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CRISE e o NOVO MAPA MUNDIAL DOS CARROS: O QUE PREVIMOS EM 2009 E O QUE REALMENTE ACONTECEU ATÉ 2026

🚗🌎 CRISE CRIOU UM NOVO MAPA MUNDIAL DOS CARROS: O QUE PREVIMOS EM 2009 E O QUE REALMENTE ACONTECEU ATÉ 2026


China virou a maior potência automobilística do planeta, Toyota superou definitivamente a General Motors, Fiat e Chrysler acabaram dentro da Stellantis, BYD transformou a indústria de elétricos e o Brasil entrou novamente no centro da disputa global. Dezessete anos depois, revisitamos uma reportagem publicada em 2009 para descobrir quais previsões estavam certas — e quais foram atropeladas pela história.

📅 Atualizado em 11 de setembro de 2026

Há textos jornalísticos que envelhecem.

Outros se transformam em documentos históricos.

Em 2009, no auge de uma das maiores crises já enfrentadas pela indústria automobilística mundial, publicamos uma análise com um título que, visto em 2026, parece quase profético:

👉 “Crise pode gerar novo mapa global do setor automotivo.”

Naquele momento, a General Motors estava em concordata, a Chrysler passava para a órbita da Fiat, Toyota avançava sobre as fabricantes americanas, Volkswagen e Porsche protagonizavam uma complexa disputa societária e a China começava a ameaçar a histórica supremacia industrial de Estados Unidos e Japão.

O Brasil aparecia como candidato a ganhar espaço.

Fabricantes japoneses e sul-coreanos ampliavam investimentos.

E havia uma sensação inequívoca de que alguma coisa muito grande estava acontecendo na indústria mundial do automóvel.

Só que ninguém, naquele junho de 2009, poderia dimensionar completamente a magnitude do terremoto que viria.

⚡ Dezessete anos depois, não temos apenas um novo mapa automobilístico.

Temos uma nova geopolítica do automóvel.

E ela envolve China, baterias, veículos elétricos, semicondutores, inteligência artificial, software, minerais críticos, tarifas comerciais, cadeias globais de suprimentos e uma batalha tecnológica que vale centenas de bilhões de dólares.

A pergunta que fazíamos em 2009 era:

Quem ocupará o espaço deixado pelas montadoras americanas em crise?

Em 2026, a pergunta mudou radicalmente:

Quem conseguirá competir com a China na próxima geração da indústria automobilística?

E a resposta começa com uma história extraordinária.


🔙 VOLTE PARA 2009: GM E CHRYSLER PARECIAM SÍMBOLOS DE UMA ERA QUE ESTAVA TERMINANDO

Em 2009, a indústria automobilística estava no epicentro da crise financeira internacional iniciada no ano anterior.

A General Motors, durante décadas um dos maiores símbolos industriais dos Estados Unidos, entrou com pedido de proteção contra credores em 1º de junho de 2009.

Era algo quase inimaginável.

Durante boa parte do século XX, GM não era apenas uma fabricante de automóveis.

Era uma representação do próprio poder industrial americano.

Chegou-se a popularizar nos Estados Unidos uma frase atribuída ao então presidente da companhia Charles Wilson:

“O que é bom para a General Motors é bom para a América.”

Em 2009, porém, a empresa acumulava dívidas, estruturas industriais excessivamente pesadas, custos elevados e uma linha de produtos que enfrentava concorrentes asiáticos cada vez mais eficientes.

A recuperação judicial mudou profundamente a empresa.

A GM emergiu da reorganização menor, mais concentrada e com um portfólio reduzido.

🚨 Aquilo que parecia impossível havia acontecido:

a maior potência automobilística do século XX havia sido obrigada a se reconstruir praticamente do zero.


🇮🇹 CHRYSLER + FIAT: UMA DAS PREVISÕES DE 2009 QUE MUDOU COMPLETAMENTE A INDÚSTRIA

Outra protagonista daquele momento era a Chrysler.

Em nossa reportagem de 2009, já aparecia a decisão judicial que permitiria a transferência de ativos da montadora americana para uma operação liderada pela italiana Fiat.

O movimento parecia, naquele momento, uma solução emergencial.

Mas acabou criando uma cadeia de acontecimentos que mudaria a estrutura societária da indústria global.

Primeiro, Fiat e Chrysler aproximaram-se.

Depois, a Fiat assumiu integralmente o controle da Chrysler.

Em 2014 surgiu a Fiat Chrysler Automobiles — FCA.

Mas a história ainda estava longe de terminar.

Em 16 de janeiro de 2021, FCA e o francês Groupe PSA, controlador de Peugeot e Citroën, concluíram sua fusão.

Nascia a Stellantis.

O resultado é impressionante quando comparado com aquilo que escrevíamos em 2009.

Naquela época, Chrysler, Fiat e Peugeot eram grupos distintos tentando encontrar posições estratégicas em meio à crise.

Em 2026, estão essencialmente dentro da mesma estrutura empresarial.

🚘 Entre as marcas reunidas pela Stellantis estão:

Fiat, Jeep, Chrysler, Ram, Peugeot, Citroën, Opel, Vauxhall, Alfa Romeo, Lancia, Dodge, DS Automobiles, Abarth e Maserati.

Ou seja:

📌 2009: falávamos sobre possíveis alianças.

📌 2026: uma dessas alianças criou um dos maiores conglomerados automobilísticos do planeta.

A consolidação prevista naquele momento não foi conjuntural.

Tornou-se estrutural.


🚗 TOYOTA: A AMEAÇA JAPONESA DE 2009 VIROU A MAIOR MONTADORA DO MUNDO

Nossa reportagem chamava atenção para outro movimento.

As fabricantes japonesas pareciam estruturalmente mais preparadas que algumas rivais americanas para disputar o novo consumidor global.

Toyota, Honda e Nissan tinham forte presença em automóveis pequenos e médios, exatamente os segmentos que ganhavam importância depois da crise.

A Toyota acabou sendo a maior confirmação dessa tendência.

Em 29 de janeiro de 2026, a própria Toyota publicou seus resultados consolidados de produção e vendas de 2025, incluindo Toyota, Lexus, Daihatsu e Hino.

Ao considerar o grupo, as vendas mundiais ficaram na casa de 11 milhões de veículos em 2025, mantendo a Toyota na liderança mundial.

É uma inversão histórica extraordinária.

Durante décadas, a General Motors foi a referência absoluta de escala industrial.

Em 2009, víamos Toyota avançando.

Em 2026, a discussão já não é se Toyota pode ultrapassar a GM.

Isso aconteceu há muito tempo.

A Toyota tornou-se o paradigma contemporâneo de produção em larga escala, eficiência industrial, confiabilidade e domínio de sistemas híbridos.

📊 O fenômeno também demonstra como o Toyota Production System, o just-in-time e os princípios de produção enxuta ultrapassaram os limites de uma empresa e influenciaram praticamente toda a manufatura moderna.


🇨🇳 A MAIOR PREVISÃO DE 2009: A CHINA REALMENTE TOMOU O CENTRO DO MAPA

Talvez nenhuma passagem do texto original seja tão impressionante quanto esta:

👉 “Este ano, a China deve assumir a liderança, tornando Xangai a nova capital do automóvel.”

Era 2009.

Naquele momento, muitos ainda enxergavam a indústria chinesa como produtora de veículos de baixo custo destinados principalmente ao mercado interno.

Dezessete anos depois, essa percepção parece pertencer a outro universo.

A China não apenas se tornou a maior produtora de automóveis do planeta.

Ela passou a controlar uma parcela gigantesca da nova cadeia tecnológica do automóvel elétrico.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a China respondeu por quase 75% de todos os automóveis elétricos produzidos no mundo em 2025.

Sim.

Leia novamente:

🔥 aproximadamente três em cada quatro carros elétricos fabricados no planeta em 2025 vieram da China.

Esse dado muda completamente a análise econômica do setor.

A liderança chinesa já não depende apenas de mão de obra competitiva ou grande mercado consumidor.

Ela é resultado de décadas de política industrial envolvendo:

🔋 baterias;

⚡ eletrificação;

🧠 software;

🏭 escala produtiva;

⛏️ processamento de minerais;

📡 conectividade;

🤖 automação;

🚘 desenvolvimento acelerado de novos modelos.

Em 2009, o mundo perguntava se a China conseguiria ultrapassar Estados Unidos e Japão.

Em 2026, a pergunta relevante é:

quanto tempo levará para os concorrentes reduzirem a vantagem chinesa em determinados segmentos da mobilidade elétrica?


⚡ O NÚMERO QUE DEFINE 2026: 1 EM CADA 4 CARROS NOVOS VENDIDOS NO MUNDO JÁ É ELÉTRICO

Existe um dado capaz de resumir toda a transformação ocorrida desde nossa reportagem original.

Segundo o Global EV Outlook 2026, da International Energy Agency — IEA, as vendas mundiais de automóveis elétricos cresceram cerca de 20% em 2025 e superaram 20 milhões de unidades.

Isso significa que:

⚡ aproximadamente 25% de todos os automóveis novos vendidos no planeta em 2025 foram elétricos.

Um quarto do mercado global.

Mas a revolução é extremamente desigual.

Na China, cerca de 55% dos automóveis novos comercializados em 2025 eram elétricos. Foram mais de 13 milhões de unidades somente naquele país.

A China respondeu por aproximadamente seis em cada dez elétricos vendidos globalmente.

Essa diferença é decisiva.

Enquanto vários mercados ainda discutem quando ocorrerá a transição para a mobilidade elétrica, na China ela já está em pleno processo de massificação.

🚨 Isso modifica não apenas o motor do automóvel.

Modifica toda a arquitetura industrial.

Um carro elétrico exige outra estrutura de fornecedores, outra expertise eletrônica, outros componentes, outra infraestrutura energética e uma quantidade muito maior de software embarcado.

É praticamente uma reconstrução do automóvel.


🐉 BYD: A EMPRESA QUE QUASE NÃO APARECIA NO RADAR GLOBAL EM 2009 E VIROU SÍMBOLO DE 2026

Existe talvez uma empresa que sintetize melhor essa transformação:

BYD.

Em 2009, quando publicamos nossa análise, as discussões internacionais estavam concentradas em nomes como:

Toyota.

General Motors.

Volkswagen.

Ford.

Honda.

Nissan.

Hyundai.

Fiat.

Renault.

Peugeot.

Hoje seria impossível discutir a indústria automobilística mundial sem dedicar enorme atenção às fabricantes chinesas.

E BYD está no centro desse fenômeno.

O mais interessante é que o crescimento chinês deixou de representar apenas exportação de veículos fabricados na Ásia.

A China começou a construir fábricas dentro dos próprios mercados que pretende disputar.

E o Brasil tornou-se peça importante dessa estratégia.


🇧🇷 BYD EM CAMAÇARI: O MAPA GLOBAL CHEGOU AO BRASIL

Em 9 de outubro de 2025, a BYD inaugurou oficialmente seu complexo automobilístico em Camaçari, na Bahia.

A localização tem forte simbolismo histórico.

É justamente onde funcionava a antiga fábrica da Ford, montadora americana que encerrou sua produção de veículos no Brasil em 2021.

Agora pense no significado geoeconômico disso:

🇺🇸 uma fábrica associada durante décadas à expansão industrial americana;

⬇️

🇨🇳 substituída por uma das maiores representantes da nova indústria automobilística chinesa.

Poucos acontecimentos representam tão perfeitamente a transformação do setor entre 2009 e 2026.

Em janeiro de 2026, a BYD informou que sua unidade baiana já se aproximava de 20 mil veículos produzidos.

E o avanço continuou.

Dados divulgados pela própria empresa indicam que, em julho de 2026, o complexo já havia alcançado a marca de 100 mil automóveis produzidos, juntamente com forte expansão da força de trabalho.

Em Camaçari são produzidos veículos como Dolphin Mini, King e Song Pro.

A companhia informou anteriormente capacidade inicial de cerca de 150 mil unidades anuais, com previsão de expansão posterior.

É uma alteração estrutural do parque automotivo brasileiro.


🏭 E NÃO É SÓ A BYD: GWM TRANSFORMOU IRACEMÁPOLIS EM OUTRO POLO CHINÊS

Outra gigante chinesa também iniciou produção local.

A Great Wall Motor — GWM inaugurou sua fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo, em agosto de 2025.

A unidade pertenceu anteriormente à Mercedes-Benz/Daimler.

Segundo a própria GWM, a instalação possui capacidade inicial aproximada de 50 mil veículos por ano.

Isso significa que o Brasil está passando por uma segunda grande onda de internacionalização automobilística.

A primeira foi marcada principalmente por empresas americanas e europeias.

Depois vieram japonesas e sul-coreanas.

Agora chegam as chinesas.

📌 O ciclo histórico pode ser resumido assim:

🇺🇸 Ford e GM;

🇩🇪 Volkswagen e Mercedes-Benz;

🇮🇹 Fiat;

🇫🇷 Renault e PSA;

🇯🇵 Toyota, Honda e Nissan;

🇰🇷 Hyundai;

🇨🇳 BYD, GWM e outras.

O Brasil continua sendo um dos poucos países emergentes capazes de hospedar praticamente todas as grandes escolas industriais do automóvel.


🇧🇷 ENTÃO O BRASIL VENCEU A APOSTA QUE FIZEMOS EM 2009?

A resposta exige cuidado.

Sim e não.

Em 2009 afirmávamos que o Brasil poderia conquistar novos mercados e aproveitar o rearranjo da indústria mundial.

Essa oportunidade realmente existiu.

O país manteve uma das maiores bases industriais automobilísticas do mundo.

Mas outros mercados cresceram em velocidade ainda maior.

Em 2008, o Brasil havia alcançado aproximadamente a sexta posição entre os maiores produtores globais.

Posteriormente perdeu posições.

Ainda assim, permanece entre os grandes produtores mundiais.

E 2026 mostra sinais importantes de recuperação.

Segundo a Anfavea, somente em maio de 2026 foram produzidos 253,6 mil autoveículos, crescimento de 15,2% sobre maio de 2025 e melhor resultado para aquele mês desde 2019.

Entre janeiro e maio, a produção acumulou:

🚗 1,126 milhão de veículos

📈 alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025.

O milhão de unidades foi superado já em maio.

Isso demonstra que a indústria brasileira continua possuindo escala significativa.

Mas há uma contradição importante.


⚠️ BRASIL VENDE MAIS CARROS, MAS A INDÚSTRIA LOCAL ENFRENTA UMA NOVA PRESSÃO

Em julho de 2026, diante da força das vendas domésticas, a Anfavea revisou suas projeções.

A entidade passou a estimar que o Brasil poderia terminar o ano com mais de 3 milhões de autoveículos emplacados, marca que não era alcançada desde 2014.

Se confirmada, a expansão significará aproximadamente:

📈 +11,7% sobre 2025.

É um número expressivo.

Entretanto, existe uma questão estratégica:

as vendas crescem mais rapidamente do que a produção nacional.

Por quê?

Em boa medida porque importações ganharam participação.

A própria Anfavea alertou que o aumento das importações, combinado à queda das exportações, limita a expansão produtiva brasileira.

Em outras palavras:

🚗 o brasileiro está comprando mais carros;

🏭 mas parte crescente dessa demanda pode não gerar produção proporcional dentro do Brasil.

Esse é um dos maiores dilemas industriais de 2026.


🌎 E AS EXPORTAÇÕES? AÍ ESTÁ UM DOS PONTOS MAIS DELICADOS

O Brasil historicamente utiliza países latino-americanos como destinos importantes para sua produção.

Argentina, México, Chile, Colômbia, Uruguai e outros mercados possuem papel estratégico.

Mas a concorrência mudou.

Em julho de 2026, a Anfavea projetou uma queda de aproximadamente 12,8% nas exportações brasileiras de veículos no ano.

Entre os fatores identificados estavam:

📉 redução de demanda em mercados tradicionais;

🇨🇳 maior presença de veículos chineses;

🇲🇽 competição de produtos fabricados no México.

Esse ponto merece atenção especial.

A China não está competindo apenas pelo consumidor brasileiro.

Ela está disputando também os mercados latino-americanos para os quais o Brasil tradicionalmente exportava.

Portanto, o problema deixou de ser apenas:

“quantos veículos chineses chegam ao Brasil?”

A questão mais profunda tornou-se:

quanto da América Latina continuará comprando veículos produzidos no Brasil?


🔋 A NOVA GUERRA NÃO É SÓ POR CARROS — É POR BATERIAS, SOFTWARE E TECNOLOGIA

Aqui está a maior diferença entre 2009 e 2026.

Em 2009, uma montadora competitiva precisava dominar principalmente:

motores;

transmissões;

plataformas;

estamparia;

soldagem;

pintura;

montagem;

cadeia de fornecedores.

Tudo isso continua importante.

Mas agora há uma nova camada tecnológica.

O automóvel moderno está se tornando uma combinação de:

🔋 bateria;

⚡ eletrônica de potência;

🧠 inteligência artificial;

💻 software;

📡 conectividade;

📷 câmeras;

📍 sensores;

☁️ serviços digitais;

🤖 sistemas avançados de assistência ao motorista.

Por isso surge uma expressão cada vez mais importante:

software-defined vehicle — SDV.

Ou, em português:

veículo definido por software.

A lógica é semelhante à transformação ocorrida com os telefones celulares.

Durante décadas, um telefone era essencialmente hardware.

Depois do smartphone, o software passou a determinar boa parte da experiência do consumidor.

O mesmo processo começa a ocorrer no automóvel.

E isso significa que empresas de tecnologia, semicondutores e inteligência artificial passaram a integrar a cadeia de valor automobilística de maneira muito mais profunda.


🧠 O CARRO DE 2026 ESTÁ MAIS PRÓXIMO DE UM COMPUTADOR SOBRE RODAS

Essa frase já virou clichê no setor.

Mas ela contém uma verdade econômica importante.

No automóvel tradicional, grande parte da diferenciação vinha da engenharia mecânica.

No novo automóvel conectado, parte crescente da diferenciação vem de:

interfaces;

sistemas operacionais;

atualizações remotas;

processamento de dados;

assistência à condução;

gerenciamento eletrônico;

eficiência energética;

integração com smartphones;

ecossistemas digitais.

Consequentemente, a competição deixa de envolver apenas Toyota versus Volkswagen ou GM versus Ford.

Ela envolve também fornecedores e empresas especializadas em:

semicondutores;

baterias;

software;

computação;

inteligência artificial;

infraestrutura de carregamento.

É outra indústria.

Ou, mais precisamente:

é a velha indústria automobilística sendo incorporada a uma nova indústria digital e energética.


📊 2009 × 2026: ACERTAMOS OU ERRAMOS?

Chegou o momento mais interessante.

Vamos confrontar diretamente as grandes hipóteses de 2009 com o mundo real de 2026.

🇨🇳 “A China deverá assumir a liderança mundial.”

✅ ACERTOU — E FOI ALÉM.

A China tornou-se o maior centro automobilístico global e, segundo a IEA, produziu quase 75% dos carros elétricos do planeta em 2025.


🇯🇵 “Toyota deverá ganhar espaço diante da crise americana.”

✅ ACERTOU.

Toyota tornou-se líder mundial e manteve escala superior à de seus principais concorrentes tradicionais.


🇺🇸 “GM perderá protagonismo mundial.”

✅ ACERTOU EM GRANDE PARTE.

A empresa sobreviveu, reorganizou-se e continua extremamente poderosa, especialmente nos Estados Unidos.

Mas nunca recuperou a hegemonia global que possuía no século XX.


🇺🇸 “Ford poderia ultrapassar estruturalmente a GM.”

❌ NÃO SE CONSOLIDOU.

A Ford continuou como uma das maiores fabricantes americanas, mas a GM recuperou competitividade e permaneceu uma força dominante no mercado doméstico.


🇮🇹🇺🇸 “Fiat e Chrysler podem formar um grande grupo.”

✅ ACERTOU.

A operação levou à FCA.


🇫🇷 “Peugeot poderá participar de novas alianças.”

✅ ACERTOU DE FORMA ESPETACULAR.

PSA e FCA fundiram-se em 2021.

Nasceu a Stellantis.


🇩🇪 “Volkswagen e Porsche poderão formar nova configuração.”

✅ ACERTOU.

A integração entre os grupos avançou e a Porsche tornou-se uma peça essencial do universo Volkswagen.


🇸🇪 “Saab poderia ser adquirida pela Fiat.”

❌ NÃO ACONTECEU.

A marca seguiu outra trajetória societária.


🇧🇷 “O Brasil pode conquistar novos mercados.”

🟡 ACERTOU PARCIALMENTE.

O país preservou uma das maiores estruturas automobilísticas do mundo e atraiu novas montadoras.

Mas também perdeu posições relativas e enfrenta competição crescente das importações e da expansão chinesa na América Latina.


🔥 O QUE NÓS NÃO PODÍAMOS PREVER EM 2009

Aqui está talvez a conclusão mais importante de toda a retrospectiva.

A reportagem de 2009 percebeu corretamente a mudança geográfica do poder automobilístico.

Mas havia algo ainda maior começando silenciosamente.

A mudança tecnológica.

Em 2009, carros elétricos ainda eram nicho.

Tesla era pequena.

BYD ainda não possuía a dimensão global atual.

Baterias de íons de lítio ainda eram caras demais para uma adoção automobilística massiva.

Inteligência artificial generativa sequer fazia parte da vida cotidiana.

Atualizações automotivas pela internet eram raríssimas.

Hoje tudo isso está convergindo.

🚘 + 🔋 + 💻 + 🤖 + 🌐 = o automóvel do século XXI.

Essa equação é mais disruptiva do que simplesmente substituir GM por Toyota ou Estados Unidos por China.

Estamos assistindo a uma mudança na própria definição econômica do automóvel.


🌍 O NOVO MAPA DO AUTOMÓVEL EM 2026

Se fosse necessário sintetizar a indústria automobilística mundial de 2026 em poucos polos, teríamos algo próximo disto:

🇨🇳 CHINA
Maior centro produtivo, potência em veículos elétricos, baterias e exportações.

🇯🇵 JAPÃO
Toyota continua como referência mundial de escala, eficiência e tecnologia híbrida.

🇩🇪 ALEMANHA
Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz permanecem gigantes globais, mas enfrentam profunda pressão tecnológica e chinesa.

🇺🇸 ESTADOS UNIDOS
GM, Ford e Tesla mantêm enorme relevância industrial e tecnológica.

🇰🇷 COREIA DO SUL
Hyundai e Kia consolidaram uma das operações multinacionais mais competitivas do setor.

🇮🇳 ÍNDIA
Mercado gigantesco, indústria crescente e potencial para ganhar relevância global.

🇧🇷 BRASIL
Um dos principais polos industriais do hemisfério sul, grande mercado consumidor e, agora, campo de disputa entre fabricantes tradicionais e novos grupos chineses.


🚨 A PRÓXIMA BATALHA JÁ COMEÇOU

O futuro da indústria automobilística não será determinado apenas por quem vende mais unidades.

A verdadeira disputa envolve:

🔋 quem produzirá baterias mais baratas;

⚡ quem reduzirá mais rapidamente o custo dos elétricos;

💻 quem dominará o software do veículo;

🤖 quem integrar melhor inteligência artificial e automação;

⛏️ quem garantirá acesso a lítio, níquel, grafite e terras raras;

🏭 quem conseguirá produzir em escala;

🌎 quem controlará os mercados emergentes.

E existe uma camada ainda mais profunda.

Automóveis tornaram-se instrumentos de política industrial e geopolítica.

Estados Unidos, União Europeia, China, Japão, Coreia do Sul e outros países passaram a utilizar subsídios, tarifas, exigências regulatórias, incentivos fiscais e política tecnológica para proteger ou estimular suas indústrias.

O carro deixou de ser apenas um produto.

Tornou-se um ativo estratégico.


🇧🇷 E O BRASIL? ESTA PODE SER UMA DAS DECISÕES INDUSTRIAIS MAIS IMPORTANTES DAS PRÓXIMAS DÉCADAS

O Brasil possui algumas vantagens difíceis de reproduzir:

✅ mercado interno superior a 200 milhões de habitantes;

✅ cadeia automotiva consolidada;

✅ parque industrial diversificado;

✅ matriz elétrica relativamente renovável;

✅ experiência mundial com etanol;

✅ disponibilidade de minerais estratégicos;

✅ proximidade dos mercados latino-americanos;

✅ capacidade de produção de veículos flex e híbridos-flex.

Isso cria uma oportunidade peculiar.

O Brasil não precisa simplesmente copiar o modelo chinês, europeu ou americano.

Pode construir uma trajetória própria combinando:

⚡ eletrificação;

🌱 biocombustíveis;

🔋 baterias;

🚘 híbridos;

🏭 produção local;

🌎 exportação regional.

O exemplo do híbrido plug-in flex desenvolvido para produção no Brasil mostra que essa convergência tecnológica já começou.

A questão será transformar essas vantagens potenciais em:

produtividade;

engenharia local;

pesquisa e desenvolvimento;

cadeias de fornecedores;

exportação;

empregos de alta qualificação.

Sem isso, o país corre o risco de continuar sendo grande mercado consumidor, mas perder densidade tecnológica.


⏳ DEZESSETE ANOS DEPOIS, O VEREDITO

Em 2009 escrevemos:

“Crise pode gerar novo mapa global do setor automotivo.”

Hoje podemos retirar a palavra “pode”.

🚨 A crise gerou um novo mapa global.

General Motors foi reorganizada.

Chrysler foi absorvida pela Fiat.

Fiat e PSA acabaram reunidas na Stellantis.

Toyota conquistou a liderança mundial.

China ultrapassou todos os concorrentes em escala industrial.

BYD emergiu como potência global.

Veículos elétricos chegaram a um quarto das vendas mundiais em 2025.

Na China, chegaram a aproximadamente 55%.

BYD e GWM passaram a fabricar veículos no Brasil.

E o mercado brasileiro caminha novamente para superar os 3 milhões de veículos emplacados em 2026, segundo projeção da Anfavea.

Mas existe uma ironia.

O mapa que surgiu depois de 2009 já está envelhecendo.

Porque uma nova transformação está acontecendo agora.

Em 2009, a crise derrubou velhas estruturas financeiras.

Em 2026, tecnologia, eletrificação e China estão derrubando antigas fronteiras industriais.

Talvez, quando este texto for relido daqui a outros 17 anos, em 2043, a indústria automobilística seja novamente quase irreconhecível.

A história do automóvel sempre foi uma história de transformação.

Só que desta vez a velocidade é inédita.

🚗➡️⚡➡️💻➡️🤖

O carro está deixando de ser apenas uma máquina.

Está se transformando em uma plataforma tecnológica, energética e digital.

E essa mudança poderá redesenhar não apenas quais empresas vendem mais automóveis.

Poderá determinar quais países liderarão uma das indústrias mais importantes da economia mundial nas próximas décadas.


🔎 Termos relacionados para pesquisa

Indústria automotiva 2026; mercado automotivo mundial; indústria automobilística brasileira; carros elétricos 2026; China indústria automotiva; BYD Brasil; fábrica BYD Camaçari; GWM Brasil; Toyota maior montadora do mundo; General Motors; Volkswagen; Stellantis; Fiat Chrysler; Peugeot; veículos elétricos China; produção de veículos Brasil 2026; vendas de carros Brasil 2026; futuro da indústria automobilística; carros chineses no Brasil; mercado de veículos elétricos; revolução dos carros elétricos.

📌 Descrição sugerida para o Google/Blogger

Em 2009 previmos que a crise mudaria o mapa mundial dos automóveis. Em 2026, China lidera a produção, Toyota domina as vendas, BYD e GWM fabricam no Brasil e os elétricos já representam 1 em cada 4 carros vendidos no mundo. Veja o que acertamos, o que mudou e quem dominará a próxima era do automóvel.

🏷️ Marcadores: Indústria Automotiva, Mercado Automotivo, Carros Elétricos, China, BYD, Toyota, Volkswagen, General Motors, Stellantis, Brasil, Economia, Tecnologia, Indústria Brasileira, Automóveis, Mobilidade Elétrica, Geopolítica

100 milhões de dólares para o níquel Brasileiro

Volkswagen Investe em Minas de Recursos no Brasil para Atender à Crescente Demanda por Baterias

Aposta da Volkswagen em Minas Brasileiras

A Volkswagen, uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo, está investindo cerca de 100 milhões de dólares em minas de recursos no Brasil. 

O objetivo é garantir os recursos mais importantes para a produção de baterias de carros elétricos, uma vez que a demanda por esses veículos está crescendo rapidamente.

A Volkswagen está apostando nas minas brasileiras para garantir os recursos necessários para a produção de baterias de carros elétricos. Com um investimento de cerca de 100 milhões de dólares, a empresa pretende atender à crescente demanda por veículos elétricos e se posicionar no mercado de mobilidade sustentável.
O Brasil possui um potencial significativo em termos de recursos minerais, como o lítio, cobalto e níquel, que são componentes essenciais para a fabricação de baterias. Esses minerais são utilizados para produzir as células de íon-lítio, que são amplamente utilizadas em veículos elétricos devido à sua alta capacidade de armazenamento de energia.
Com o investimento nas minas brasileiras, a Volkswagen busca garantir o suprimento desses recursos estratégicos e reduzir sua dependência de fornecedores externos. Além disso, a iniciativa também pode impulsionar a economia local, gerando empregos e estimulando o desenvolvimento da cadeia produtiva relacionada à produção de baterias.
Essa aposta da Volkswagen reflete a tendência global de transição para veículos elétricos e a importância estratégica dos recursos minerais na indústria automotiva. À medida que a demanda por carros elétricos aumenta, as montadoras estão buscando formas de garantir o abastecimento desses recursos-chave, o que inclui o investimento direto em minas e a busca por parcerias com empresas de mineração.
No entanto, é importante destacar a necessidade de garantir que a exploração desses recursos minerais seja realizada de forma sustentável e responsável, levando em consideração os impactos ambientais e sociais. As empresas automotivas e as autoridades governamentais devem estar comprometidas com práticas de mineração responsáveis, como a redução do consumo de água, a mitigação dos impactos na biodiversidade e a proteção dos direitos dos trabalhadores.
No geral, o investimento da Volkswagen nas minas brasileiras para atender à demanda por baterias de carros elétricos representa um passo importante na transição para a mobilidade sustentável. Essa iniciativa contribui para o desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos mais resiliente e alinhada com os objetivos de redução das emissões de carbono e combate às mudanças climáticas.

Aquisição de Minas de Níquel e Cobre
A ACG, uma empresa associada à Volkswagen, planeja adquirir uma mina de níquel e uma mina de cobre no Brasil por um bilhão de dólares. A PowerCo, subsidiária da Volkswagen, realizará um pagamento antecipado de 100 milhões de dólares para garantir o acesso ao níquel necessário para a produção de baterias de carros elétricos. Outras empresas, como Stellantis, Glencore e um fundo de investimento em mineração, também estão envolvidas no financiamento dessas aquisições, contribuindo com quantias significativas. Para complementar o investimento, a Volkswagen buscará recursos adicionais no mercado de capitais.
Essa estratégia de aquisição de minas de níquel e cobre no Brasil faz parte da estratégia da Volkswagen de garantir o suprimento estável desses recursos essenciais para a produção de baterias de carros elétricos. O níquel é um componente chave nas baterias de íon-lítio, que são amplamente utilizadas em veículos elétricos devido à sua alta capacidade de armazenamento de energia. O cobre também desempenha um papel importante na fabricação de componentes eletrônicos e fiação elétrica.
Essa aposta da Volkswagen nas minas brasileiras reflete o reconhecimento da importância desses recursos minerais estratégicos para a indústria automotiva em meio à transição para veículos elétricos. Ao investir diretamente em minas, a empresa busca garantir o fornecimento de níquel e cobre, reduzindo a dependência de fornecedores externos e criando uma cadeia de suprimentos mais segura e sustentável.
No entanto, é importante ressaltar a necessidade de garantir que a exploração dessas minas seja realizada de forma responsável e sustentável, levando em consideração os impactos ambientais e sociais. A Volkswagen e as demais empresas envolvidas devem adotar práticas de mineração responsáveis, promovendo a transparência, a proteção do meio ambiente e o respeito aos direitos das comunidades locais.

Fornecimento de Recursos para Baterias de Carros Elétricos
A Volkswagen e a Stellantis também estão estabelecendo parcerias estratégicas com empresas de mineração para garantir o fornecimento de recursos para as baterias de carros elétricos. A Glencore, uma das maiores empresas de mineração do mundo, é uma das empresas envolvidas nessa colaboração.

Essas parcerias visam fortalecer a cadeia de suprimentos de recursos essenciais, como níquel e cobre, necessários para a produção de baterias de carros elétricos. Ao trabalhar diretamente com empresas de mineração, a Volkswagen e a Stellantis podem ter maior controle sobre a origem e a qualidade desses recursos, bem como buscar práticas de mineração responsáveis e sustentáveis.

A colaboração com empresas de mineração é fundamental para garantir um suprimento estável e sustentável de recursos, considerando a crescente demanda por veículos elétricos. A expansão da produção de baterias requer um aumento significativo no fornecimento de matérias-primas, e a parceria com empresas de mineração é uma estratégia importante para atender a essa demanda.

Essas iniciativas demonstram o compromisso da Volkswagen, Stellantis e outras empresas automotivas em impulsionar a transição para a mobilidade elétrica e garantir um fornecimento seguro e responsável de recursos para as baterias dos carros elétricos. A colaboração entre fabricantes de automóveis e empresas de mineração é essencial para fortalecer a cadeia de suprimentos e promover a sustentabilidade em toda a indústria automotiva.

Parceria com Empresas de Mineração no Canadá
A Volkswagen fez contratos de fornecimento com empresas de mineração no Canadá, onde planeja construir sua primeira fábrica de baterias na América do Norte. Em Skelleftea, na Suécia, a empresa concentrou a produção de células premium com o especialista em baterias Northvolt. Além das parcerias com empresas de mineração na Europa, a Volkswagen também estabeleceu contratos de fornecimento com empresas de mineração no Canadá. Essa colaboração é parte dos planos da empresa de construir sua primeira fábrica de baterias na América do Norte, especificamente na província de Ontário, no Canadá.

Ao garantir o fornecimento de recursos essenciais no Canadá, como níquel, cobalto e lítio, a Volkswagen visa fortalecer sua cadeia de suprimentos de baterias e reduzir a dependência de importações. A parceria com empresas de mineração canadenses permite um acesso mais direto e seguro a esses recursos, contribuindo para uma produção mais eficiente e sustentável de baterias de carros elétricos.

Além disso, a Volkswagen está concentrando a produção de células premium em Skelleftea, na Suécia, em colaboração com a empresa especialista em baterias Northvolt. Essa parceria estratégica visa desenvolver e fabricar células de bateria de alta qualidade, que serão utilizadas nos veículos elétricos da Volkswagen.

Essas iniciativas de parceria com empresas de mineração no Canadá e com especialistas em baterias na Suécia refletem o compromisso da Volkswagen em estabelecer uma infraestrutura sólida e sustentável para a produção de baterias de carros elétricos. Ao controlar diferentes estágios da cadeia de suprimentos, desde a extração de matérias-primas até a produção de células de bateria, a Volkswagen busca garantir a qualidade, a disponibilidade e a sustentabilidade dos componentes essenciais para a mobilidade elétrica.

Processamento de Níquel e Propriedade Majoritária
O concentrado de níquel extraído das minas brasileiras será processado nas instalações da Glencore, de acordo com a ACG. Durante esse processo, a ACG se tornará a ACG Electric Metals e emitirá novas ações. Glencore, Stellantis e o fundo La Mancha se tornarão proprietários majoritários, com 51% de propriedade, enquanto os 49% restantes serão mantidos em propriedade dispersa.
O concentrado de níquel extraído das minas brasileiras adquiridas pela ACG (empresa associada à Volkswagen) será processado nas instalações da Glencore, uma empresa global de recursos naturais. Esse processamento envolverá a transformação do concentrado de níquel em um formato adequado para a produção de baterias de carros elétricos.
Como parte desse processo, a ACG passará por uma transformação para se tornar a ACG Electric Metals e emitirá novas ações. Nessa reestruturação, a Glencore, juntamente com a Stellantis (parceria entre a Fiat Chrysler e a PSA Group) e o fundo de investimento em mineração La Mancha, se tornarão proprietários majoritários da ACG Electric Metals, possuindo 51% de participação. Os 49% restantes serão mantidos em propriedade dispersa, provavelmente com participação de outros acionistas.
Essa estrutura de propriedade majoritária permitirá que a Glencore, a Stellantis e o fundo La Mancha tenham uma influência significativa nas operações da ACG Electric Metals e no processamento de níquel para a produção de baterias. Essa parceria entre empresas líderes na indústria automotiva, mineração e recursos naturais reflete o compromisso em fortalecer a cadeia de suprimentos de baterias de carros elétricos e garantir um acesso seguro e confiável a recursos-chave, como o níquel, para atender à crescente demanda por veículos elétricos.

Confiança nas Minas Brasileiras
Apesar das críticas anteriores, a Volkswagen está confiante em seu investimento nas minas brasileiras. A empresa acredita no potencial de expansão das minas, mesmo após o fracasso da venda das minas para a empresa sul-africana Sibanye-Stillwater devido a alegações de instabilidade geotécnica. 
Apesar dos desafios enfrentados, a Volkswagen continua confiante em seu investimento nas minas brasileiras. A empresa reconhece que houve contratempos, como o fracasso da venda para a empresa sul-africana Sibanye-Stillwater devido a preocupações com a estabilidade geotécnica. No entanto, a Volkswagen acredita no potencial de expansão das minas e está comprometida em superar os obstáculos.
É importante destacar que investimentos em mineração podem enfrentar desafios, como questões relacionadas à estabilidade geotécnica ou outros fatores que possam afetar a viabilidade das operações. A Volkswagen, assim como outras empresas, avalia cuidadosamente os riscos envolvidos e busca mitigar esses desafios por meio de estratégias adequadas.
A confiança da Volkswagen em seu investimento nas minas brasileiras indica que a empresa vê um valor estratégico em garantir o fornecimento de recursos essenciais para a produção de baterias de carros elétricos. Isso reflete seu compromisso em impulsionar a transição para a mobilidade elétrica e atender à crescente demanda por veículos elétricos.

O investimento da Volkswagen nas minas de recursos no Brasil é estratégico e visa garantir o fornecimento contínuo de recursos essenciais para a produção de baterias de carros elétricos. Com a demanda por veículos elétricos em ascensão, é crucial para a empresa assegurar um suprimento estável e confiável de materiais-chave, como o níquel e o cobre, necessários para a fabricação das baterias.

Ao investir nessas minas, a Volkswagen está fortalecendo sua cadeia de suprimentos e reduzindo a dependência de fornecedores externos. Isso permite maior controle sobre a qualidade, quantidade e preço dos recursos, além de reduzir os riscos de interrupções no fornecimento.

Essa estratégia também está alinhada com a visão da empresa de impulsionar a transição para a mobilidade elétrica e posicionar-se como uma líder no mercado de veículos elétricos. Ao garantir o acesso a recursos essenciais, a Volkswagen está se preparando para atender à crescente demanda por veículos elétricos e competir de forma mais eficaz nesse setor em constante evolução.

O investimento da Volkswagen nas minas brasileiras pode ter impactos significativos na política e na economia do Brasil.

Impacto na política:

Relações com o governo: O investimento da Volkswagen nas minas brasileiras pode fortalecer as relações entre a empresa e o governo brasileiro. Isso pode levar a uma maior cooperação e parceria na promoção da mobilidade sustentável e no desenvolvimento da indústria de veículos elétricos no país.

Incentivos governamentais: O governo brasileiro pode fornecer incentivos e apoio à Volkswagen e outras empresas envolvidas no setor de veículos elétricos. Isso pode incluir subsídios, isenções fiscais e políticas favoráveis que incentivem a produção e adoção de carros elétricos no Brasil.

Impacto na economia:

Criação de empregos: O investimento da Volkswagen nas minas brasileiras pode gerar empregos na indústria de mineração e em setores relacionados, como logística e transporte. Isso pode contribuir para a geração de renda e o crescimento econômico no Brasil.

Desenvolvimento da cadeia produtiva: A presença da Volkswagen nas minas brasileiras pode estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva relacionada à produção de baterias de carros elétricos. Isso inclui atividades como extração de minerais, processamento, fabricação de componentes e montagem de baterias. O desenvolvimento dessas atividades pode impulsionar a inovação, a competitividade e o crescimento de empresas nacionais.

Atração de investimentos: O investimento da Volkswagen no Brasil pode atrair outras empresas do setor automotivo e de veículos elétricos para o país. Isso pode resultar em mais investimentos, parcerias e transferência de tecnologia, beneficiando a economia brasileira como um todo.

Em resumo, o investimento da Volkswagen nas minas brasileiras para garantir recursos minerais para a produção de baterias de carros elétricos pode ter impactos positivos na política e na economia do Brasil. Isso inclui fortalecimento das relações com o governo, incentivos governamentais, criação de empregos, desenvolvimento da cadeia produtiva e atração de investimentos.


fonte: https://www.manager-magazin.de/unternehmen/autoindustrie/volkswagen-beteiligt-sich-mit-100-millionen-dollar-an-brasilianischen-rohstoff-minen-a-9c0225c3-52e4-4c40-9e16-0115fcfffb35




Crise pode gerar novo mapa global do setor automotivo

Arquivo/EM/D.A. Press

Indústria brasileira pode conquistar novos mercados

O novo desafio das americanas General Motors e Chrysler é tornarem-se competitivas para garantir a recuperação no jogo das forças da indústria automobilística mundial. A implicação imediata das concordatas é que as companhias ficam menores e deixam fatias de mercado disponíveis para concorrentes. Na segunda-feira, quando a GM anunciou a concordata e a Justiça americana permitiu a venda da Chrysler para a Fiat, a francesa Peugeot, por exemplo, declarou estar aberta a qualquer tipo de aliança, desde que a família Peugeot mantenha sua presença central. Analistas acreditam, contudo, que os fabricantes asiáticos avançarão mais do que os europeus.
A Toyota, a Nissan e outras, com seus modelos pequenos e médios, competem mais com os produtos em massa dos Estados Unidos do que os veículos das alemãs Daimler, BMW e Audi. O Brasil também poderia avançar nesse cenário. “Temos oportunidades em vista tanto no mercado externo quanto interno. Já estamos vendo grupos brasileiros ganhando força. A filial da Mitsubishi conseguiu autorização dos japoneses para produzir aqui. A Hyundai já aprovou projeto para a produção do Tucson no Brasil”, exemplificou Mariana Oliveira, analista do setor automobilístico da Consultoria Tendências.
José Roberto Ferro, presidente do Lean Institute Brasil, aponta outras configurações no novo mapa global do setor. “Ainda temos o caso Volkswagen e Porsche, além do crescimento, caso o mercado continue permitindo, de montadoras chinesas, da Renault, Nissan e PSA”, afirmou. Olivier Girard, da Consultoria Trevisan, acrescenta que ativos da GM, sobretudo na Europa, poderão ser colocados à venda para cobrir a dívida da matriz. “A sueca Saab, por exemplo, pode ser comprada pela Fiat, que já demonstrou interesse”, destacou.
Nessa onda de fusões e aquisições, a diminuição do catálogo de produtos e das vendas da GM deve não só impedir que a empresa recupere a posição de maior do mundo no setor automotivo, como fazer com que seja ultrapassada domesticamente pela própria Toyota e, num segundo momento, pela Ford — que então se tornaria a maior montadora dos EUA. Em 10 anos, de 1998 a 2008, os Estados Unidos, líderes mundiais na produção de veículos, caiu para terceiro lugar, ficando atrás do Japão e China. O Brasil avançou, passando da 11ª colocação para a 6ª. Este ano, a China deve assumir a liderança, tornando Xangai a nova capital do automóvel.
O resultado do primeiro trimestre do ano, fortemente impactado pela turbulência econômica mundial, já aponta a tendência do novo cenário. As marcas mais vendidas no período foram: Toyota (1,19 milhão de unidades), Volkswagen (939 mil), Ford (916 mil), Honda (698 mil), Nissan (657 mil), Chevrolet (635 mil), Hyundai (580 mil), Fiat (483 mil), Renault (369 mil), Peugeot (355 mil). Nos primeiros três meses do ano, as vendas dos Estados Unidos caíram 53,3%, seguidos do Japão (-49%), Alemanha (-34,8%) e Brasil (-16,8%), enquanto na China subiram 1,6%.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/06/02/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=112807/em_noticia_interna.shtml


17 anos depois: a crise realmente criou um novo mapa global do setor automotivo

Em 2009, publicamos: “Crise pode gerar novo mapa global do setor automotivo”. Naquele momento, General Motors e Chrysler estavam sob profunda reestruturação, Toyota e outras marcas asiáticas avançavam, a China despontava como futura líder mundial e o Brasil parecia ter diante de si a oportunidade de conquistar novos mercados. (https://ricardomeper.blogspot.com/2009/06/crise-pode-gerar-novo-mapa-global-do.html)

Em 11 de setembro de 2026, já é possível responder: o mapa mudou — e mudou muito mais do que se previa.

A reportagem publicada em 2009 nasceu no ponto mais agudo da crise que atingiu a indústria automobilística norte-americana. A General Motors havia entrado em recuperação judicial nos Estados Unidos em 1º de junho daquele ano. Pouco mais de um mês depois, em 10 de julho, uma “nova GM”, mais enxuta, saiu da concordata após a transferência dos principais ativos da companhia para uma nova sociedade apoiada pelo Tesouro norte-americano.

A Chrysler também atravessava uma transformação histórica. Naquele momento, escrevemos que a autorização judicial para sua venda à Fiat poderia desencadear uma onda de consolidação no setor.

Foi exatamente o que aconteceu.

De Chrysler e Fiat nasceu um dos maiores conglomerados automobilísticos do mundo

A aproximação iniciada em 2009 transformou-se progressivamente em controle integral da Chrysler pela Fiat. Em janeiro de 2014, a Fiat concluiu a compra da participação restante da Chrysler e anunciou a criação da Fiat Chrysler Automobiles, a FCA. A reorganização societária foi concluída em outubro daquele ano.

Mas o movimento não terminou ali.

Em 16 de janeiro de 2021, FCA e o grupo francês PSA — proprietário de Peugeot, Citroën e outras marcas — concluíram sua fusão, criando a Stellantis.

Assim, uma das possibilidades levantadas em nossa reportagem de 2009 tornou-se realidade de maneira ainda mais ampla do que se podia antecipar:

2009: Chrysler aproximando-se da Fiat e Peugeot aberta a alianças.

2026: Fiat, Chrysler, Jeep, Ram, Peugeot, Citroën, Opel, Vauxhall, Alfa Romeo, Lancia, Maserati e outras marcas estão reunidas no mesmo conglomerado, a Stellantis.

A consolidação que então parecia uma resposta emergencial à crise transformou-se em característica estrutural da indústria automobilística.

A previsão sobre a Saab não se confirmou

Nem todas as possibilidades mencionadas em 2009 se materializaram.

Naquela reportagem, aventou-se que a Fiat poderia comprar a sueca Saab, então pertencente à GM.

Não ocorreu.

Em fevereiro de 2010, a General Motors concluiu a venda da Saab Automobile para a holandesa Spyker Cars.

A trajetória posterior da marca seria turbulenta e muito diferente da integração imaginada naquele momento.

Esse é um exemplo importante de como, em períodos de crise, existem simultaneamente tendências estruturais previsíveis e operações societárias altamente incertas.

Volkswagen e Porsche: outra transformação antecipada em 2009

Nossa reportagem também mencionava explicitamente o “caso Volkswagen e Porsche”.

A relação empresarial entre as duas companhias realmente terminou em integração.

Em 1º de agosto de 2012, a Volkswagen adquiriu os 50,1% restantes do negócio automotivo da Porsche que ainda não controlava, passando a consolidar a Porsche como integrante do Volkswagen Group.

Mais uma tendência identificada naquele momento, portanto, efetivamente se materializou.

Toyota: a montadora que em 2009 aparecia como grande desafiante terminou no topo

Há uma passagem particularmente interessante na reportagem de 2009.

Escrevemos que a redução das operações da GM poderia abrir espaço para que a Toyota ultrapassasse definitivamente a montadora norte-americana.

Dezessete anos depois, a dimensão dessa transformação está clara.

Em 2025, último ano completo disponível, o Toyota Motor Group comercializou 11,3 milhões de veículos no mundo, recorde histórico, mantendo pelo sexto ano consecutivo a posição de maior grupo automobilístico mundial em vendas.

Toyota e Lexus, isoladamente, venderam aproximadamente 10,5 milhões de veículos.

A Volkswagen permaneceu como a segunda grande força global entre os grupos tradicionais, com 8,984 milhões de veículos entregues em 2025.

Há, portanto, uma continuidade impressionante entre a tendência percebida em 2009 e o cenário de 2026:

2009: Toyota avançava sobre as fabricantes americanas.

2026: Toyota ocupa a liderança mundial consolidada.

Mas surgiu uma diferença fundamental que praticamente ninguém poderia dimensionar em 2009: a principal ameaça estrutural às fabricantes japonesas, americanas e europeias não viria simplesmente de outra montadora tradicional.

Ela viria da China.

China: a previsão mais importante da reportagem se confirmou — e foi além

Em 2009 escrevemos:

“Este ano, a China deve assumir a liderança, tornando Xangai a nova capital do automóvel.”

Essa talvez tenha sido a afirmação mais importante de toda a reportagem.

A China não apenas assumiu a liderança industrial. Transformou-se no centro gravitacional da indústria automobilística mundial.

Segundo a OICA, a produção mundial alcançou aproximadamente 96,4 milhões de veículos em 2025. Somente a China produziu cerca de 34,53 milhões.

Isso significa que aproximadamente 36% de todos os veículos produzidos no planeta saíram de fábricas chinesas.

A região Ásia-Pacífico produziu aproximadamente 59,2 milhões, mais de 61% do total mundial.

O contraste com 2009 é gigantesco.

Naquele período, acompanhávamos a China ultrapassando Estados Unidos e Japão.

Hoje a questão não é mais saber se a China será a maior fabricante.

A questão passou a ser quanto da indústria mundial dependerá da tecnologia, das baterias, das plataformas e da escala industrial chinesas.

O fator que 2009 ainda não permitia enxergar: BYD e a revolução dos elétricos

Na lista das dez marcas mais vendidas mundialmente apresentada em nossa reportagem de 2009 apareciam Toyota, Volkswagen, Ford, Honda, Nissan, Chevrolet, Hyundai, Fiat, Renault e Peugeot.

Uma ausência chama atenção quando a lista é observada em 2026:

BYD.

A companhia chinesa ainda estava muito distante da dimensão que alcançaria posteriormente.

Em 2025, a BYD vendeu aproximadamente 4,60 milhões de veículos eletrificados, entre elétricos a bateria e híbridos plug-in. Mais de 1 milhão dessas unidades foram comercializadas fora da China.

É uma mudança de paradigma.

Em 2009, o centro da discussão era:

GM x Toyota x Volkswagen x Ford.

Em 2026, a competição envolve também:

Toyota x Volkswagen x BYD x Geely x SAIC x Tesla x Hyundai-Kia x GM x Stellantis e outros grandes grupos.

E volume de produção já não é o único indicador decisivo.

Entraram na equação baterias, semicondutores, software embarcado, direção automatizada, inteligência artificial, sistemas operacionais automotivos, infraestrutura de recarga e controle da cadeia de minerais críticos.

Um em cada quatro automóveis vendidos no mundo já é elétrico

Talvez nenhum número sintetize melhor a distância entre 2009 e 2026.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, mais de 20 milhões de automóveis elétricos foram vendidos mundialmente em 2025.

Eles representaram aproximadamente 25% de todas as vendas de automóveis novos do planeta.

Na China, aproximadamente 55% dos automóveis novos vendidos em 2025 foram elétricos.

Mais de 13 milhões de elétricos foram comercializados apenas naquele país.

A indústria chinesa respondeu por cerca de 60% das vendas mundiais de automóveis elétricos e por aproximadamente 75% da produção global de elétricos em 2025.

Portanto, a transformação chinesa prevista em 2009 tornou-se muito mais profunda do que uma simples liderança quantitativa na fabricação de automóveis.

A China construiu uma posição dominante justamente na tecnologia que está redefinindo o setor.

E a General Motors, que parecia ameaçada de desaparecer?

A história também foi menos linear do que parecia em 2009.

A GM perdeu a antiga posição de maior fabricante mundial, mas não desapareceu.

Depois da falência reorganizada, tornou-se uma companhia menor e mais concentrada. E continua sendo uma potência no mercado norte-americano.

Em 2025, a GM vendeu aproximadamente 2,85 milhões de veículos nos Estados Unidos, crescimento de cerca de 6%, encerrando o ano na liderança daquele mercado.

Portanto:

acertamos que a GM ficaria menor;

acertamos que perderia a supremacia mundial;

mas seria incorreto interpretar a crise de 2009 como início de uma trajetória de desaparecimento da companhia.

Dezessete anos depois, GM continua sendo um dos principais grupos automobilísticos do mundo e mantém enorme influência nos Estados Unidos.

E a previsão de que a Ford ultrapassaria a GM nos Estados Unidos?

Essa hipótese não se consolidou estruturalmente.

A Ford permaneceu uma potência norte-americana, mas a General Motors recuperou capacidade competitiva e chegou a 2025 novamente como líder do mercado dos Estados Unidos.

Esse é outro ponto em que a realidade divergiu das expectativas existentes no momento mais traumático da crise.

Brasil: de 6º maior produtor em 2008 para 8º — mas com uma indústria muito mais diversificada

Nossa reportagem lembrava que o Brasil havia saltado da 11ª posição em 1998 para a 6ª posição entre os produtores mundiais em 2008.

Naquele momento, havia expectativa de que a crise das grandes montadoras internacionais abrisse espaço adicional para a indústria brasileira.

A oportunidade existiu, mas o resultado foi mais complexo.

Em 2024, com 2,55 milhões de veículos produzidos, o Brasil recuperou a posição de 8º maior produtor mundial de veículos, segundo a Anfavea.

Em 2025, a produção avançou novamente, atingindo 2,644 milhões de autoveículos, crescimento de 3,5%.

Portanto, comparando os dois momentos:

2008: 6º maior produtor.

2024: 8º maior produtor.

O Brasil continua entre os maiores polos automobilísticos globais, mas perdeu posições relativas porque China, Índia e outros centros industriais cresceram muito mais rapidamente.

Em 2026, o mercado brasileiro voltou a ganhar força

A fotografia mais recente, porém, mostra importante recuperação.

Em julho de 2026, a Anfavea revisou para cima sua previsão para o mercado brasileiro e passou a estimar mais de 3 milhões de autoveículos emplacados em 2026, algo que o país não alcançava desde 2014.

A projeção representa crescimento de 11,7% sobre 2025.

Nos primeiros meses do ano, a indústria também demonstrou recuperação produtiva.

Até maio, o Brasil havia fabricado aproximadamente 1,126 milhão de veículos, alta de 7,1% frente ao mesmo período de 2025. Somente em maio foram produzidas 253,6 mil unidades, melhor resultado para o mês desde 2019.

Os dados mais recentes da Fenabrave mostram também aceleração dos emplacamentos. Considerando todos os segmentos acompanhados pela entidade, foram registradas 503.768 unidades em agosto de 2026, 16,87% acima de agosto de 2025.

Mas a oportunidade brasileira de 2009 voltou com um novo adversário: os importados chineses

Aqui está uma das ironias históricas mais relevantes.

Em 2009 imaginava-se que a ascensão chinesa poderia abrir oportunidades para países produtores como o Brasil.

Em 2026, a ascensão chinesa também representa uma das maiores pressões competitivas sobre a própria indústria instalada no Brasil.

Em 2025, o país importou cerca de 498 mil veículos. A China respondeu por 37,6% dos importados emplacados.

O movimento acelerou-se em 2026.

Em maio, veículos provenientes da China já correspondiam a 51,6% de todos os importados emplacados no Brasil naquele mês, segundo a Anfavea. O volume de automóveis chineses avançou 102,3% em relação a maio de 2025.

Ao mesmo tempo, a presença chinesa deixa de ser exclusivamente importadora.

BYD e Great Wall Motor passaram a produzir no Brasil, justamente uma evolução semelhante àquela que destacávamos em 2009 quando observávamos Hyundai e Mitsubishi ampliando sua fabricação local.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a GWM já iniciou produção brasileira e a BYD também começou suas operações industriais no país em 2025.

Ou seja:

2009: Brasil buscava atrair japoneses e sul-coreanos.

2026: Brasil disputa investimentos industriais chineses na nova geração de veículos eletrificados.

As exportações brasileiras também revelam uma mudança importante

Em 2009, uma das grandes expectativas era que o Brasil conquistasse novos mercados externos.

Isso ocorreu parcialmente, mas a estrutura exportadora brasileira permaneceu fortemente dependente da América Latina.

Em 2025, as exportações brasileiras cresceram expressivos 32,1%, chegando a aproximadamente 528,8 mil veículos.

Em 2026, entretanto, o quadro voltou a piorar.

A Anfavea projeta para o fechamento do ano uma queda de 12,8% nas exportações, influenciada principalmente pela redução da demanda argentina e pelo aumento da presença de veículos chineses e mexicanos em mercados tradicionalmente atendidos pelo Brasil.

Entre janeiro e maio de 2026, as exportações totalizaram aproximadamente 179,9 mil unidades, 20% abaixo do mesmo período do ano anterior.

Portanto, a oportunidade internacional imaginada em 2009 continua existindo, mas está longe de ser automática.

O maior erro seria pensar que o novo mapa de 2026 é apenas geográfico

Em 2009 discutíamos principalmente quais países e quais montadoras dominariam a produção.

Em 2026, essa análise tornou-se insuficiente.

O poder no setor automobilístico passou a depender de cinco elementos:

escala industrial;

baterias e cadeia de suprimentos;

eletrificação;

software e eletrônica embarcada;

capacidade de produzir veículos competitivos a custos cada vez menores.

É por isso que a ascensão chinesa é tão estrutural.

A China não apenas fabrica mais carros. Concentra parcela extraordinária da fabricação de baterias, componentes de veículos elétricos e da própria produção mundial de EVs.

2009 × 2026: o que aconteceu com nossas principais hipóteses?

China se tornaria líder mundial da indústria automotiva — CONFIRMADO E SUPERADO.

A China tornou-se disparadamente o maior produtor mundial e o principal centro da indústria de veículos elétricos.

Toyota ganharia força diante da crise das americanas — CONFIRMADO.

Em 2025, Toyota permaneceu como maior grupo automobilístico mundial pelo sexto ano consecutivo, com 11,3 milhões de veículos.

GM perderia a condição de maior fabricante mundial — CONFIRMADO.

A empresa sobreviveu e continua extremamente relevante, mas não recuperou a antiga hegemonia global.

Ford poderia ultrapassar definitivamente a GM nos EUA — NÃO SE CONSOLIDOU.

A GM terminou 2025 na liderança do mercado norte-americano.

Fiat ganharia controle da Chrysler — CONFIRMADO.

A integração produziu a FCA e posteriormente desembocou na Stellantis.

Peugeot participaria de uma grande consolidação — CONFIRMADO.

O grupo PSA fundiu-se com a FCA em 2021, criando a Stellantis.

Volkswagen e Porsche tenderiam à integração — CONFIRMADO.

A Porsche foi integrada ao Volkswagen Group em 2012.

Fiat poderia adquirir a Saab — NÃO CONFIRMADO.

A Saab foi vendida pela GM à Spyker em 2010.

Fabricantes asiáticos avançariam mais rapidamente — CONFIRMADO, MAS INCOMPLETO.

Em 2009 pensávamos sobretudo em Toyota, Nissan, Honda e Hyundai. O fenômeno decisivo acabou sendo a explosão das fabricantes chinesas.

Brasil poderia conquistar novos mercados — PARCIALMENTE CONFIRMADO.

O país permanece entre os maiores fabricantes mundiais, exporta centenas de milhares de veículos e recebeu novos investimentos. Entretanto, caiu da 6ª para a 8ª posição entre os maiores produtores e passou a enfrentar competição chinesa muito mais intensa.

O novo mapa mundial que enxergávamos em 2009 existe — mas já está sendo redesenhado outra vez

A crise financeira internacional de 2008 e 2009 encerrou uma era da indústria automobilística.

GM foi reorganizada.

Chrysler acabou integrada à Fiat.

Fiat e PSA deram origem à Stellantis.

Porsche passou para o universo Volkswagen.

Toyota tomou definitivamente a liderança mundial.

E a China ultrapassou Estados Unidos, Japão e Europa para tornar-se o maior polo automobilístico do planeta.

Mas essa foi apenas a primeira transformação.

Entre 2009 e 2026 ocorreu uma segunda revolução, ainda mais profunda: o automóvel deixou de ser essencialmente uma máquina mecânica movida a combustão e passou a caminhar para uma plataforma elétrica, eletrônica, conectada e definida por software.

Os números revelam a velocidade dessa transição.

Em 2025, um em cada quatro automóveis novos vendidos no planeta já era elétrico. Na China, a proporção chegou a aproximadamente 55%.

Por isso, se em 2009 a pergunta era “quem ocupará o espaço deixado por GM e Chrysler?”, em 2026 a questão é outra:

quem conseguirá sobreviver à combinação de eletrificação, software, escala chinesa e uma das maiores transformações tecnológicas já enfrentadas pela indústria automobilística?

Dezessete anos depois, a conclusão é inevitável.

A crise realmente criou um novo mapa global do automóvel. Só que aquele mapa já está sendo substituído por outro.