Vale descarta novas demissões em massa

A diretoria da Vale vai se reunir na semana que vem com representantes dos sindicatos de trabalhadores da mineradora em todo o país para discutir novos ajustes do quadro de pessoal. As negociações, que serão realizadas entre segunda e quarta-feira, terão como pano de fundo o novo cenário mundial de consumo de minério de ferro, que já apresenta leve melhora, e os bons resultados financeiros obtidos pela empresa no primeiro trimestre. A Vale não vai propor a renovação dos acordos de licença remunerada, com garantia de emprego e redução de 50% nos salários, que vencem no dia 31 deste mês, nem realizará mais demissões em massa, segundo informou quinta-feira o diretor de ferrosos Sudeste da mineradora, Marcelo Guimarães Fenelon. Ao todo, desde o acirramento da crise global, estão em licença 1,3 mil empregados da mineradora.
“A empresa não pretende fazer demissões em massa”, garantiu o executivo, em resposta ao temor de sindicalistas de que a redução das vendas leve a dispensa generalizada, com o fim dos acordos. Segundo Fenelon, os estoques baixaram no primeiro trimestre, mas os sinais de melhora das vendas são ainda frágeis. Conforme balanço divulgado na noite de quarta-feira, a receita bruta de vendas da Vale caiu 27,2% de janeiro a março, na comparação com o último trimestre de 2008, somando R$ 5,4 bilhões. A queda refletiu vendas e preços menores.
Ainda assim, a mineradora se beneficiou com um agressivo programa de redução de custos e lucrou R$ 3,15 bilhões no trimestre, cifra apenas 1% inferior ao resultado do mesmo período de 2008. Fenelon disse que a expectativa da companhia é de que a política mais flexível de preços do minério de ferro, negociada com os clientes, tenha impacto positivo na produção. “Nós não temos previsão de produção e vendas neste ano. Estamos trabalhando de forma reativa ao movimento do consumo lá fora”, afirmou.
Principal cliente da mineração de ferro, a indústria siderúrgica reagiu de janeiro a março, mas os sinais são de recuperação lenta e gradual, de acordo com o presidente do grupo Gerdau, André Gerdau Johannpeter, que divulgou o balanço do primeiro trimestre. Afetada pela retração das vendas de aço e dos preços dos produtos siderúrgicos, a companhia amargou 96,7% de redução do seu lucro, de R$ 35 milhões, apurados entre janeiro e março passados, na comparação com o resultado de R$ 1,09 bilhão obtido no primeiro trimestre de 2008. Frente ao último trimestre do ano passado, o resultado foi 89% inferior.
Alto-forno só em julho
Osvaldo Schirmer, vice-presidente executivo de finanças, controladoria e relações com investidores da Gerdau, disse jamais ter enfrentado uma redução tão drástica do lucro líquido em duas décadas de trabalho na siderúrgica. Em relação ao período de outubro a dezembro de 2008, as vendas feitas pela Gerdau de janeiro a março caíram 12,7% na comparação com igual perído do ano passado, atingindo 3,1 milhões de toneladas. A produção de aço do grupo foi de 2,5 milhões de toneladas, 22% menor nos períodos analisados.
Apesar da reação, de acordo com André Gerdau, a empresa só deve religar o alto-forno 1 da Gerdau Açominas, de Ouro Branco, no interior de Minas Gerais, em julho. O equipamento está parado para manutenção. A reforma foi antecipada depois da crise financeira mundial.

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