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Pré-sal não diminuirá competitividade do álcool, afirma presidente da EPE

O aumento da produção de petróleo na camada pré-sal não vai diminuir a perspectiva de crescimento da produção de álcool no país. A afirmação foi feita nesta sexta-feira pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, em seminário promovido pela Associação de Analistas e Profissionais de Investimento do Rio de Janeiro (Apimec/RJ).
Para Tolamsquim, o pré-sal não afeta a matriz elétrica porque a tendência, com o aumento da produção de petróleo, é de exportar derivados. Ele acredita também que não haverá aumento do uso do petróleo no setor elétrico, porque as usinas térmicas a óleo são menos competitivas e poluem mais. “O petróleo do pré-sal, certamente, será exportado. A matriz elétrica continuará renovável. O pré-sal é muito importante, mas não muda a matriz”, assegurou.
Ele lembrou que o uso principal do álcool é no transporte, onde o produto é bem competitivo. O álcool compete com a gasolina, com o barril de petróleo a US$ 40, afirmou. Como o Brasil tem uma política de manter os preços internos atrelados ao mercado internacional, Tolmasquim considerou difícil imaginar o petróleo com um valor menor que esse. Segundo avaliou, o álcool vai continuar sendo mais competitivo para os consumidores.
A EPE, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, está revendo a previsão de consumo de álcool que, de acordo com o Plano Decenal de Energia, atingirá 64 bilhões de litros em 2017. Os estudos estão em curso. Tolmasquim estimou, no entanto, que o volume deve ficar um pouco abaixo desse número, “por causa da economia”.
Segundo ele, o modelo regulatório do pré-sal foi discutido amplamente com toda a sociedade e a imprensa noticiou o novo modelo praticamente antes de seu anúncio pelo governo federal. “Portanto, o que saía nos jornais era acompanhado de comentários de especialistas de análises. O debate está ocorrendo há muito tempo. Não começou agora”.
O presidente da EPE afirmou que a indústria tem emitido opiniões sobre o modelo e poderá apresentar sugestões agora no Congresso. Ele avaliou que 90 dias são um tempo bastante razoável para fazer alterações no modelo, “se necessário". Pode ter bastante discussão em 90 dias”.
Tolmasquim disse que a Petrobras, como operadora do pré-sal, traz o grande benefício para o país de ter conhecimento melhor dos recursos estratégicos. Os investimentos que a empresa fará em pesquisa e desenvolvimento “podem ter o efeito, guardadas as proporções, da Nasa [Agência Espacial dos Estados Unidos]”.
O modelo do pré-sal não afasta os investidores estrangeiros, acrescentou. Segundo Tolmasquim, a Petrobras está em todos os consórcios do pré-sal, associada a outras empresas.

 

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/09/04/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=126041/em_noticia_interna.shtml

Governo define sócios na exploração do pré-sal

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou que a comissão interministerial do pré-sal estuda a alternativa em que a petrolífera que oferecer a maior parcela da produção à União será a futura sócia da estatal a ser criada para administrar as reservas de petróleo do pré-sal, localizada abaixo do leito marinho. "Essa é uma possibilidade. É o modelo que eu defendo. Mas não posso definir isso sozinho", disse Lobão, que participou segunda-feira do Abinee TEC 2009, em São Paulo.
Lobão é um dos principais defensores da criação de uma estatal para administrar as reservas do pré-sal, seguindo o princípio já adotado na indústria de petróleo e gás na Noruega. O ministro propõe também que o Brasil adote o modelo de partilha de produção. Neste modelo, a nova estatal realizaria leilões para escolher parceiros para investir em áreas do pré-sal. Com isso, a escolha do sócio recairia sobre a petrolífera que oferecesse ao governo a maior parcela de sua produção. "Em 15 dias, iremos apresentar as propostas para avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", acrescentou Lobão.
Definida a proposta pelo presidente Lula, Lobão afirmou que o governo federal vai encaminhar um projeto de lei estabelecendo o marco regulatório para o pré-sal brasileiro. "Não faremos a mudança via medida provisória, porque queremos uma discussão ampla com o Congresso Nacional”, disse ministro. Para garantir que a tramitação entre os deputados federais e os senadores seja rápida, Lobão afirmou que existe a possibilidade de o presidente Lula solicitar o caráter de urgência para esta matéria. "O Congresso terá, no mínimo, um semestre para discutir e aprovar o tema. Mas o presidente tem a faculdade de recomendar uma tramitação urgente, o que é previsto na Constituição. Com isso, o projeto de lei seria aprovado em três ou quatro meses", disse Lobão.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/06/02/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=112842/em_noticia_interna.shtml