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O setor imobiliário britânico enfrenta desafios crescentes após um dos maiores construtores de casas do país, a Crest Nicholson

Aprofundamento das Complicações no Setor Imobiliário do Reino Unido

Crest Nicholson Emite Alerta de Queda nos Lucros Anuais

A Crescente Instabilidade no Setor Imobiliário do Reino Unido

Um Alerta de Queda nos Lucros Emitido pela Crest Nicholson e suas Implicações Macroeconômicas

O setor imobiliário do Reino Unido está enfrentando uma série de desafios financeiros e estruturais, conforme evidenciado pelo recente alerta de queda nos lucros emitido pela Crest Nicholson, uma das maiores empresas de construção de casas do país.

O alerta de queda nos lucros emitido pela Crest Nicholson é um indicador crítico do estado precário do setor imobiliário no Reino Unido. As implicações dessa situação são vastas, afetando desde compradores individuais até grandes investidores e empresas do setor. É crucial que todas as partes interessadas, incluindo empresas, investidores e formuladores de políticas públicas, colaborem para encontrar soluções viáveis que possam estabilizar e revitalizar este setor vital da economia.

O setor imobiliário do Reino Unido, um pilar fundamental da economia nacional, está atualmente enfrentando uma série de desafios financeiros e estruturais sem precedentes. Este cenário foi recentemente exacerbado pelo alerta de queda nos lucros emitido pela Crest Nicholson, uma das maiores e mais respeitadas empresas de construção de casas do país. 

A economia global está passando por um período de alta inflação e aumento das taxas de juros, fatores que têm um impacto direto e significativo no setor imobiliário. No contexto do Reino Unido, essas condições macroeconômicas adversas estão afetando negativamente tanto os compradores quanto os investidores, levando a uma reavaliação das estratégias de negócios e investimentos em propriedades.

Desafios para Compradores de Primeira Viagem:
Um dos grupos mais afetados por essa conjuntura são os compradores de primeira viagem. Estes indivíduos, que já enfrentam desafios consideráveis devido aos altos preços dos imóveis e à falta de histórico de crédito, estão agora ainda mais prejudicados pela descontinuação de programas de incentivo governamentais, como o "Help to Buy". Este programa oferecia uma série de benefícios, incluindo reduções fiscais e suporte financeiro, facilitando assim a entrada no mercado imobiliário. A ausência desses incentivos torna ainda mais difícil para esses compradores acumular o capital necessário para a compra de uma propriedade.

Impacto no Mercado de Ações e Repercussões para Investidores:
O alerta da Crest Nicholson teve um efeito imediato e drástico no mercado de ações, com uma queda de 10,6% no valor de suas ações. Este declínio não é apenas um golpe para a empresa, mas também tem implicações mais amplas para o setor, afetando empresas como Taylor Wimpey, Berkeley Group, Redrow, Persimmon e Barratt Developments. A volatilidade resultante no mercado de ações levanta questões sobre a confiança dos investidores a longo prazo e a necessidade de estratégias de mitigação de risco robustas.

Estratégias de Mitigação e Adaptação às Condições de Mercado:
Dado o ambiente econômico atual, as empresas do setor imobiliário precisam reavaliar e possivelmente reformular suas estratégias de negócios. Isso pode incluir a diversificação de portfólios, a exploração de novos mercados e a implementação de tecnologias inovadoras para reduzir custos e aumentar a eficiência.

Políticas Públicas e Futuro do Setor:
A ausência de programas de apoio governamental, como o "Help to Buy", levanta questões críticas sobre o futuro do setor imobiliário. É imperativo que os formuladores de políticas públicas considerem a implementação de novas políticas que possam facilitar a compra de propriedades, especialmente para compradores de primeira viagem.


Referências Bibliográficas
https://www.thesun.co.uk/money/23591881/house-builders-profit-interest-rates/

As crescentes preocupações sobre uma crise no enorme setor imobiliário da China

A Espiral Descendente da Economia Chinesa

Crise Imobiliária e Suas Repercussões Globais

A economia chinesa está enfrentando desafios sem precedentes, com analistas e economistas alertando para uma "espiral econômica descendente". Este artigo busca explorar a profundidade e a complexidade dessa crise, focando especialmente no setor imobiliário sobrecarregado de dívidas e suas implicações tanto na China quanto globalmente.

O Setor Imobiliário em Crise: Um Panorama

O setor imobiliário da China, que já foi um dos pilares do crescimento econômico do país, agora se tornou seu calcanhar de Aquiles. Com dívidas astronômicas e taxas de juros crescentes, o setor está em colapso. Grandes desenvolvedores como o Country Garden estão à beira da inadimplência, o que poderia desencadear uma crise financeira de proporções catastróficas.

Impacto Global: O Efeito Dominó

A crise imobiliária na China não é um problema isolado; ela tem ramificações globais. Nos Estados Unidos, os custos de empréstimos do governo atingiram um pico de 16 anos, alimentados pelo medo das repercussões de uma desaceleração na China. Isso destaca como a economia chinesa está entrelaçada com a saúde econômica global.

O Dilema do Banco Central Chinês

O Banco Central da China se encontra em uma encruzilhada. Embora cortes significativos nas taxas de juros sejam necessários para estimular a economia, tais medidas poderiam também comprometer a estabilidade financeira do país. A recente decisão do banco de fazer um corte modesto em uma das taxas de juros chave foi recebida com decepção e críticas.

Consequências Sociais: O Desemprego Juvenil

Um dos efeitos mais devastadores da crise é o aumento do desemprego entre os jovens. Com um quinto da população jovem desempregada, a crise não é apenas econômica, mas também social. Isso levanta questões sobre a sustentabilidade do crescimento chinês a longo prazo.

O Futuro Incerto: O Que Esperar?

O governo chinês está em uma posição delicada. Qualquer passo em falso pode ter consequências duradouras não apenas para a China, mas para a economia global. O equilíbrio entre o estímulo econômico e a estabilidade financeira nunca foi tão crítico.

A China está enfrentando uma "espiral econômica descendente" devido a uma crescente crise em seu setor imobiliário sobrecarregado de dívidas, alertam analistas. Sete bancos da cidade reduziram suas previsões de crescimento para a segunda maior economia do mundo na segunda-feira, após medidas de apoio do banco central consideradas "decepcionantes" e "fragmentadas".

Há crescentes preocupações sobre uma crise no enorme setor imobiliário da China, que está lutando sob o peso de enormes dívidas à medida que as taxas de juros aumentam. Uma crise na indústria afetou o crescimento e contribuiu para o país entrar em deflação. Um quinto dos jovens também está desempregado.

Economistas em Zurique mencionaram em uma nota: "A espiral econômica descendente da China continua, com o mercado imobiliário em seu núcleo." Eles veem uma necessidade urgente de um apoio governamental mais convincente e proativo para enfrentar o ciclo vicioso.

No contexto dos EUA, os custos de empréstimos do governo dispararam para um novo recorde de 16 anos na segunda-feira devido a temores de taxas de juros mais altas e as possíveis repercussões de uma desaceleração na China.

A motivação para mais pessimismo foi um corte na taxa de juros do banco central da China. Os oficiais reduziram uma das principais taxas de empréstimo da China na segunda-feira, mas mantiveram outra inalterada, decepcionando economistas que acreditam que cortes muito maiores são necessários para reviver a demanda e impulsionar a confiança do consumidor.

Tao Wang, economista da UBS, disse: "O apoio político do governo tem sido, sem dúvida, menor do que o indicado no início do ano e menor do que esperávamos."

O UBS reduziu suas previsões de crescimento para a China de 5,2% para 4,8% este ano e de 5% para 4,2% no próximo ano. Outros bancos, como Citi, Morgan Stanley, Barclays, JPMorgan, Deutsche Bank e Nomura, também reduziram suas previsões.

A economia da China tem enfrentado uma recuperação decepcionante de seus rigorosos bloqueios pandêmicos, que só terminaram no final do ano passado. Agora, está se inclinando para uma crise imobiliária após um segundo grande desenvolvedor enfrentar problemas.

Referências Bibliográficas

https://www.telegraph.co.uk/business/2023/08/21/china-facing-downward-spiral-as-property-crisis-deepens/

Bolha imobiliária: as dez frases que marcaram 2013

De negativa do Banco Central ao alerta de risco por parte de um Nobel de Economia, preço dos imóveis no Brasil ensejou debates acalorados; relembre o que foi dito


O esfriamento do mercado imobiliário brasileiro acendeu alertas no Brasil e no exterior. Já em abril, o diretor de fiscalização do Banco Central, Anthero Moraes Meirelles, vinha a público negar a existência de uma bolha imobiliária, e falava em "reequilíbrio" do setor. Não convenceu, e o termo entrou para o vocabulário econômico de 2013.
Em agosto, o americano Robert Shiller ajudaria a consolidar essa posição. Pouco antes de receber o Nobel de Economia 2013, o profeta das bolhas americanas afirmou suspeitar da existência de riscos semelhantes nos dois principais mercados imobiliários do País: Rio e São Paulo.  
Em novembro, seria a vez de Nouriel Roubini, o Dr. Apocalipse, dar sua contribuição, colocando o Brasil na lista de países envolvidos em bolhas imobiliárias. Alertou para o problema dias depois de o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fazer o mesmo, ainda que minimizando o possível impacto que o estouro teria no Brasil.
. Foto: ig
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Estouro que ocorreu em Brasília, avaliaram Ana Maria Castelo, pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV) e Carlos Hiram Bentes, presidente do Secovi-DF.
Outras negativas vieram, como as dos presidentes do Secovi-SP  – que representa o mercado imobiliário paulistano –, Claudio Bernardes, e do Creci-RJ (corretores de imóveis do Rio de Janeiro), Manoel da Silveira Maia. Também não convenceram, e o debate prossegue.
Há bolha imobiliária no Brasil? É difícil saber, em razão da escassez de dados sobre o mercado brasileiro, como disse Eduardo Zylberstajn, coordenador do Fipezap, um dos principais indicadores de preços de imóveis do País. E é preciso uma discussão constante sobre os riscos, avaliou Samy Dana, professor da FGV.
Bolha imobiliária, muito provavelmente, terá lugar garantido no vocabulário econômico de 2014.

Com preço alto no país, brasileiro mira imóvel no exterior

DANIEL VASQUES
DE SÃO PAULO

As crises econômicas, que atingiram fortemente os Estados Unidos e a Europa, tornaram realidade para muitos brasileiros o sonho de ter uma casa no exterior.
Os preços dos imóveis desabaram e, mesmo com a recuperação, ainda atraem quem busca investir ou ter uma casa para passar as férias. No Brasil, no sentido inverso, as residências ficaram muito mais caras.

De 2007 -quando os preços nos Estados Unidos começaram a cair- a outubro de 2013, o valor do metro quadrado dos lançamentos na capital paulista subiu 156%, para R$ 8.200, segundo a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio). No mercado americano, apesar da recuperação desde 2011, os preços estão, na média, abaixo do nível no período pré-crise, de acordo com a FHFA (Agência Federal de Financiamento Imobiliário, na sigla em inglês).
A comparação com os preços praticados no exterior, no entanto, deve ser feita de forma cuidadosa. Não basta saber se o imóvel é novo ou usado, mas também estado de conservação, detalhes do bairro, forma de pagamento e documentação exigida.
A variação cambial também deve ser levada em conta, principalmente se a compra for financiada. Por isso, informar-se sobre as perspectivas para moedas como dólar e euro ajuda no planejamento financeiro.
DESTINOS
Portugal e Espanha são os mercados preferidos dos brasileiros na Europa, atraindo pela proximidade cultural, preços depreciados e por permitir a obtenção de visto de residência para quem comprar imóveis a partir de € 500 mil (R$ 1,6 milhão).
Nos EUA, Miami é a principal porta de entrada. Segundo pesquisa da NAR (associação nacional de corretores, na sigla em inglês), os brasileiros foram os estrangeiros que mais adquiriram imóveis na cidade em 2012, atrás de argentinos e venezuelanos.
Como as economias desses países são consideradas instáveis, argentinos e venezuelanos de alta renda buscam mercados que sejam "portos seguros" para seu dinheiro.
"Os preços de Manhattan estão acima do nível pré-crise. Em Miami, estão chegando", diz Basilio Jafet, presidente da Fiabci Brasil (Federação Internacional das Profissões Imobiliárias).
Na América Latina, o destino é Punta del Este, no Uruguai. Brasileiros costumam utilizar a casa no balneário em parte do ano e alugá-la no restante, diz Renato Teixeira, da rede imobiliária Re/Max.

Falta de planejamento pode estragar sonho da casa própria

Pequenos detalhes podem virar dor de cabeça no futuro e até forçar a devolução do imóvel


Nunca os brasileiros tiveram acesso a tanto crédito e facilidades para adquirir a casa própria. Mas, na empolgação de assinar o contrato, muitos consumidores esquecem detalhes que podem virar dor de cabeça no futuro e até forçar a devolução do imóvel.
Os compradores devem estar cientes, por exemplo, do risco de a instituição bancária não liberar o financiamento que possibilitará honrar a dívida com a construtora ou de o valor sofrer alteração e ficar acima de sua capacidade de pagamento.
Além disso, precisam levar em conta que terão gastos consideráveis com taxas cartoriais e bancárias, além de itens como mudança e mobília. Entidades de defesa do consumidor alertam para a necessidade de o comprador estar atento, já que, interessados em fechar negócio, muitas vezes os corretores e construtoras falham em fornecer informações a respeito.
“Estamos tendo muita reclamação, pois acontece de os imóveis valorizarem e não se encaixarem mais no limite de crédito que o comprador se propôs a tomar”, explica o advogado Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec).
Thinkstock/Getty Images
É preciso considerar gastos com taxas cartoriais e bancárias, além de itens como mudança e mobília
Segundo ele, um caso típico tem sido o imóvel ter valorização superior a R$ 170 mil, limite financiado pelo Programa Minha Casa, Minha Vida nas capitais brasileiras. Nesse caso, o consumidor não tem mais acesso aos juros reduzidos do programa e as prestações sobem. De acordo com Tardin, em ocorrências do tipo, o comprador pode buscar na Justiça uma rescisão do contrato e tentar receber de volta os valores desembolsados.
“Há ainda a possibilidade de mover uma ação de obrigação de fazer contra a Caixa [Econômica Federal, agente financeiro do Minha Casa, Minha Vida]. Se o mercado valorizou, o consumidor não tem culpa”, avalia.
Para a advogada Maria Inês Dolci, coordenadora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), é necessário haver pressão sobre as empresas envolvidas para que haja mais clareza nas negociações e no texto do contrato. "O consumidor tem de estar muito ciente do risco e tem de estar previsto o que ocorrerá e quais valores serão devolvidos no caso de o financiamento não ser liberado", explica.
Segundo a advogada, a promessa de compra e venda entre consumidor e construtora precisa informar ainda o custo efetivo total envolvido na operação. "Todos os encargos, tudo que incide de ônus deve estar discriminado. Se o consumidor perceber que não tem, pode questionar, procurar os Procons ou a Justiça", informa.
Passada a primeira fase e liberado o financiamento, o comprador precisa se preparar para as taxas cartoriais e bancárias. Os custos de cartório não chegam a ser informados no contrato, porque são calculados posteriormente pelo Poder Público municipal e estadual.
Quem financiou o bem precisa arcar com o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis Intervivos (ITBI) e o registro do imóvel. Nesses casos, o contrato com o banco já equivale a uma escritura. Quem pagou à vista, no entanto, deve arcar ainda com a taxa para confecção de uma escritura pública.
Somadas, essas tarifas, que têm por base o valor do bem e cujo cálculo varia segundo a localidade do país, podem atingir de 3% a 5% do custo da casa própria. Além disso, dependendo do banco que fará o financiamento, podem ser cobradas taxas de cadastro e de abertura de crédito, entre outras.
O educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), destaca que esses custos podem abalar um orçamento contigenciado e que, por isso, o ideal é planejar com antecedência e construir uma reserva.
"Vale lembrar que o imóvel na planta não tem armários e outras benfeitorias. O nosso sistema não é como na Inglaterra, em que se financia 100% do valor e ainda se tem crédito para mobiliar. Também tem que prever os gastos com mudança, condomínio, IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano]. Tudo isso tem que ser objeto de análise muito antes [da compra]. Não só o que se gastará no começo, mas também o dia a dia da nova casa. Se não, o risco é entrar em desequilíbrio financeiro ou até devolver o imóvel", comenta.
Segundo Domingos, a dica para poupar é fazer uma estimativa dos gastos totais, avaliar quanto falta para atingir o montante e diagnosticar quanto pode ser posto de lado por mês para fazer face às despesas. "Tem que começar a buscar uma redução de gastos e excessos. Reunir todos da família e melhorar o desempenho do orçamento familiar", sugere.
Um direito que muitos brasileiros não sabem que existe e que pode aliviar os pesados desembolsos que envolvem a aquisição de um imóvel, é o desconto de 50% no registro cartorial para quem está adquirindo sua primeira casa pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O benefício é previsto na Lei 6.015, de 1973, e vale para o território nacional.
Para receber o abatimento, basta estar declarado no contrato de aquisição que se trata do primeiro imóvel. A compra de imóveis dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida também dá direito a custos reduzidos. O Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), no entanto, regido por uma lei diferente da que regula o SFH - o sistema permite financiar imóveis acima de R$ 500 mil e não prevê uso do FGTS, entre outras diferenças - não dá direito a abatimento.
Segundo a Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg), caso o cartório se recuse a conceder o desconto devido, o cliente pode registrar queixa junto à Corregedoria do Tribunal de Justiça da Região.

Investidor ainda foge de fundo imobiliário

Número volta a cair em setembro e volume negociado recua 8%; para analista, pior já passou

Agência Brasil
Lastro em tijolo sugeria a investidores que perda em FIIs era muito pouco provável
Os fundos imobiliários (FIIs) continuam a perder clientes, apesar de o setor dar sinais de recuperação. Em setembro, o número de investidores nesse tipo de aplicação, que crescera quase ininterruptamente até junho, recuou novamente, pra 101.710 mil, o menor número desde fevereiro deste ano. 
A fuga decorre do desempenho cambaleante que os FIIs têm tido ao longo de 2013. De janeiro a setembro, o Ifix – indicador que reflete o desempenho dos fundos imobiliários negociados em bolsa – caiu 11%, de acordo com dados da BM&FBovespa. Desde junho, o valor de mercado dos FIIs negociados em bolsa tem sido reiteradamente menor do que o patrimônio que eles têm nas carteiras – em agosto, ficou 11% menor.
E, como apontam analistas, as perdas têm sido generalizadas, o que dificulta a vida do investidor. De acordo com dados da Economática, entre os cinco FIIs com as piores quedas nos retornos neste ano estão um fundos que investem em outros fundos e títulos imobiliários (BTG Fundo de Fundos, -29,95% e Maxi Renda, -26,7%), em escritórios (BB Votorantim JHSF Cidade Jardim Continental Tower, -27,16%; Memorial Office, -26,33%) e shoppings (Floripa Shopping, -26,33%). 

Fuga de fundo

Número de investidores de fundos imobiliários continua em trajetória de queda
Fonte: BM&FBovespa
Os produtos também têm se tornado menos líquidos. O volume negociado recuou 8% em setembro em relação a agosto, para R$ 471,2 milhões, o menor valor desde novembro de 2012.
Susto
O desempenho ruim dos FIIs ainda é melhor do que o das ações: neste ano, o Ibovespa já recuou 14% e o Imob, que reflete os títulos de empresas do setor imobiliário, 17%. Mas o tombo foi suficiente para assustar investidores que não contavam que os FIIs, por serem lastreados em tijolo (ainda que indiretamente, via fundos de títulos imobiliários), também poderiam cair.
“As pessoas pensavam ‘em imóvel você não perde dinheiro’. E começaram a perder”, diz Michael Viriato, professor de finanças do Insper, instituto de ensino e pesquisa. “Com imóvel você também perde dinheiro, mas no físico você não vê o valor flutuando [ como nos fundos imobiliários ].”
Para Viriato, o que jogou contra os fundos foi a elevação das taxas de juros de mercado em antecipação das altas da Selic realizadas pelo Banco Central. Na última quarta-feira, data da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica da economia chegou a 9,5%, na 5ª elevação consecutiva.
O professor do Insper acredita, entretanto, que o pior já passou. Apesar da queda no conjunto do ano, em setembro o Ifix registrou a primeira alta após três meses consecutivos de recuo, segundo os dados da BM&FBovespa. Por isso, quem permaneceu com os títulos não deve se desfazer deles, aconselha Viriato.
“A visão do mercado hoje é de que pode haver mais um aumento [ da taxa Selic ] e acabou. Dado isso e, se a economia brasileira não se deteriorar, pode haver uma elevação tanto do Idiv [ índice das ações que pagam bons dividendos, como os fundos imobiliários ] como dos fundos imobiliários”, diz o professor.
A saída de investidores também deve ser estancada. 
"Grande parte dos investidores que não entendiam o produto fundo imobiliário já saíram. Cada vez mais você verá menos pessoas saindo."

O pior (talvez) já passou

Ifix, que mede desempenho dos fundos, dá sinais de recuperação
Fonte: Economática, elaboração Michael Viriato

HOME MERCADOS EMPRESAS FINANÇAS PESSOAIS COLUNAS CARREIRAS MAIS SITES Preço dos imóveis cai em 3 dos 10 bairros mais caros do Brasil em outubro

Recuo do valor do m² de Leblon e Jardim Botânico, no Rio, e de Jardim Europa, em SP, é mais um indicador de que era da alta indiscriminada de preços chegou ao fim


Getty Images
Leblon: símbolo da alta expressiva de preços do mercado imobiliário sofre queda
Os imóveis de três dos dez bairros mais valorizados do Brasil estão – ligeiramente – mais baratos. Símbolos da disparada do preços no mercado de imóveis brasileiro, que levantou especulações sobre a existência de uma bolha imobiliária , Leblon e Jardim Botânico (no Rio) e Jardim Europa (em São Paulo), tiveram queda no valor do metro quadrado em outubro em relação a setembro, segundo o índice Fipezap, que apura o valor pedido por quem quer vender a propriedade.
O m² mais caro do Brasil continua a ser o do Leblon: R$ 21.886. Esse valor, entretanto, caiu 0,9% em outubro, e é o menor desde maio de 2013. No Jardim Botânico, o m² recuou 0,5%, para R$ 15.172. Em São Paulo, o preço no Jardim Europa caiu pela primeira vez desde abril, para  R$ 10.768 – 1% do que o valor de maio.
“Nesses dois bairros [ Leblon e Jardim Botânico ], que vinham sofrendo uma valorização expressiva, há um ajuste de preço”, diz Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio, para quem a queda de preços na Zona Sul do Rio é pontual. “Acho que o preço vai se manter e crescer ao nível da inflação. Houve um ajuste nesse mês [ outubro ]”.
Pequenos, mas simbólicos 
Pequenos e pontuais, os recuos indicam menos uma situação alarmante do que um cenário mais complexo para o mercado imobiliário, avalia Eduardo Zylbestajn, coordenador do indicador.
“Apesar de não serem quedas expressivas, mostram uma mudança de situação. O momento não é mais o mesmo que a gente viveu em que subia em todos os lugares”, afirma.
Nessa nova situação, ressalta o economista, os preços vão variar de forma mais diversificada, respeitando as características de cada local. No caso carioca, ao mesmo tempo em que caíram no Leblon e no Jardim Botânico – e, segundo o Secovi Rio, em Copacabana (-1,07%) –, os preços do m² subiram na Gávea (0,4%), na Lagoa (1,3%) e em Ipanema (0,9%), na mesma Zona Sul.
“Vai haver cada vez mais dinâmicas localizadas ditando o ritmo dos preços. E isso vale também para as cidades. E isso é o normal”, diz Zylberstajn, da Fipe. O atípico, diz ele, é um aumento indiscriminado.
Mais próximo da inflação 
Os desempenhos municipais também ilustram essa diversidade. No acumulado de 12 meses encerrados em outubro, o m² em Curitiba valorizou 38,4%, quase o triplo da média do composto de 16 cidades avaliadas pelo Fipezap, de 13,4%. Já em Brasília, a alta foi de 4,7% – aproximadamente um terço da média.
O Rio teve um aumento acumulado mais próximo da média –  14,7% –, mas vem em trajetória de queda nos últimos três meses, enquanto a tendência nacional é de valorização. Em São Paulo, a valorização dos imóveis voltou a acelerar ligeiramente, para 13,4% em outubro ante 13,3% em setembro.
Embora distante dos recordes atingidos nos últimos anos  – no Rio, a valorização chegou a 44% ao ano em junho de 2011 e em São Paulo, a 29% em julho do mesmo ano – esses indicadores ainda estão bastante acima da inflação acumulada no período. 
O Índice Nacional da Construção Civil (INCC), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), estava em 8,08% em outubro – ante os 13,4% do Fipezap. A inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 5,69% em setembro.
Para Zylberstajn, da Fipe, quem pensa em comprar imóvel para investir não deve contar com intervalos tão expressivos no futuro.
“Não recomendo que as pessoas contem com uma valorização acima da inflação para sempre.”

Salvador: alta de 13,6% nos 12 meses encerrados em outubro; recorde foi de 13,8% em setembro de 2013. Foto: Agência Estado

Desafio iG bolha imobiliária: "chegamos ao limite de ajuste de preço"

Afirmação é de Claudio Bernardes, do Secovi, que discutiu com o economista Samy Dama a desaceleração da valorização dos imóveis; ambos criticam venda casada nos bancos.

De agosto de 2011 a agosto de 2013, o preço dos imóveis no Brasil deixou de subir 30% ao ano e passou a subir 12,9%, segundo o índice Fipezap. A desaceleração brusca, ocorrida enquanto a reflexos da crise das hipotecas americanas de 2008 ainda ecoa no mundo, atiçou o debate sobre a existência de uma bolha imobiliária no País.
Para debater a questão , o programa "Desafio" – que, semanalmente, traz dois convidados e os estimula a defender seus pontos de vista sobre um tema polêmico – colocou frente a frente um economista que tem alertado para esse risco e um empresário do setor imobiliário que o nega.
De um lado, Samy Dana, professor da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV). De outro, o engenheiro Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, o sindicato do setor imobiliário de São Paulo, e da incorporadora Ingaí.

Reprodução/TV iG
O economista Samy Dana (esq.), da FGV, e o engenheiro Claudio Bernardes, do Secovi-SP, debatem bolha imobiliaria no Desafio iG