IPI reduzido eleva compra de material para reformar casa em MG

Geórgea Choucair - Estado de Minas

 

Marcos Michelin/EM/D. A Press

 O garçom José Ambrósio pretende gastar entre R$ 4 mil e R$ 5 mil para reformar a fachada da sua casa

O brasileiro vai comemorar as festividades de fim de ano com a casa reformada. É o que mostram os dados sobre vendas de material de construção, em franco crescimento. O montante do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) usado para a compra de material de construção por meio do cartão Construcard, da Caixa Econômica Federal, saltou de R$ 32,10 milhões de janeiro a agosto de 2008 para R$ 247,77 milhões no mesmo período deste ano – uma alta de 672%, segundo dados da Caixa.
As vendas do setor, que estavam estagnadas até abril, voltaram a crescer estimuladas pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e há boas expectativas para o segundo semestre, que é marcado tradicionalmente pelo aumento do número de reformas. As vendas no varejo de material de construção aumentaram 4,5% em julho no Brasil em comparação com o mesmo mês de 2008, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). A expectativa da entidade é de fechar o ano com crescimento de 6,5%.
Em Minas Gerais, a estimativa da indústria é de alta de 8% nos negócios no segundo semestre. “O mercado está reagindo e devemos ter um volume crescente de vendas até o fim do ano. A queda dos juros e a redução do IPI ajudaram, pois as pessoas passaram a investir mais em obras”, afirma Ricardo Caus, presidente da Associação do Comércio de Material de Construção de Minas Gerais (Acomac).
A alta de vendas de material de construção vai ser puxada principalmente pelo chamado “consumo formiguinha”, aquele usado para fazer um cômodo a mais na casa, erguer uma laje e até construir a própria moradia sem a intermediação de construtoras. Estudo feito pela empresa de consultoria americana Booz Allen Hamilton mostra que 77% das unidades habitacionais produzidas no Brasil são em regime de autogestão, em que os próprios consumidores adquirem os produtos e, com a ajuda de vizinhos ou terceirizando os serviços, fazem a reforma da casa. “As construtoras de médio e grande porte compram o material de construção direto da indústria”, observa Caus.
As vendas de material de construção em Minas cresceram 1,5% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2008. Até março, os números do setor estavam negativos, mas desde abril as vendas estão aumentando em média 4,5% ao mês. “Percebemos que o maior problema da crise era o de confiança. O melhor momento de vendas deverá ser neste segundo semestre. Por isso, acredito que foi sensata a prorrogação da redução do IPI até dezembro”, observa Caus.
Mary Lúcia de Andrade é síndica de um condomínio no Bairro Santa Efigênia, Zona Leste de Belo Horizonte. Ela iniciou a obra da garagem do edifício no primeiro semestre, mas teve que parar durante três meses por falta de verba para dar continuidade. “São 12 moradores e, com a crise, tive que parar. A obra acabou saindo mais cara do que o esperado”, afirma. A taxa de condomínio é de R$ 150. Com a obra, foi cobrado um valor extra mensal de R$ 100. Há 15 dias, retomou os trabalhos. “Tinha parado porque o dinheiro acabou. Mas o prédio tem quase 30 anos e precisava de reforma”, diz.
O garçom José Ambrósio começou no mês passado a reforma na fachada de sua casa. Ele pretende desembolsar entre R$ 4 mil e R$ 5 mil com a obra. “Vou fazer um reboque e tintura. Ficar só no tijolo não dá. A vizinhança toda pintou e melhorou o aspecto da casa”, diz. Ele preferiu fazer a reforma agora, para fugir das chuvas de fim de ano.

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