Conheça as empresas que foram na contramão de um ano ruim para o mercado acionário
O ano de 2013 está longe de ser espetacular para a Bolsa de Valores. Desde o início de janeiro, o maior índice acionário do Brasil, o Ibovespa, acumula queda de 18,4% registrada até o último dia 6 de dezembro. E a desvalorização afeta a maior parte das empresas que compõem o índice: são 44 baixas de 67 papéis negociados no período.
Ainda que o mar não esteja para peixe, houve importantes exceções no mercado de renda variável: ações de empresas que se destacaram da maioria, fazendo a alegria dos investidores. Pelo menos 23 papéis tiveram desempenho positivo desde janeiro, de modo que os 10 mais bem colocados mostraram valorização expressiva. Destaque para os setores de educação e papel e celulose, que decolaram entre os demais.
Confira as melhores ações da Bolsa em 2013 (até 06/12) e relembre a trajetória de cada uma:
1º – KROTON: o grupo educacional brilhou com alta de 70,98%, impulsionada pela fusão com a Anhanguera Educacional, criando uma gigante do setor. Foto: Divulgação
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1º – Kroton: O setor de educação deslanchou no mercado acionário este ano. Terceiro maior grupo educacional do País, fundado em 1966, a Kroton teve valorização de 70,98% desde o início do ano,impulsionada pela fusão com a Anhanguera. A união criou o maior conglomerado do setor em todo o mundo, resultando num faturamento bruto de R$ 4,3 bilhões, cerca de 1 milhão de alunos e valor de mercado perto de R$ 12 bilhões. A operação de fusão ainda aguarda a aprovação do Cade(Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
2º – Braskem: A maior petroquímica da América Latina apresentou valorização de 61,56% desde o começo do ano, o segundo melhor desempenho do Ibovespa no período. A companhia se beneficiou da alta do dólar e teve desalavancagem (redução da dívida) com a venda de seus ativos no primeiro semestre. A empresa também aumentou sua participação no mercado, beneficiada por medidas do governo de controle de produtos químicos de fora do País, e pela desoneração do PIS e Cofins no setor. No terceiro trimestre, a Braskem reverteu os resultados negativos dos períodos anteriores com lucro líquido de R$ 394 milhões.
3º – TIM Participações: Com o terceiro melhor desempenho de 2013, as ações da operadora de telefonia móvel subiram 45,89% no período. Subsidiária da Telecom Itália, a companhia passou porrumores de que seria vendida para ajudar a pagar as dívidas e melhorar a posição de mercado de sua proprietária, que tem um quarto de sua receita atrelado à empresa brasileira. Na terça-feira (10), o presidente da Telecom Itália, Marco Patuano, negou que a empresa planeja dividir a TIM Participações.
4º – Cielo: Já bem sucedida no primeiro semestre, a processadora de pagamentos repetiu o bom desempenho ao longo do ano com alta de 43,97%. A companhia cresce no setor e realiza investimentos pesados em novas máquinas e ambientes de captura, na cifra de R$ 360 milhões em 2013, de acordo com estimativas de seu presidente, Rômulo de Mello Dias. Impulsionada por um volume maior de transações, a empresa anunciou um lucro líquido 17% maior no terceiro trimestre na comparação anual.
5º – JBS: A gigante do setor de alimentos se destacou com o quinto melhor desempenho do ano, valorizando 33,64%. A compra da Seara em junho, antes nas mãos da Marfrig, aumentou a expectativa de aumento do faturamento anual da JBS em R$ 10 bilhões. Nem mesmo um escândalo envolvendo a presença de carne de cavalo em produtos fornecidos pela empresa na Europa, no início do ano, prejudicou os resultados de suas ações.
6º – Anhanguera: A gigante do setor de educação teve o sexto melhor resultado no mercado acionário, com uma guinada de 27,58% desde o início de janeiro, beneficiada pela fusão com o grupo Kroton, que cria o maior conglomerado educacional do mundo, e valor de mercado em torno de R$ 12 bilhões.
7º – Suzano Papel: A terceira maior fabricante mundial de celulose, atrás apenas da Fibria e da April, da Indonésia, cresceu 25,86% na Bolsa em 2013. A aposta na saída do setor petroquímico para focar na área de celulose foi considerada um acerto estratégico da empresa. Assim como a Fibria, a Suzano se beneficiou no primeiro semestre com o aumento dos preços da matéria-prima no mercado internacional.
8º – CESP: Com valorização de 24,04% desde janeiro, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp)descolou seu desempenho de outras empresas do setor, como a Eletropaulo, que amarga perdas de 45% no mesmo período. A Cesp apresentou lucro líquido de R$ 191,86 milhões no terceiro trimestre de 2013, um crescimento de 28,3% ante os R$ 149,5 milhões de igual período de 2012.
9º – Fibria: A maior produtora de celulose branqueada de eucalipto do mundo viu suas ações subirem 23,84% em 2013, confirmando o bom momento do setor no mercado de capitais. A companhia tevelucro líquido de R$ 57 milhões no terceiro trimestre de 2013, que apesar de abaixo das expectativas de analistas, conseguiu reverter o prejuízo de R$ 212 milhões no mesmo período de 2012.
10º – Ultrapar: A dona da rede de postos Ipiranga apresentou uma guinada de 23,58% no Bolsa, décimo melhor desempenho do ano. No fim de setembro, a companhia comprou 100% da Imifarma, proprietária da marca Extrafarma, com operação aprovada pelo Cade em 25 de outubro. Confirmado sem restrições, o negócios foi avaliado em R$ 1 bilhões.
Pesquisa do Hay Group realizada com 162 empresas mostra que os estudantes de engenharia recebem cerca de 15% a mais que os jovens de outras áreas
Formada em engenharia elétrica pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Alice Barbosa, de 24 anos, sempre se interessou pela área de exatas. No entanto, além da vontade de entender melhor o funcionamento de equipamentos elétricos, a alta remuneração do setor também foi um fator decisivo para que a trainee da companhia petroquímica Braskem optasse pelo curso de engenharia. “Com certeza isso foi levado em conta na minha decisão. Eu sempre procurei conciliar uma coisa que eu gostasse e que desse uma perspectiva de um futuro equilibrado em termos financeiros”, conta Alice.
Confirmando a escolha da engenheira, a pesquisa realizada com 162 empresas pela consultoria global de gestão de negócios Hay Group mostra que 67% das empresas com programas de trainee priorizam a entrada de novos engenheiros. Esta carreira também se destaca entre os programas de estágio, com os alunos do curso sendo 15% mais bem remunerados em relação aos demais.
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Alice Barbosa, engenheira elétrica: "Sempre procurei conciliar uma coisa que eu gostasse e que desse perspectiva de um futuro equilibrado em termos financeiros"
Para Adriana Teixeira, da consultoria RH Across, isso se deve ao fato de que as empresas notaram que estes estudantes podem ser aproveitados por outros setores. "Antes, o estudante de engenharia fazia estágio na área de manufatura, produção, por exemplo. Hoje em dia, eles são selecionados para diversas áreas das empresas", conta.
Roberto Bonito, recrutador especializado na área de Engenharia e Logística da consultoria Talenses, tem opinião semelhante: “Engenharia é uma faculdade muito completa. Ela prepara muito bem o profissional e dá uma linha de raciocínio muito forte. Os engenheiros trabalham muito bem com números. Isso, atrelado a um bom perfil pessoal, se encaixa bem em muitas áreas”.
Porém, essa versatilidade pode se tornar um problema. Alice conta que os colegas que se formaram junto com ela tiveram dificuldade de encontrar emprego na área. “Isso foi uma surpresa para mim. Muita gente não conseguiu emprego. As empresas estão querendo contratar os engenheiros recém-formados como analistas e não como engenheiro júnior. Os engenheiros ainda têm uma restrição quanto a isso”, diz a trainee.
Para o executivo da Talenses, esta é uma tática das empresas para equiparar os salários dos jovens engenheiros com os profissionais formados em outros cursos. Segundo a pesquisa, entre as empresas que estabelecem um cargo no momento da efetivação, 22% optam pelo nível de analista.
Porém, a variação de salário ocorre desde antes do término da graduação. A média de pagamento para estagiários de todos os cursos com carga horária de quatro horas diárias e de R$ 860 mensais para alunos do penúltimo ano é de R$ 918 mensais para alunos do último ano. Nos estágios com carga horária de seis horas diárias, o valor médio aumenta para R$ 1.111 para alunos do penúltimo ano e R$ 1.184 para os do último ano.
O valor médio da bolsa auxílio também varia de acordo com o Estado onde o estagiário trabalha. Para estágios com alunos do último ano de curso e com carga horária de seis horas diárias, o Estado com o maior valor médio de remuneração continua sendo São Paulo, com salários médios de R$ 1.330 em empresas situadas no interior e R$ 1.341 na capital. A Bahia e a Paraíba foram os Estados que apresentaram o menor valor médio da bolsa auxílio, ambos registrando R$ 1 mil mensais.
Segundo a gerente de atratividade da Braskem, Daniela Panagassi, a empresa realiza pesquisas anuais para identificar quais os valores mais adequados para cada região onde a empresa atua. Essa prática também é comum na Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul. “A gente faz pesquisas salariais, entendendo o mercado e a região. É com base nessa referência que chegamos ao valor”, conta Fernanda Leal, gerente de desenvolvimento organizacional da multinacional.
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"Engenharia é uma faculdade muito completa. Ela prepara muito bem o profissional e dá uma linha de raciocínio muito forte", diz Roberto Bonito, da Talenses
A pesquisa aponta ainda que os valores da bolsa auxílio apresentam variações de acordo com o setor de atuação da empresa na qual o estagiário trabalha. Companhias do setor químico, petroquímico e de óleo e gás pagam em média R$ 1.391 mensais para os estagiários, seguidas de empresas do setor de engenharia e construção civil (R$ 1.254) e industrial geral (R$ 1.215). Já as empresas que apresentaram a média salarial mais baixa foram as que atuam no setor de energia (R$ 1.000) e agronegócios (R$ 910).
Efetivação
Segundo os dados do Hay Group, nas 162 empresas consultadas, cerca de 49% dos estagiários são efetivados. Este percentual é considerado positivo por Thiago Silva, consultor e condutor da pesquisa. “A rotatividade é muito grande. Tem uma questão dessa geração nova, que se o estágio não é muito o que eles querem, eles vão embora mesmo. É uma turma que não fica insistindo e vai procurar o que gosta mais”, conta ele.
Ainda segundo a pesquisa, 86% das empresas apontaram que a efetivação do estagiário pode acontecer antes do término do contrato, e que tudo depende da disponibilidade da vaga e do desempenho do estudante.
No caso dos trainees, a taxa de efetivação é de 82%. Ao entrar no programa, o recém-formado recebe em média R$ 4.579 mensais das empresas. Esse valor vai para R$ 5 mil quando o profissional é integrado ao quadro de funcionários da empresa.
Critérios de seleção
Com programas de estágio e trainee cada vez mais estruturados, as empresas realizam processos seletivos com diversas etapas para filtrar os melhores profissionais. No entanto, a busca por um profissional com valores próximos aos da companhia ainda é apontada como o critério fundamental de seleção.
A fluência na língua inglesa, por exemplo, é critério eliminatório em 58% dos processos seletivos para trainees, queda de 4% em relação à 2012. Confirmando esta tendência, a Braskem não considera mais o inglês como fundamental na escolha dos profissionais. “Nós levávamos isso em conta e realizávamos testes no passado. Porém, se você admitiu um jovem com potencial, por mais que ele não saiba, ele vai aprender aqui”, conta Daniela Panagassi. Os testes só são realizados, segundo ela, para candidatos às vagas em que existe contato com a língua.
“Nós esperamos que [os jovens] venham adicionar, tragam conhecimento e estejam dispostos a aprender. Apesar de parecer clichê, o que é muito importante e faz a diferença é a questão dos valores. Se o jovem não tem [nosso] perfil, ele assusta. Ele tem que ter a nossa cara", diz a gerente.
Fernanda Leal, da Whirlpool, lembra que os programas de estágio servem como uma fonte de atração e retenção de profissionais, para que futuramente eles ocupem cargos essenciais na companhia. “[O jovem] não é simplesmente uma mão de obra operacional”, diz ela.
Veja algumas empresas com processo seletivo aberto:
O projeto de produção de resinas termoplásticas a partir do etanol para os chamados "plásticos verdes" da Braskem conseguiu um financiamento de 555,6 milhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O banco de fomento informou nesta terça-feira ter aprovado o financiamento, que é também o primeiro do BNDES para a área alcoolquímica.
O projeto total da Braskem, maior companhia de resinas termoplásticas da América Latina, envolve investimentos de 800,4 milhões de reais para a produção de 204 mil toneladas anuais de resinas a partir do etanol da cana de açúcar.
A fábrica de "plásticos verdes" já teve sua pedra fundamental lançada pela Braskem no Pólo Petroquímico de Triunfo (RS). Ela começa a operar no segundo semestre de 2010 e deve gerar cerca de 1,5 mil empregos na fase de obras, além de 100 na fase operacional, segundo o comunicado do BNDES.
A Braskem já vem testando com alguns clientes o uso das resinas ecológicas. Com a Brinquedos Estrela, por exemplo, ela acertou o uso do polietileno "verde" no jogo Banco Imobiliário, além do estudo de outras parcerias em brinquedos no futuro.
Tanques de combustível e embalagem para alimentos e cosméticos são outras aplicações testadas.
Em setembro do ano passado, a Braskem fechou uma das primeiras parcerias para a venda da resina ecológica. Ela acertou um acordo com a trading Toyota Tsusho, da japonesa Toyota, para que esta seja a representante comercial dos produtos no continente asiático.
A companhia brasileira espera se tornar a primeira empresa do mundo a produzir resinas plásticas a partir de fontes renováveis de matéria-prima como o etanol.