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Investidor deve abandonar zona de conforto para igualar ganhos do passado

Com retorno bem mais modesto que há dez anos, aplicações exigirão sangue frio para encarar riscos maiores e negociar taxas

d7mg0u6iest8yjilyd7zr03z0O brasileiro precisa ser mais ativo e sair da zona de conforto para igualar os ganhos de dez anos atrás no mercado financeiro, concordam especialistas que participam da Expo Money nesta quinta-feira (12), em São Paulo.
Negociar taxas de administração, aumentar a disposição ao risco e preferir investimentos isentos de impostos são alguns dos caminhos para melhorar a rentabilidade das aplicações.
“Produtos que não cobram IR são o ‘Bolsa Família’ do investidor”, brinca sócio da GPS Investimentos, George Wachsmann, que aconselha aplicar parte do capital em ativos deste tipo se a rentabilidade for muito próxima a de outros produtos de renda fixa.
Exemplos disso seriam as LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) e LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), os fundos imobiliários e debêntures de infraestrutura.
Diferentemente dos tempos em que qualquer aplicação conservadora garantia “viver de renda” sem trabalhar para quem acumulasse um bom patrimônio, hoje, conseguir taxas menores é crucial para obter ganhos melhores, segundo a consultora financeira Rosaline Nunes.
“O brasileiro precisa aprender a negociar com os bancos e corretoras taxas de administração mais vantajosas”, afirma. Normalmente, o investidor que faz aportes maiores — acima de R$ 50 mil — consegue cobranças bem mais atrativas do que quem tem pouco dinheiro.
Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) de junho de 2013 mostram que os fundos DI — que remuneram conforme o CDI, atrelado à taxa Selic — são bem mais atrativos para o investidor com mais de R$ 50 mil para desembolsar.
Para eles, as taxas são de 0,88% ao ano — enquanto 48% do patrimônio líquido destes fundos é de aplicações abaixo deste valor. Ao mesmo tempo, o investidor de baixa renda — que aplica até R$ 1 mil — pagou no período uma taxa de 3,87% no investimento.
Se não houver possibilidade de conseguir taxas menores, Rosaline aconselha acumular uma quantia em outro investimento para depois migrar para a aplicação desejada, a um custo bem menor.
Rentabilidade mensal
Parece pouco, mas a diferença de 0,1% a mais na rentabilidade mensal pode representar mais de R$ 100 mil em uma aplicação com aporte de mesmo valor por 20 anos, exemplifica a consultora. Se o rendimento for de 0,6%, em duas décadas pode-se acumular em torno de R$ 420 mil. Mas se os ganhos mensais forem de 0,7%, o patrimônio será R$ 113 mil maior no período.
Outros dois conselhos para aumentar a rentabilidade são abrir mão da liquidez (disponibilidade imediata ao capital) e apostar no longo prazo. “É possível obter ganhos de 10% ao ano, mas não se consegue mais isso sem risco. O investidor não pode mais se dar ao luxo de ficar preso somente a aplicações conservadoras e com liquidez imediata”, afirma Wachsmann.
Para o sócio-diretor da Mauá Sekular, Fernando Figueiredo, há boas oportunidades para quem tiver estômago para encarar riscos maiores. “A habilidade de separar o joio do trigo, em um momento de incerteza, mesmo no mercado de ações, pode gerar resultados melhores”, diz.
Taís Laporta - iG São Paulo
http://economia.ig.com.br/mercados/2013-09-12/investidor-deve-abandonar-zona-de-conforto-para-igualar-ganhos-do-passado.html