Quatro das sete cidades pesquisadas pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getulio Vargas mostraram aumento da inflação no início deste mês.
O IPC-S referente à semana encerrada em 7 de junho foi divulgado nesta terça-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV e revela variação de 0,43% no período. O resultado é superior em quatro pontos percentuais à taxa apurada em 31 de maio passado.
No Rio de Janeiro, o IPC-S subiu de 0,34% para 0,46%. Em São Paulo, a taxa atingiu 0,34%, contra 0,30% no final de maio. Na capital mineira, continuou o processo de deflação (-0,06), embora não tão expressivo como na semana anterior (-1,16%). E, em Porto Alegre, o índice permaneceu praticamente estável e subiu de 0,35% para 0,36%.
Segundo o economista do Ibre, André Braz, o grupo alimentação foi o principal responsável pela elevação dos preços no período. Depois de uma queda acentuada dos produtos in natura, no período anterior, o que está se observando agora são quedas menores, “mesmo porque existe um limite para essas quedas”.
Ele acredita que as frutas e as hortaliças, por exemplo, já atingiram o limite de redução de preços. “E, agora, nós estamos vendo um período de aceleração gradual. Ainda há taxas negativas, ma, já há uma clara tendência de aceleração”.
Outros produtos, como arroz, feijão e laticínios, este último por conta da entressafra, começam a ensaiar aumentos fortes, conforme o economista. “Por isso, é natural esperar aumentos do preço do leite, pelo menos até o final do mês de julho ou princípio de agosto”.
Na avaliação de André Braz, está havendo uma aceleração, mas ele não acredita que o fenômeno não vá levar ao aumento muito significativo dos preços dos alimentos. “É mais ou menos um ajuste, por conta de quedas muito intensas que aconteceram no médio prazo”.
Pela pesquisa da FGV, também foram observadas elevações nos preços administrados, como tarifa de energia, o que também influenciou o resultado do IPC-S regional da primeira semana de junho. André Braz observou que esse efeito, no entanto, não é duradouro e vai se diluir ao longo do mês de junho, contribuindo para que o índice não suba ainda mais. A tendência até a próxima divulgação do índice, programada para o dia 17 deste mês, é que a inflação continue subindo “mas, moderadamente”.