Arquivo/EM/D.A. Press
Indústria brasileira pode conquistar novos mercados
O novo desafio das americanas General Motors e Chrysler é tornarem-se competitivas para garantir a recuperação no jogo das forças da indústria automobilística mundial. A implicação imediata das concordatas é que as companhias ficam menores e deixam fatias de mercado disponíveis para concorrentes. Na segunda-feira, quando a GM anunciou a concordata e a Justiça americana permitiu a venda da Chrysler para a Fiat, a francesa Peugeot, por exemplo, declarou estar aberta a qualquer tipo de aliança, desde que a família Peugeot mantenha sua presença central. Analistas acreditam, contudo, que os fabricantes asiáticos avançarão mais do que os europeus.
A Toyota, a Nissan e outras, com seus modelos pequenos e médios, competem mais com os produtos em massa dos Estados Unidos do que os veículos das alemãs Daimler, BMW e Audi. O Brasil também poderia avançar nesse cenário. “Temos oportunidades em vista tanto no mercado externo quanto interno. Já estamos vendo grupos brasileiros ganhando força. A filial da Mitsubishi conseguiu autorização dos japoneses para produzir aqui. A Hyundai já aprovou projeto para a produção do Tucson no Brasil”, exemplificou Mariana Oliveira, analista do setor automobilístico da Consultoria Tendências.
José Roberto Ferro, presidente do Lean Institute Brasil, aponta outras configurações no novo mapa global do setor. “Ainda temos o caso Volkswagen e Porsche, além do crescimento, caso o mercado continue permitindo, de montadoras chinesas, da Renault, Nissan e PSA”, afirmou. Olivier Girard, da Consultoria Trevisan, acrescenta que ativos da GM, sobretudo na Europa, poderão ser colocados à venda para cobrir a dívida da matriz. “A sueca Saab, por exemplo, pode ser comprada pela Fiat, que já demonstrou interesse”, destacou.
Nessa onda de fusões e aquisições, a diminuição do catálogo de produtos e das vendas da GM deve não só impedir que a empresa recupere a posição de maior do mundo no setor automotivo, como fazer com que seja ultrapassada domesticamente pela própria Toyota e, num segundo momento, pela Ford — que então se tornaria a maior montadora dos EUA. Em 10 anos, de 1998 a 2008, os Estados Unidos, líderes mundiais na produção de veículos, caiu para terceiro lugar, ficando atrás do Japão e China. O Brasil avançou, passando da 11ª colocação para a 6ª. Este ano, a China deve assumir a liderança, tornando Xangai a nova capital do automóvel.
O resultado do primeiro trimestre do ano, fortemente impactado pela turbulência econômica mundial, já aponta a tendência do novo cenário. As marcas mais vendidas no período foram: Toyota (1,19 milhão de unidades), Volkswagen (939 mil), Ford (916 mil), Honda (698 mil), Nissan (657 mil), Chevrolet (635 mil), Hyundai (580 mil), Fiat (483 mil), Renault (369 mil), Peugeot (355 mil). Nos primeiros três meses do ano, as vendas dos Estados Unidos caíram 53,3%, seguidos do Japão (-49%), Alemanha (-34,8%) e Brasil (-16,8%), enquanto na China subiram 1,6%.