Com a volta do IPI, vendas têm queda de 28% em fevereiro
Anamaco: Venda de materiais de construção sobe 4,9%
As vendas de materiais de construção no varejo cresceram 4,9% em agosto em relação ao mesmo período de 2008, segundo divulgou nesta segunda a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). Na comparação com o mês de julho, o desempenho apontou para um aumento de 5%, enquanto que, no acumulado dos oito primeiros meses do ano, a alta chega a 2,5%. Diante destes resultados, a Anamaco mantém a expectativa de uma alta de 6,5% para o setor em 2009 na comparação com 2008.
Segundo a entidade, as lojas estão começando a repassar neste momento integralmente os descontos que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) proporcionou às categorias contempladas pela renúncia fiscal do governo. Como os estoques, que têm um ciclo de desova entre 60 e 90 dias, foram adquiridos com o IPI antigo somente agora os lojistas estão vendendo os produtos com desconto integral.
Dessa forma, Anamaco diz esperar pela prorrogação das atuais alíquotas do IPI para além de dezembro, quando elas expiram. "Não faz sentido correr o risco de um eventual aumento de preços dos produtos com um programa como o 'Minha Casa Minha Vida' em andamento", afirmou, em nota a entidade. Com a redução do imposto incidente sobre materiais de construção, produtos como o cimento, tinta e cerâmica tiveram uma redução média nos preços de 8,5%.
IPI reduzido eleva compra de material para reformar casa em MG
Geórgea Choucair - Estado de Minas
Marcos Michelin/EM/D. A Press
O garçom José Ambrósio pretende gastar entre R$ 4 mil e R$ 5 mil para reformar a fachada da sua casa
O brasileiro vai comemorar as festividades de fim de ano com a casa reformada. É o que mostram os dados sobre vendas de material de construção, em franco crescimento. O montante do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) usado para a compra de material de construção por meio do cartão Construcard, da Caixa Econômica Federal, saltou de R$ 32,10 milhões de janeiro a agosto de 2008 para R$ 247,77 milhões no mesmo período deste ano – uma alta de 672%, segundo dados da Caixa.
As vendas do setor, que estavam estagnadas até abril, voltaram a crescer estimuladas pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e há boas expectativas para o segundo semestre, que é marcado tradicionalmente pelo aumento do número de reformas. As vendas no varejo de material de construção aumentaram 4,5% em julho no Brasil em comparação com o mesmo mês de 2008, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). A expectativa da entidade é de fechar o ano com crescimento de 6,5%.
Em Minas Gerais, a estimativa da indústria é de alta de 8% nos negócios no segundo semestre. “O mercado está reagindo e devemos ter um volume crescente de vendas até o fim do ano. A queda dos juros e a redução do IPI ajudaram, pois as pessoas passaram a investir mais em obras”, afirma Ricardo Caus, presidente da Associação do Comércio de Material de Construção de Minas Gerais (Acomac).
A alta de vendas de material de construção vai ser puxada principalmente pelo chamado “consumo formiguinha”, aquele usado para fazer um cômodo a mais na casa, erguer uma laje e até construir a própria moradia sem a intermediação de construtoras. Estudo feito pela empresa de consultoria americana Booz Allen Hamilton mostra que 77% das unidades habitacionais produzidas no Brasil são em regime de autogestão, em que os próprios consumidores adquirem os produtos e, com a ajuda de vizinhos ou terceirizando os serviços, fazem a reforma da casa. “As construtoras de médio e grande porte compram o material de construção direto da indústria”, observa Caus.
As vendas de material de construção em Minas cresceram 1,5% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2008. Até março, os números do setor estavam negativos, mas desde abril as vendas estão aumentando em média 4,5% ao mês. “Percebemos que o maior problema da crise era o de confiança. O melhor momento de vendas deverá ser neste segundo semestre. Por isso, acredito que foi sensata a prorrogação da redução do IPI até dezembro”, observa Caus.
Mary Lúcia de Andrade é síndica de um condomínio no Bairro Santa Efigênia, Zona Leste de Belo Horizonte. Ela iniciou a obra da garagem do edifício no primeiro semestre, mas teve que parar durante três meses por falta de verba para dar continuidade. “São 12 moradores e, com a crise, tive que parar. A obra acabou saindo mais cara do que o esperado”, afirma. A taxa de condomínio é de R$ 150. Com a obra, foi cobrado um valor extra mensal de R$ 100. Há 15 dias, retomou os trabalhos. “Tinha parado porque o dinheiro acabou. Mas o prédio tem quase 30 anos e precisava de reforma”, diz.
O garçom José Ambrósio começou no mês passado a reforma na fachada de sua casa. Ele pretende desembolsar entre R$ 4 mil e R$ 5 mil com a obra. “Vou fazer um reboque e tintura. Ficar só no tijolo não dá. A vizinhança toda pintou e melhorou o aspecto da casa”, diz. Ele preferiu fazer a reforma agora, para fugir das chuvas de fim de ano.
Novas reduções de impostos no Brasil são 'desaconselháveis', diz OCDE
Em estudo sobre a economia brasileira divulgado nesta terça-feira, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) sugere que o País evite novas medidas de estímulo à economia que reduzam impostos e, em consequência, tenham impacto negativo nas contas do governo. De acordo com a entidade, medidas anticíclicas adicionais são "desaconselháveis" no caso brasileiro, a não ser que haja um enfraquecimento "muito forte" da atividade industrial.
A redução de impostos no Brasil começou em janeiro, como forma de estimular o consumo interno diante do agravamento da crise financeira internacional. Entre os produtos beneficiados estão automóveis, eletrodomésticos e materiais de construção.
Com isso, a arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) caiu R$ 11,5 bilhões nos primeiros cinco meses deste ano, de acordo com a Receita Federal.
Segundo a OCDE, o aumento no déficit das contas públicas, como consequência da renúncia fiscal, "colocará pressão no mercado financeiro doméstico, no momento em que o crédito está particularmente comprimido".
Além disso, novas medidas fiscais "apenas deslocariam recursos que de outra forma poderiam ser canalizados ao setor privado", diz a entidade, que reúne 30 países, sobretudo os mais ricos. O Brasil faz parte do grupo apenas como "parceiro".
Reforma
Em vez de reduções pontuais de impostos em setores específicos, a entidade sugere que o Brasil se "empenhe" em uma reforma tributária "mais ampla".
"O sistema de impostos no Brasil é complexo e induz a uma competição predatória entre os estados", diz o texto. O documento afirma ainda que o governo brasileiro "provavelmente" não conseguirá atingir sua para meta para o superávit primário este ano, definida em 2,5%.
Para a entidade, esse número – que corresponde à economia do governo para pagamento de juros – deve ficar em 2%, o que não chega a comprometer o compromisso fiscal do governo, de acordo com a OCDE.
Juros menores
Em vez de privilegiar a renúncia fiscal, o governo brasileiro deveria, na avaliação da OCDE, flexibilizar ainda mais o sistema monetário. "Há espaço para novas reduções da taxa de juros ainda este ano", diz o documento.
O estudo da OCDE elogia o compromisso fiscal do governo brasileiro, que vem cumprindo as metas desde que foram criadas, em 1999. No entanto, o documento diz que o governo brasileiro precisa encontrar formas para "coibir" o gasto público no futuro.
Um dos problemas apontados é que o governo vem obtendo sucesso fiscal graças a uma forte carga tributária.
Pelos cálculos da OCDE, a receita do governo brasileiro chegou a 35,9% do PIB em 2008, número maior do registrado em países como Canadá, Irlanda, Chile e México, entre outros.
"Como já discutido em estudos anteriores, a consolidação fiscal no Brasil tem sido atingida às custas de uma arrecadação maior, no lugar de cortes nos gastos", diz o documento.
Segundo a OCDE, os gastos do governo brasileiro são altos não apenas para os padrões de países emergentes, como também quando comparados a alguns países ricos.
Mineração e siderurgia devem cair até 15% em 2009
A indústria da mineração e as usinas siderúrgicas já trabalham com a perspectiva de um balanço negativo de vendas e rentabilidade em 2009, apesar dos sinais de recuperação da produção industrial nos últimos meses, da possibilidade de renovação do acordo de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para os fabricantes de automóveis e da retomada das compras da China. Depois de um longo período de resultados positivos, de 2003 a 2008, este ano passou a ser considerado praticamente perdido para os dois setores de peso da economia mineira. Pedro Galdi, analista de mineração e siderurgia da SLW Corretora, estima em 15% de queda do comércio de aço no Brasil no fechamento de 2009, e não tem dúvidas de que as empresas precisarão de pelo menos dois anos para recuperar os níveis de lucratividade registrados antes da crise financeira mundial.
Embora se considere um otimista, José Luiz Amarante, diretor de marketing e vendas da AngloFerrous, diz que não há como prever o comportamento dos preços e nem mesmo o tempo de reação da demanda em países da Europa e no Japão, onde, aparentemente, a recuperação da economia virá em ritmo mais lento. A AngloFerrous é uma subsidiária da gigante da mineração Anglo American, criada a partir da aquisição de ativos do sistema Minas Rio, que pertenciam à MMX, do empresário Eike Batista. O processo recente de recuperação da indústria é, ainda, muito suave e está aquém do que a siderurgia idealiza, segundo Moacyr Pimenta Brant Filho, analista de marketing do grupo Usiminas. Os dois executivos participaram de debate e palestra de Pedro Galdi sobre os efeitos da crise na produção de minérios e aço, evento promovido pela Câmara Americana de Comércio na Fundação Dom Cabral (FDC).
“Só veremos melhora nas vendas durante o quarto trimestre deste ano, mas os volumes serão negativos e geração de caixa das empresas ficará bem mais reduzida frente a 2008. A situação de quem se endividou tende a ser difícil”, disse Galdi a uma platéia repleta de profissionais da mineração e da siderurgia e de fornecedores e prestadores de serviços. O problema central, na visão do analista, está numa espécie de congelamento das compras no mercado internacional e em estoques de aço altos.
Em dezembro do ano passado, no auge da crise, as empresas vinham trabalhando com produtos armazenados para cerca de quatro meses e meio, que agora baixaram para 75 dias, de acordo com o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda). A média de estoques do setor, no entanto, não passou de um mês e meio nos últimos cinco anos. Brant, da Usiminas, afirmou que, mesmo com a reação das vendas, a procura pelos produtos siderúrgicos deve retomar em 2010 os níveis de 2001, afetado pelo apagão de energia brasileiro. “Este ano, a nossa visão é de que o mercado está perdido.”
Para Amarante, da AngloFerrous, há dois fatores positivos nesse cenário: a redução da taxa básica de juros, aquela que remunera os títulos do governo no mercado financeiro e serve de referência para as operações nos bancos e no comércio, e a necessidade de investimentos em infraestrutura de nações como a Arábia Saudita, Irã, Egito e Indonésia.
Forno religado
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou na quinta-feira ter retomado a produção do alto-forno 2 da Usina Presidente Vargas, de Volta Rendonda (RJ), parado há 90 dias para reforma. Conforme comunicado da CSN, o religamento deverá gerar 400 empregos diretos nos próximos meses, em função do aumento da produção de ferro-gusa (matéria-prima da fabricação de aço) na fábrica. Frente à demanda reduzida de mercado, a empresa vai operar com 90% de sua capacidade produtiva na área da metalurgia.
Caixa facilita crédito para produtos da linha branca
http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/04/22/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=107451/em_noticia_interna.shtml