A seguradora AIG obterá US$ 30 bilhões do governo depois de apresentar fraco desempenho financeiro. No quarto trimestre de 2008, a empresa teve prejuízo líquido de US$ 61,7 bilhões, ou US$ 22,95 por ação. Um ano antes, a perda foi de US$ 5,3 bilhões, o correspondente a US$ 2,08 por papel.Ajustado por itens extraordinários, o prejuízo foi de US$ 37,9 bilhões nos três últimos meses do exercício passado, mais marcado do que os US$ 3,2 bilhões perdidos no trimestre final de 2007."O resultado da AIG no quarto trimestre foi afetado negativamente pela deterioração severa do mercado de crédito, particularmente em títulos lastreados em hipotecas comerciais (CMBS, na sigla em inglês), e despesas associadas com a reestruturação em andamento", comentou a seguradora em nota em sua página eletrônica.Em 2008 completo, a AIG teve prejuízo líquido de US$ 99,3 bilhões, ou US$ 37,84 o papel, invertendo o resultado dos 12 meses antecedentes, de ganho de US$ 6,2 bilhões, ou US$ 2,39 o papel.A empresa está na fila para receber ajuda federal adicional de US$ 30 bilhões, avisaram o Departamento do Tesouro dos EUA e o Federal Reserve (Fed). O governo está tomando novos passos para estabilizar a seguradora a fim de proteger os contribuintes, incluindo o estabelecimento de uma linha para possibilitar que a AIG obtenha até US$ 30 bilhões."Esta linha irá fortalecer mais os níveis de capital da AIG e melhorar sua alavancagem", declararam o Tesouro americano e o Fed. Em troca da verba, o Tesouro terá ações preferenciais. Assim, a participação do governo na AIG irá para perto de 77%.A seguradora, a primeira a ser salva em setembro de 2008 de um eventual colapso, já recebeu US$ 150 bilhões.No comunicado, o Tesouro e o Fed comentaram que a AIG continua a enfrentar desafios significativos em decorrência da rápida deterioração em determinados mercados financeiros nos últimos dois meses do ano e da turbulência nos mercados em geral. "Os recursos adicionais ajudarão a estabilizar a empresa e, ao fazer isso, contribuirão para estabilizar o sistema financeiro", sustentaram.As informações são da AIG e do Fed, além de agências internacionais.
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Montadoras dos EUA pedem a senadores aprovação de socorro
Executivos de montadoras alertaram no congresso dos EUA na terça-feira que suas fábricas oscilam à beira de um desastre ao pedir a aprovação de um pacote de ajuda de 25 bilhões de dólares para o setor, apesar da oposição política a um novo plano de resgate multibilionário do governo.
A audiência aconteceu no momento em que governos e executivos de todo o globo decidem se, e como, eles devem comprometer bilhões de dólares pagos pelo contribuinte para dar suporte a montadoras em dificuldades.
Rick Wagoner, presidente da General Motors, foi direto ao explicar ao Comitê Bancário do Senado a razão de os executivos estarem ali.
"Isso diz respeito a muito mais do que apenas Detroit (centro da indústria automobilística dos EUA)", afirmou Wagoner em seu pronunciamento. "Trata-se de salvar a economia dos EUA de um catastrófico colapso."
Na véspera, democratas do Senado haviam se oposto a um plano que destinaria 25 bilhões de dólares à combalida indústria automobilística em empréstimos garantidos pelo governo.
A enfraquecida economia e a crise global de crédito levaram o governo dos EUA a socorrer companhias, incluindo a seguradora AIG, o banco de investimento Bear Stearns e as companhias de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.
Wagoner foi ao Senado acompanhado de Robert Nardelli, presidente da Chrisler LLC, Alan Mulalluy, CEO da Ford Motor, e Ron Gettelfinger, do sindicato nacional dos trabalhadores da indústria automobilística. Todos eles testemunharam na terça-feira.
"Enquanto a indústria automobilística doméstica cometeu erros no passado, os problemas atuais foram exacerbados por uma das piores crises econômicas em quase três décadas", disse Mulally.
"Nós estamos esperançosos de que teremos liquidez suficiente com base nas atuais projeções econômicas e ações planejadas para uma melhora financeira, mas nós sabemos que vivemos em uma era econômica tumultuada."
Segundo Wagoner, a GM deverá ter uma perda de caixa da ordem de 15 bilhões de dólares em 2008. Em 2009, esse número deverá ficar em cerca de 10 bilhões de dólares.
Ele afirmou também que a crise começa a afetar vendas de veículos em todo o mundo, e que havia se espalhado agora para o Brasil.
Nardelli, da Chrysler, disse que a empresa queimou no terceiro trimestre cerca de 3 bilhões de dólares em dinheiro.
Segundo ele, a empresa encerrou o trimestre com 6,1 bilhões de dólares em caixa, depois de gastar aproximadamente 5 bilhões de dólares nos primeiros nove meses do ano.
Segundo os executivos, a Chrysler tomaria cerca de 7 bilhões de dólares do pacote de 25 bilhões de dólares; a GM, entre 10 e 12 bilhões de dólares; e a Ford, de 7 a 8 bilhões de dólares.
Ford, Chrysler e GM disseram também ter pedido ao Departamento de Energia dos EUA empréstimos ligados a tecnologia para reequipar fábricas e fabricar veículos mais eficientes no gasto de combustível.
A recepção no Senado, porém, foi um pouco menos cordial do que os bem pagos executivos estão acostumados.
O senador Richard Shelby, republicano do Estado do Alabama e membro do comitê, chamou as montadoras de "modelos fracassados" e disse que eles deveriam ter a falência decretada.
Ao criticar o socorro, o senador republicano Jim Bunning, do Kentucky, disse: "A proposta que chegará ao Senado amanhã (quarta-feira) não é séria".
Por John Crawley e Kevin Drawbaugh
Ricardo Meper
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Mesmo com atuação de governos e bc´s bolsas vivem dia de oscilação
Nem o anúncio do pacote de ajuda chinês conseguiu dar estabilidade ao mercado e as principais bolsas do mundo viveram um dia de forte oscilação. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve concedeu à American Express o status de holding bancário, que define as corporações que controlam um ou mais bancos.Como holding bancária, a gigante dos cartões de crédito terá acesso mais rápido a uma parte dos 700 bilhões de dólares que o governo americano vai injetar nas instituições financeiras do país. A instabilidade no mercado financeiro levou o FED a abrir mão dos procedimentos normais para acelerar o processo de mudança. Novos indícios de recessão na economia americana derrubaram as bolsas de Nova Iorque, após um dia de muita oscilação. O índice Dow Jones caiu 0,82% e a bolsa eletrônica Nasdaq perdeu 1,86%. A seguradora AIG teve prejuízo de 24,5 bilhões de dólares no terceiro trimestre do ano, o que levou o governo americano a aumentar a ajuda à empresa para mais de 150 bilhões de dólares.Na Argentina, milhares de operários da indústria automotiva foram às ruas em protesto contra a paralisação da produção de algumas fábricas, além da ameaça de demissões.
Ricardo Meper
RICARDO MEPER
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