poderiam cair repentinamente se a eventual bolha "estourar"?


Thinkstock/Getty Images
Preços dobraram em cinco anos, mas analistas dizem que situação brasileira é diferente da americana

Autoridades e especialistas brasileiros descartam a hipótese, mas um economista americano que previu a bolha imobiliária dos Estados Unidos acha preocupante o fato de os preços dos imóveis terem dobrado nos últimos cinco anos nas maiores cidades brasileiras.
E, nos últimos 12 meses, o aumento dos preços do metro quadrado em 16 capitais foi de em média 12,3%, segundo o índice da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgado nesta quarta-feira. Em Curitiba, esse aumento chegou a 26,8%; em São Paulo e Rio, 13,7% e 15,3%, respectivamente.
Dados do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) apontam que o número de novas unidades de imóveis cresceu 46% e as vendas subiram 63% neste primeiro semestre no Estado.
"Não é possível saber com certeza, mas suspeito que exista uma bolha imobiliária nas maiores cidades do Brasil", disse o economista Robert Shiller, professor da Universidade de Yale (Estados Unidos) e que previu a bolha imobiliária dos EUA. Ele esteve em Campos do Jordão (SP) neste final de semana para um congresso da BM&FBovespa.
"O fato de os preços terem dobrado nos últimos cinco anos não soa bem. Se os preços caírem, isso pode criar problemas", afirmou Shiller, fazendo a ressalva de que não conhece a fundo a realidade brasileira.
Ele alega que, nos Estados Unidos, a possibilidade de um imóvel perder valor era vista como inimaginável – e, no entanto, foi isso o que aconteceu com a crise de 2008, fazendo com que muitos proprietários vissem seu patrimônio se depreciar. Em muitos casos, hipotecas passaram a superar o valor dos imóveis.
Brasil diferente
O caso do Brasil, no entanto, é diferente dos EUA, argumenta Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo).
"Em conversas com Banco Central, Caixa Econômica Federal e Abecip (Associação Brasileira de Crédito Imobiliário), descartamos completamente a hipótese de uma bolha aqui", diz Petrucci à BBC Brasil, alegando que o aumento de preços acompanhou o crescimento econômico do país e, no momento, reflete os custos mais altos de terreno e de mão de obra e matéria-prima.
"O que está acontecendo está dentro da normalidade. Nos EUA, mais do que uma crise imobiliária, houve uma crise de papéis (em referência à comercialização, no mercado financeiro, de títulos de hipotecas que se revelaram 'podres', gerando a crise do subprime). Aqui, a geração de emprego e renda continua positiva, o financiamento segue abundante e barato e temos uma população economicamente ativa grande (apta a comprar imóveis)."
Segundo ele, as taxas de financiamento imobiliário não superam os 10,5% ao ano – pouco acima da atual taxa básica (Selic), de 9%.
Petrucci argumenta que o sistema de crédito imobiliário ainda tem "saúde" no Brasil, que o estoque de imóveis não vendidos está equilibrado (uma redução desse estoque levou a aumentos nos preços em 2010) e que os preços não devem subir mais aos níveis de 2009 e 2011.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco declarou, também no congresso da BM&FBovespa, que é preciso "ficar de olho" nos preços dos imóveis, mas que não vê perigos imediatos de uma bolha imobiliária, porque a demanda por imóveis se mantém consistente no país.
Comportamento anormal
Eduardo Zylberstajn, economista da Fipe e coordenador do índice que mede os preços dos imóveis, admite que existe uma preocupação com os preços.
"Não é normal que os preços dobrem (em tão pouco tempo). É algo que precisa ser estudado e debatido", diz à BBC Brasil.
"Mas tampouco era normal a situação que vivemos nos anos 1980 e 1990, quando a hiperinflação corroeu ativos e inibiu o crédito", agrega. Ou seja, seguindo esse raciocínio, o boom imobiliário é decorrência de uma demanda reprimida por crédito e por moradia.
"Minha impressão é de que os preços estão muito ligados ao desempenho do mercado de trabalho, que esteve muito aquecido, mas dá sinais de mudanças de rumo – com salários (crescendo em ritmo) mais moderado", completa o economista. "Isso deve afetar a demanda por imóveis."
Ele cita o caso do Rio, onde a Fipe chegou a observar aumentos de preços de 50% em curto período de tempo. Esse aumento baixou agora para a casa dos 15%, com leve tendência de queda.

Banco Central aumenta juro básico, a taxa Selic, para 9% ao ano

     O Banco Central (BC) subiu nesta quarta-feira (28) o juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, em 0,50 ponto percentual, para 9% ao ano. É a quarta alta seguida da taxa.

     A decisão foi unânime e o aumento confirmou a principal aposta dos economistas, baseada no atual cenário de pressão inflacionária, agravado pelo aumento recente do dólar em relação ao real. A moeda americana valorizada encarece, em reais, produtos importados, como matérias-primas.

A elevação dos juros é um instrumento usado pelo governo para conter o consumo, uma vez que o crédito (tanto empréstimos em instituições financeiras quanto parcelamentos em lojas, por exemplo) fica mais caro. E, com menos demanda, a inflação tende a ceder.

PERSPECTIVAS

"O dólar deve continuar subindo até o final do ano, e pressionando a inflação no Brasil", diz Paulo Gala, estrategista da Fator Corretora. "Por causa disso, o BC deve aumentar ainda mais a Selic para manter a inflação sobre controle em 2014", acrescenta.

Outro fator que deve motivar a política monetária mais firme do BC até o final do ano, segundo Gala, é a menor safra de grãos nos Estados Unidos, prejudicada pelo mal tempo, que deve pressionar os preços de alguns produtos no mercado nacional.

Para Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho, o BC será mais incisivo em seu tom nos comunicados das próximas reuniões do BC, em outubro e novembro.

"A autoridade se descolou recentemente da Fazenda e tem tentado mostrar alguma autonomia [em relação ao governo]. Mesmo assim, as medidas econômicas que estão sendo tomadas não são agressivas. Estão 'empurrando as coisas' até o ano que vem, em que teremos eleições", afirma.

Ambos os especialistas esperam mais um aumento de 0,5% ponto percentual na Selic, na reunião do Copom de outubro, terminando 2013 a 9,5% ao ano.

JUROS ALTOS

Para o consultor financeiro Erasmo Vieira, o consumidor endividado deve priorizar o pagamento das dívidas por causa da elevação dos juros.

"É sempre recomendável que a pessoa antecipe parcelas de financiamentos sempre que possível, desde que isso não comprometa seu orçamento mensal", diz. "Mesmo que o pagamento do empréstimo esteja em dia, esse consumidor não pode esquecer que ele representa uma dívida, estando sujeito a pagar juros maiores", acrescenta.

Considerando as diversas modalidades de crédito, com taxas de juros diferentes, Vieira afirma que o consumidor deve procurar sempre as opções mais baratas. "É essencial evitar as linhas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial", diz


CAROLINA MATOS
ANDERSON FIGO
DE SÃO PAULO
MARIANA SCHREIBER
DE BRASÍLIA

Juros para pessoa física recuam para menor nível desde 1995

 

A taxa de juros média para pessoa física atingiu em fevereiro o menor nível desde 1995, início da série histórica feita pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Em dezembro e janeiro, isso já havia ocorrido.

Bancos elevam valor máximo de consórcio de imóvel a R$ 700 mil
Consórcio não compete com crédito imobiliário, avaliam empresas

A taxa ficou em 6,33% no mês passado, um recuo de 1,09% em relação ao nível registrado em janeiro. Esse valor representa uma taxa de 108,87% ao ano.

Para o coordenador do trabalho e vice-presidente da entidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira, estas reduções podem ser atribuídas a fatores como as medidas que o Banco Central e o Ministério da Fazenda vêm promovendo para incentivar o consumo e evitar que a economia se retrairia diante do cenário externo (crise na Europa).

"Destacamos a última redução da taxa básica de juros (Selic) promovida pelo Banco Central em 18/01/2012 e a queda do IOF nas operações de crédito", diz.

Segundo ele, há ainda "expectativa de novas medidas a serem tomadas para incentivar o consumo como, por exemplo, nova redução do IOF nas operações de crédito".

Das seis linhas de crédito pesquisadas, uma se manteve estável (cartão de crédito rotativo) e as demais foram reduzidas no mês.

PESSOAS JURÍDICAS

As taxas de juros para as empresas também caíram em fevereiro. O índice médio ficou em 3,72% ao mês, ou 55,01% ao ano, no menor patamar desde dezembro de 2009. Das três linhas de crédito pesquisadas uma se manteve estável (desconto de duplicatas) e as outras foram reduzidas no mês.

Veja as taxas para pessoa física:

LINHA DE CRÉDITO
TAXA MÊS

Juros comércio
4,95%

Cartão de crédito
10,69%

Cheque especial
8,33%

CDC - bancos
1,97%

Empréstimo pessoal-bancos
3,81%

Empréstimo pessoal-financeiras
8,24%

Taxa média
6,33%

Fonte: Anefac

Governo quer que BC corte juros para combater crise

 

Segundo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ideia é que corte ajude a estimular a economia

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse há pouco no Congresso que o governo quer que o Banco Central (BC) baixe a taxa de juros, para estimular a economia, como forma de combater a crise.

Ele destacou que "não se pode baixar os juros de forma voluntarista. Mas criar as condições para baixar a Selic é prioritário", afirmou. Em resposta ao senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE), que na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) voltou a se queixar do "juro real elevadíssimo" no país, referindo-se, em particular, ao custo de rolagem da dívida pública.

Mantega disse que o serviço anual da dívida hoje equivale a 6% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 200 bilhões, onde R$ 35 bilhões correspondem ao manejo das reservas internacionais.

O ministro argumentou, então que, se os juros recuarem, será benéfico para a redução do serviço da dívida. Ele fez até uma comparação. "Hoje temos um déficit nominal de 1,9% do PIB. Ou seja, a Selic caindo, se pagarmos menos pelo serviço da dívida, vamos ao déficit zero", disse.

Mantega buscou apoio dos senadores para a criação das condições que possibilitem a queda dos juros pelo BC. Segundo ele, "por sorte há um pacto no país de que não se deve deixar a inflação voltar".

Ele disse que o governo acredita que é hora da política monetária dar sua contribuição contra a crise, porque pode ser estimulante reduzir os juros para incentivar o crescimento da economia, ao invés de voltar a ampliar os subsídios fiscais, como em 2008.

Se há o retorno aos subsídios, o governo arrecada menos e não faz a economia necessária ao pagamento de juros da dívida (superávit primário), ou seja, a divida cresce de novo.

Ao senador Lindberg Farias (PT-RJ), que fez um apelo para que o BC baixe os juros já na próxima reunião da semana que vem, o ministro da Fazenda disse que "a política monetária isolada não resolve. Tem que ser combinada com a política fiscal".

"O juro olha, prioritariamente, para a inflação. E nós temos que zelar para que a inflação não volte", afirmou o ministro.

"Olhando para trás, a inflação está alta. Mas o que interessa é para frente. E está mais baixa. Não creio que haja a pressão das commodities, que houve no ano passado e no retrasado, porque não há condições internacionais para isso", disse o ministro, citando projeções do mercado financeiro, em resposta ao senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

 

http://economia.ig.com.br/mercados/governo+quer+que+bc+corte+juros+para+combater+crise/n1597173457122.html

Copom mantém a taxa Selic em 8,75% ao ano

Brasília, 17 de março de 2010

Banco Central do Brasil
Assessoria de Imprensa
(61) 3414-3462
imprensa@bcb.gov.br

Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 8,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e três votos pela elevação da taxa Selic em 0,5 p.p. O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.

Queda da Selic pode levar bancos a emprestar mais para manter lucratividade

A redução da taxa básica de juros (Selic) de 9,25% para 8,75% ao ano, anunciada pelo Banco Central na última quarta-feira (22), pode provocar um efeito indireto nas operações de crédito ao consumidor, aumentando o volume de empréstimos bancários.
A análise é da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) e se baseia na expectativa de que a queda contínua dos juros reduza a rentabilidade de investimentos dos bancos com títulos públicos, corrigidos em parte pela Selic, o que levaria as instituições a emprestar mais para manter a lucratividade. Isso, segundo a Anefac, elevará a competição no setor, com redução no custo das operações de crédito ao consumidor final.
Comparativamente, pode-se verificar, segundo dados da Anefac, que os juros no comércio continuam extremamente altos, com queda média de 102,59% para 101,68% ao ano, embora a taxa Selic tenha caído de 9,25% para 8,75% ao ano. Em média, os juros cobrados da pessoa física estão em 131,87% ao ano.
Só para se ter uma ideia, com as atuais taxas, o cidadão que compra uma geladeira à vista por R$ 1.500,00, se for financiar em 12 vezes sem entrada, com a taxa de 101,68% ao ano ou 6,02% ao mês, vai pagar R$ 179,11 por mês, com gasto final de R$ 2.149,32.
O vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, lembra que, até março deste ano, os bancos ainda estavam aumentando as taxas, restringindo o crédito e continuavam sendo mais seletivos na concessão de crédito, com prazos menores.
Porém, a melhora do cenário no país e no exterior trouxe de volta o crédito. Entre outras medidas adotadas pelo Banco Central para impulsioná-lo, está a liberação do depósito compulsório, que é o recolhimento obrigatório que os bancos fazem ao BC sobre o total de depósitos à vista. Além disso, os bancos públicos reduziram as taxas, o que aumentou a oferta de crédito ao consumidor.
“Então, o pior da crise ficou para trás e se reflete nas ações dos próprios bancos, que voltaram a ampliar mais a oferta e as condições do crédito. Tivemos a volta das condições do crédito que havia antes, com os bancos ampliando os prazos e reduzindo taxas de juros. Os bancos não sendo tão seletivos e voltaram a assediar os clientes”, disse o vice-presidente da Anefac.
Oliveira admite que o fato de a taxa de juros para o consumidor final não ter acompanhado na mesma velocidade a Selic continua sendo um problema, embora um pouco menor do que durante a crise. De acordo com ele, embora o Banco Central tenha começado a reduzir a Selic a partir de janeiro, com quedas consecutivas, o problema ocorreu por causa do aumento da inadimplência, já que o risco subiu.
“Em um ambiente desses, no qual se esperava um dos piores dos mundos pela frente, os bancos começaram a retardar essas quedas, esses repasses das taxas ao consumidor. Então, puseram o pé no freio. O que aconteceu é que as taxas de juros estavam em processo mais veloz do que as taxas de juros aos consumidores”, afirmou.
Ele observa que, a partir de junho, houve uma menor preocupação com o calote. Tanto que no último relatório do Banco Central a inadimplência deu um pequeno recuo. Oliveira espera que os bancos comecem a repassar a queda da Selic para os consumidores.
“A gente está esperando que, daqui para frente, as taxas ao consumidor possam cair por conta desse conjunto de fatores. Até numa velocidade maior do que a queda da Selic, por causa de um competição maior que se inicia no sistema financeiro. É a nossa expectativa”.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/07/25/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=120178/em_noticia_interna.shtml

Queda da Selic pode levar bancos a emprestar mais para manter lucratividade

A redução da taxa básica de juros (Selic) de 9,25% para 8,75% ao ano, anunciada pelo Banco Central na última quarta-feira (22), pode provocar um efeito indireto nas operações de crédito ao consumidor, aumentando o volume de empréstimos bancários.

A análise é da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) e se baseia na expectativa de que a queda contínua dos juros reduza a rentabilidade de investimentos dos bancos com títulos públicos, corrigidos em parte pela Selic, o que levaria as instituições a emprestar mais para manter a lucratividade. Isso, segundo a Anefac, elevará a competição no setor, com redução no custo das operações de crédito ao consumidor final.

Comparativamente, pode-se verificar, segundo dados da Anefac, que os juros no comércio continuam extremamente altos, com queda média de 102,59% para 101,68% ao ano, embora a taxa Selic tenha caído de 9,25% para 8,75% ao ano. Em média, os juros cobrados da pessoa física estão em 131,87% ao ano.

Só para se ter uma ideia, com as atuais taxas, o cidadão que compra uma geladeira à vista por R$ 1.500,00, se for financiar em 12 vezes sem entrada, com a taxa de 101,68% ao ano ou 6,02% ao mês, vai pagar R$ 179,11 por mês, com gasto final de R$ 2.149,32.

O vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, lembra que, até março deste ano, os bancos ainda estavam aumentando as taxas, restringindo o crédito e continuavam sendo mais seletivos na concessão de crédito, com prazos menores.

Porém, a melhora do cenário no país e no exterior trouxe de volta o crédito. Entre outras medidas adotadas pelo Banco Central para impulsioná-lo, está a liberação do depósito compulsório, que é o recolhimento obrigatório que os bancos fazem ao BC sobre o total de depósitos à vista. Além disso, os bancos públicos reduziram as taxas, o que aumentou a oferta de crédito ao consumidor.

“Então, o pior da crise ficou para trás e se reflete nas ações dos próprios bancos, que voltaram a ampliar mais a oferta e as condições do crédito. Tivemos a volta das condições do crédito que havia antes, com os bancos ampliando os prazos e reduzindo taxas de juros. Os bancos não sendo tão seletivos e voltaram a assediar os clientes”, disse o vice-presidente da Anefac.

Oliveira admite que o fato de a taxa de juros para o consumidor final não ter acompanhado na mesma velocidade a Selic continua sendo um problema, embora um pouco menor do que durante a crise. De acordo com ele, embora o Banco Central tenha começado a reduzir a Selic a partir de janeiro, com quedas consecutivas, o problema ocorreu por causa do aumento da inadimplência, já que o risco subiu.

“Em um ambiente desses, no qual se esperava um dos piores dos mundos pela frente, os bancos começaram a retardar essas quedas, esses repasses das taxas ao consumidor. Então, puseram o pé no freio. O que aconteceu é que as taxas de juros estavam em processo mais veloz do que as taxas de juros aos consumidores”, afirmou.

Ele observa que, a partir de junho, houve uma menor preocupação com o calote. Tanto que no último relatório do Banco Central a inadimplência deu um pequeno recuo. Oliveira espera que os bancos comecem a repassar a queda da Selic para os consumidores.

“A gente está esperando que, daqui para frente, as taxas ao consumidor possam cair por conta desse conjunto de fatores. Até numa velocidade maior do que a queda da Selic, por causa de um competição maior que se inicia no sistema financeiro. É a nossa expectativa”.

Bancos devem reformular fundos de investimentos até o fim do ano

As instituições financeiras devem reformular e lançar novos fundos de investimentos até o final do ano, com redução de taxas de administração e do valor inicial de aplicação, além de simplificação para facilitar os investimentos. Isso porque, com a queda da taxa básica de juros, a Selic - atualmente em 9,25% ao ano -, a aplicação em poupança, a depender da situação, pode oferecer mais vantagens do que nos fundos, segundo o consultor em finanças e professor da da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) Marcos Crivelaro.
Isso ocorre porque a Selic remunera títulos públicos que compõem fundos de investimentos. Hoje, a caderneta de poupança rende Taxa Referencial mais 0,5% mensal. Em maio, para evitar a migração de recursos dos fundos para a poupança, o que afeta a demanda por títulos do públicos, o governo anunciou que pretende tributar aplicações na caderneta de poupança acima de R$ 50 mil a partir de 2010, mas a proposta ainda precisa de aprovação do Congresso Nacional.
Outro fator que afeta os rendimentos dos fundos, além da cobrança de imposto de renda, são as taxas de administração cobradas pelas instituições financeiras. No caso da poupança, não há cobrança de taxa de administração.
Segundo Crivelaro, antes das reduções da Selic, as taxas de administração variavam de 1% a 6%. Com esse novo cenário, fundos com taxas de 3% a 4% já estão perdendo clientes. "Atualmente, os bancos cobram, em geral, no máximo entre 1,5% e 2%", afirmou o professor. Ele explicou que os fundos com taxas de administração maiores ficam menos competitivos porque a cobrança pode cobrir o rendimento.
"Essa concorrência entre fundos está na praça", afirmou Crivelaro. Segundo ele, pode ser uma boa opção esperar pelas mudanças. Ele acrescentou que também é uma boa ideia diversificar as aplicações em fundos de investimentos tradicionais (renda fixa e DI), em multimercados e ações seguras de estatais que estão em boa situação, mesmo numa economia em baixa.
Ele afirmou, entretanto, que para quem é conservador e tem menos de R$ 20 mil para aplicar, sem dúvida a melhor opção é a poupança. "Um dos grandes atrativos da poupança é que é de fácil entendimento. Têm muitos fundos que são complexos, têm datas específicas para aplicação, os clientes são obrigados a deixar o dinheiro amarrado, preso, ou pagam multa para tirar antes do prazo", explicou. Segundo ele, é preciso cuidado com a aplicação de todos os recursos em fundos que exigem a permanência por um ano, por exemplo. Nesse caso, é bom deixar parte do dinheiro em uma aplicação que seja fácil de retirar caso haja necessidade.
Crivelaro afirmou ainda que o cliente que quiser aplicar em fundos de diferentes bancos, para conseguir na média rendimentos maiores, não precisa necessariamente abrir contas correntes em vários bancos. "Às vezes aquela pequena vantagem que conseguiu é comida por conta de gastos de manutenção de conta corrente".
As mudanças nos fundos de investimentos oferecidos pelos bancos começaram em janeiro e devem continuar. Segundo o HSBC, desde janeiro deste ano, a instituição vem reduzindo o valor mínimo de aplicação inicial de fundos de investimentos. São 12 fundos referenciados DI, Renda Fixa e Multimercado. Em junho, foi a vez do Bradesco, que anunciou a redução do valor mínimo de aplicação inicial de mais de 30 fundos de investimentos. A medida contemplou fundos DI, Renda Fixa, Ações e de Multimercado. Segundo os bancos, com a redução na aplicação mínima, as taxas tornam-se mais competitivas.
Na próxima terça-feira (7), a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) apresentará balanço dos fundos no primeiro semestre deste ano. Na página da associação, há mais informações sobre os vários tipos de fundos de investimento.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/07/04/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=117425/em_noticia_interna.shtml

Juro médio da pessoa física cai para 7,28% ao mês

A redução dos juros para as pessoas física e jurídica em maio foi tímida, diante da queda de um ponto porcentual em abril da taxa básica, a Selic, hoje em 9,25%. A conclusão é de pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com dados colhidos junto às instituições financeiras. O empréstimo para pessoa física teve em média no mês passado redução de 0,05 ponto porcentual na taxa de juros ante abril, caindo de 7,33% para 7 28% ao mês (132,39% ao ano).
A retração da taxa média para pessoa jurídica foi de 0,06 ponto porcentual no mesmo período de comparação - de 4,21% para 4,15% ao mês (62,90% ao ano). As taxas médias gerais para pessoas física e jurídica em maio chegaram ao menor nível desde abril de 2008, quando estavam em 7,26% e 4,13% ao mês, respectivamente.
Com exceção da taxa de juros do cartão de crédito de pessoa física, que ficou inalterada (10,68%), as demais taxas de juros sofreram cortes em maio. A redução para operações de cheque especial foi de 0,07 ponto porcentual (de 7,66% para 7,59% ao mês); para empréstimo pessoal, ficou em 0,03 ponto porcentual (de 5,39% para 5,36% ao mês): e para empréstimo financeiro, foi de 0,05 ponto porcentual (de 11,24% para 11,19% ao mês).
A pesquisa da Anefac aponta que, desde dezembro, a taxa de juros média para pessoa física apresentou redução de 5,52 pontos porcentuais, passando de 137,91% para 132,39% ao ano em maio. Nas operações de crédito para pessoa jurídica houve uma redução de 3,79 pontos porcentuais, passando de 66,69% para 62,90% ao ano em maio.
Perspectiva

Os economistas da Anefac apontam que os desdobramentos da crise financeira mundial não causam mais sobressaltos em relação aos juros. O retorno às condições de crédito anteriores ao agravamento da crise mundial, em setembro de 2008, indica a continuidade da tendência de queda das taxas no segundo semestre. "De agora em diante deveremos ter reduções das taxas de juros tanto para produção (pessoa jurídica) como para consumo (pessoa física) em patamares superiores às quedas da Selic", antecipam.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/06/18/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=115175/em_noticia_interna.shtml

Governo não desistiu de taxar a poupança

O secretário extraordinário de reformas econômico-fiscais, Bernard Appy, afirmou que, mesmo com a queda da taxa Selic para um dígito (9,25% ao ano), ainda não há migração das aplicações em fundos de investimento para a caderneta de poupança. "Não está tendo migração. O pessoal dos fundos de investimento até o momento está tranquilo", disse. Ele afirmou que o governo continua monitorando e, havendo necessidade, os fundos terão desoneração tributária para ganharem competitividade. "O governo está monitorando. Se houver necessidade, o governo vai tomar medidas", afirmou.
Appy informou também que o governo não desistiu de taxar os rendimentos da poupança nas aplicações acima de R$ 50 mil, a partir de 2010. Segundo ele, o momento de encaminhar o projeto de lei ao Congresso é uma decisão política. O secretário disse que o governo continua trabalhando com o cenário divulgado em maio durante o anúncio da medida. "O modelo que a gente propôs para a poupança cria condições para baixar os juros (Selic) até 7% sem gerar grandes distorções no sistema financeiro. Abaixo de 7%, a gente precisa pensar em outro modelo", explicou.
Para o secretário, não é apenas o rendimento que pesa na decisão do investidor ao escolher a modalidade de aplicação. "Tem outras questões. Os fundos têm a conveniência de sacar qualquer dia, que a rentabilidade é preservada. Na poupança, se o saque ocorre um dia antes do aniversário, perde todo o rendimento do mês", destacou. "Tem que pesar os pós e os contras".
Appy acredita que neste momento não há uma diferença brutal na rentabilidade entre os fundos de investimento e a poupança. "Com juros muito mais baixos, esta diferença pode ficar mais importante". O secretário disse que os fundos de investimento com taxas de administração acima de 2% já tinham perdido competitividade antes. "Não tem mais quase dinheiro nesses fundos, já não tinham. Não faz sentido nenhum ter investimento com taxas muito altas com juros baixos", argumentou.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/06/18/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=115216/em_noticia_interna.shtml

Demanda mais fraca cria ociosidade na produção

A ata da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, avalia que o desaquecimento da demanda criou "importante margem de ociosidade dos fatores de produção". Essa avaliação é uma das explicações para a decisão que surpreendeu o mercado financeiro, de corte de 1 ponto porcentual (pp) na taxa básica de juros, a Selic, na semana passada, ante expectativa de redução de 0,75 pp. Segundo o documento, o aperto das condições financeiras, a queda da confiança e a contração da economia global explicam a redução da demanda.
Os diretores da autoridade monetária entendem que essa ociosidade na produção "não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica". "Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias", cita a ata.
O trecho aproveita para reafirmar que a flexibilização da Selic, realizada desde janeiro deste ano - período em que o juro básico foi reduzido em 4,5 pp - terá "efeitos cumulativos, que serão evidenciados após certa defasagem temporal, sobre a economia".

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/06/18/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=115115/em_noticia_interna.shtml

BC recomenda cautela, mas vê "margem residual" para corte de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) considera que qualquer redução da taxa básica de juros, Selic, adicional ao que já ocorreu neste ano deverá ser feita de maneira “parcimoniosa”. A informação consta da ata da última reunião do comitê, divulgada nesta quinta-feira pelo BC.
"A despeito de haver margem residual para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas", informa o documento.
Neste ano, os juros básicos foram reduzidos em 1 ponto percentual, em janeiro, mais 1,5 ponto percentual, em março, novamente 1 ponto percentual, em abril, e por fim mais 1 ponto percentual na reunião do Copom realizada neste mês. Atualmente a Selic está em 9,25% ao ano e ficou pela primeira vez em um dígito. A decisão de reduzir a taxa não foi unânime. Seis diretores sugeriram a redução de 1 ponto percentual e dois votaram pelo corte de 0,75 ponto percentual.
Segundo a ata, o comitê avalia que as decisões sobre a taxa básica "têm que levar em conta a magnitude do movimento total realizado desde janeiro, cujos impactos sobre diversos indicadores econômicos ficarão evidentes ao longo do tempo". “Sendo assim, alguns diretores consideraram que seria apropriado, nestas circunstâncias, reduzir imediatamente o ritmo de flexibilização monetária, implementando de forma mais suave a parte remanescente do processo de ajuste”. Mas a maioria optou por manter o ritmo de cortes da Selic em 1 ponto percentual.
O Copom ressaltou, por outro lado, que houve “convergência” dos membros do comitê quanto a expectativas de mais cortes de juros, o que depende de projeções e da trajetória da inflação. “O Copom entende, também, que a preservação de perspectivas inflacionárias benignas irá requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia em um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo”.
A ata lembra que as perspectivas de inflação para 2009 e 2010 estão abaixo do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 4,5%. A meta tem margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/06/18/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=115125/em_noticia_interna.shtml

PIB será positivo, porém "muito fraco", diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 deve registrar resultado positivo, "mas será muito fraco". O ministro fez a afirmação durante a cerimônia do Destaque Agência Estado Empresas. Mantega afirmou que a economia está em processo de recuperação, que foi possibilitada basicamente por medidas de política monetária e fiscal anticíclicas, como, por exemplo, a redução da taxa básica de juros (Selic), que está em 9,25% ao ano, liberação de R$ 100 bilhões de depósitos compulsórios para bancos e redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de veículos e produtos da linha branca. "Em 2010, devemos crescer ao redor de 4%. Analistas apontam que a expansão será de, pelo menos, 3,5% no próximo ano", afirmou, ressaltando que, portanto, a previsão do governo "é bem factível". "Para 2011, devemos crescer, no mínimo, 5%.
Mantega afirmou que a crise financeira internacional foi um verdadeiro teste de estresse para verificar a solidez das economias em todo mundo. "O Brasil apresenta condições sólidas e passou pelo teste de estresse da crise", afirmou. O ministro ressaltou que medidas anticíclicas adotadas pelo governo, especialmente pelo Banco Central e Ministério da Fazenda, foram essenciais para retomar a demanda agregada no País. Porém, ele ressaltou que outras ações deverão ser adotadas pelo Poder Executivo. "Novas medidas têm de ser tomadas", afirmou ele, sem especificar quais seriam as medidas.
O ministro ressaltou que o governo está agindo para recuperar o padrão de crescimento registrado nos últimos dois anos, que deve ser atingido a partir de 2010. Ele enfatizou que o governo está criando fundos de aval e garantidores de crédito para ampliar a oferta de financiamentos na economia. Além disso, será implantado o Eximbank brasileiro - instituição avalista de exportações que já é adotada em outros países, como os Estados Unidos e Japão -, a fim de implementar as vendas externas do Brasil.
Mantega lembrou ainda que a Petrobras investirá R$ 66 bilhões neste ano e que, no primeiro trimestre de 2009, os investimentos da estatal superaram em 40% os realizados no mesmo período de 2008. "O Brasil é um dos poucos países com grandes projetos. Li um belo artigo no Estado de S. Paulo, no domingo, o qual relatava que há R$ 500 bilhões em projetos (de investimentos) que devem ocorrer nos próximos anos.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/06/18/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=115138/em_noticia_interna.shtml

Juros do financiamentro imobiliário devem cair mais

O consumidor interessado em comprar um imóvel financiado deve esperar por pelo menos mais dois meses, na opinião do vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. Segundo ele, as taxas de juros, que já estão sendo reduzidas pelos bancos, devem cair ainda mais, com a percepção de melhora na economia e com as reduções da taxa básica de juros, a Selic.
Na última semana, o Banco do Brasil e a Caixa anunciaram redução de juros, com condições diferenciadas de acordo com a forma de pagamento das prestações, ou se o interessado é correntista, por exemplo. Bancos privados, como o Bradesco, também estão de olho no mercado. Em maio, a instituição anunciou a ampliação do prazo de financiamento da casa própria de 25 para 30 anos em todas as modalidades previstas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e anunciou redução de taxas. Confira dicas do especialista sobre a compra de imóveis financiados.
Agência Brasil - As condições para a compra de imóveis estão melhorando?
Miguel José Ribeiro de Oliveira - Depois que a crise financeira internacional se agravou, principalmente no período de setembro de 2008 até fevereiro deste ano, os bancos subiram as taxas de juros, encurtaram o prazo de financiamento e passaram a ser mais seletivos. Estavam preocupados com a possibilidade de que a crise pudesse se agravar e levar à inadimplência de seus clientes. Os bancos públicos, pressionados pelo governo, passaram a emprestar mais para compensar a queda na oferta de crédito dos bancos privados. Passado esse momento, os bancos perceberam que tinha boas oportunidades pela frente e que os públicos pegaram o espaço deles e voltaram a emprestar. Atualmente, há uma competição maior nesse segmento, o que possibilita aos consumidores melhores condições. Os bancos vêm alongando prazos. Atualmente é possível encontrar prazo de até 30 anos. Tem os bancos anunciando redução das taxas de juros e em algumas situações financiando 100% do valor do imóvel. Entretanto, essas condições tenderão a ficar ainda melhores. Mas aquele consumidor que não pode esperar, é importante ficar atento para não comprometer demais a renda, preferencialmente escolher o sistema Sacre [Sistema de Amortização Crescente] que possibilita pagar a um custo menor. Claro que tem uma desvantagem porque as parcelas inicialmente são maiores. Mas a dívida é amortizada de forma mais rápida. O consumidor deve prestar atenção também que quando vai comprar o imóvel, além dos juros, tem seguros e a Taxa Referencial (TR).
ABr - Quanto tempo mais aqueles que querem financiar um imóvel devem esperar?
Oliveira - As condições de crédito no segundo semestre vão estar melhores. Daqui a dois ou três meses, haverá uma quantidade maior de bancos oferecendo condições melhores, o que possibilita uma competição maior e beneficia os consumidores. Taxas menores, prazos maiores, menor burocracia no sentido de que deve haver uma liberação maior.
ABr - Os efeitos da crise no financiamento imobiliário estão passando?
Oliveira - Tenho a convicção de que o pior da crise já passou, o que se reflete na própria atitude dos bancos. Se os bancos acreditassem que a situação estaria complicada, não fariam o que estão fazendo agora. Agregado a isso, temos a Selic sendo reduzida, o que possibilita aos bancos continuar reduzindo as taxas de juros.

ABr - Qual é o feito da Selic nas taxas de juros de financiamento de imóveis?

Oliveira - A Selic é uma taxa de juros que referencia todas as demais. Quando a Selic sobe, todas as taxas de juros sobem. Por se tratar de financiamento de longo prazo e de alto valor, qualquer um ponto percentual de redução da Selic traz uma enorme efeito no custo do financiamento de imóveis.

ABr - Os bancos estão realmente baixando os juros ou só estão retomando ao patamar anterior à crise?

Oliveira - Aconteceram as duas coisas. Alguns bancos subiram as taxas de juros no momento de crise e agora, passado aquele momento, estão levando as taxas aos patamares que cobravam anteriormente. Mas também tivemos bancos que mantiveram a taxa e agora, acreditando que a economia vai ficar melhor, baixaram os juros. Tanto aquele banco retornou à taxa anterior como o que reduziu vai continuar reduzindo. A competição está se iniciando nesse segmento e vai levar a queda mais fortes nas taxas de juros.
ABr - Qual a diferença entre os sistemas de amortização Price (Sistema Francês de Amortização), Sacre e SAC (Sistema de Amortização Constante)?
Oliveira - Quando você faz um financiamento, paga sempre os juros sobre o saldo devedor. Entretanto, tem alguns tipos de sistema que definem como vai ser amortizada a dívida. Tem o sistema Price, que é o mais conhecido pelos brasileiros, em que você paga parcelas iguais durante o financiamento. Tem o sistema Sacre, que é crescente, adotado pela Caixa, em que as prestações iniciais são maiores e vão sendo reduzidas a cada 12 meses. O SAC, usado tanto pela caixa quanto por bancos privados, é muito parecido com o Sacre. Como com esses dois sistemas, você começa igualmente a amortizar mais no início do financiamento. Para se ter uma idéia, no caso de um financiamento de dez anos, o consumidor que optar pelo sistema Price vai pagar 10% a mais do que pagaria nos outros dois sistemas.
ABr - Para quem não tem disciplina para juntar dinheiro, o financiamento pode ser uma boa opção, já que a pessoa terá que reservar os recursos para pagar as prestações?
Oliveira - Em qualquer hipótese é melhor juntar dinheiro para comprar à vista ou para financiar uma parcela menor do valor do imóvel. Assim, o consumidor economiza com juros. Mas para aquele consumidor que não é muito regrado, a melhor indicação é o sistema de consórcio, porque vai ter a obrigatoriedade de pagar todo o mês.
ABr - E o financiamento é melhor opção do que pagar aluguel?
Oliveira - Hoje em dia, eu diria que sim. As condições de crédito melhoraram, o que possibilita pagar o mesmo valor de um aluguel. Atualmente, os juros de financiamento estão, em média, entre 0,90% e 1% ao mês. O aluguel corresponde em geral de 0,80% a 1% do preço do imóvel.
ABr - Quais são as dicas na hora de pesquisar nos bancos?
Oliveira - Estamos falando que as taxas de juros estão caindo. Mas isso não quer dizer que todas as taxas estejam iguais e que todos os bancos reduziram. Nem sempre que os bancos dizem que reduziram os juros, a redução foi para todas as categorias. Às vezes, caíram para financiamento de dez anos, por exemplo, ou em uma situação em que o consumidor ofereça uma boa entrada. A melhor alternativa é pesquisar muito. O consumidor deve procurar o seu banco e os demais para saber quais são a taxa de juros e os demais encargos. Ele só vai saber onde é mais barato, se fizer uma comparação de custos.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/06/12/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=114287/em_noticia_interna.shtml