Campanha contra o aspartame coloca em xeque as vendas da bebida sem açúcar nos EUA.
Durante uma teleconferência com analistas nesta terça-feira (15), um executivo da Coca-Cola comentou que o refrigerante dietético da marca estava "sofrendo alguma pressão" devido a temores quanto a seus ingredientes, referindo-se à crescente preocupação quanto a seus adoçantes artificiaisnos últimos anos.
Coca-Cola aposta em plantas naturais para substituir o aspartame e amenizar temores quanto à substância
Steve Cahillane, líder de negócios da Coca-Cola na América do Norte e América Latina, observou que a polêmica não se restringia à marca, mas a todas as bebidas e alimentos dietéticos disponíveis nos Estados Unidos.
"Acreditamos fortemente no futuro da Coca-Cola dietética", afirmou Cahillane com tranquilidade , acrescentando que a bebida ainda ocupa a segunda posição nas vendas de refrigerantes nos EUA, após ter ultrapassado a Pepsi em 2010.
Cahillane também observou que a empresa pretende aumentar a performance da Coca-Cola Diet, citando campanhas recentes com a cantora Taylor Swift.
Os refrigerantes têm estado na mira de ativistas de saúde por muitos anos, e os americanos têm cortado os níveis de açúcar de sua dieta há algum tempo. Mas, de alguma forma, as vendas de bebidas dietéticas têm caído numa velocidade mais rápida que as de refrigerantes comuns, de acordo com um estudo da Beverage Digest, que monitora a indústria.
No ano passado, por exemplo, as vendas da Coca-Cola caíram 1%, enquanto as da Coca-Cola sem açúcar declinaram 3%. A Pepsi despencou 3,4%, e sua versão diet desabou 6,2%.
Estes dados não têm passado desapercebidos na matriz da Coca-Cola em Atlanta. Neste verão, a empresa lançou sua primeira campanha mostrando a segurança do consumo de aspartame, para aliviar as preocupações populares. Também distribuiu material informativo para fabricantes e varejistas que vendem os produtos da marca.
A Food and Drug Administration (FDA) alega que o aspartame pode ser usado com segurança para adoçar os alimentos, e a Sociedade Americana do Câncer afirma que estudos apontam não haver relação entre o uso da substância e o desenvolvimento da doença.
Ainda assim, a tendência que prevalece nos EUA é a de optar por alimentos e bebidas naturais ou orgânicos. E a Coca-Cola está claramente consciente dessa mudança: a empresa trabalha para fabricar refrigerantes com ingredientes naturais, e com adoçantes menos calóricos.
Além disso, lançou nos últimos treês meses, na Argentina, uma versão da bebida adoçada com stevia, uma planta nativa da América Latina. A stevia é aproximadamente 10 vezes mais doce do que o açúcar doméstico.
Enquanto isso, a Coca-Cola anunciou que o volume de vendas da bebida com açúcar comum subiu 2% na América do Norte, nos resultados do trimestre divulgados nesta terça-feira. A Coca-Cola Zero, feita com adoçantes artificiais e mais voltada para consumidores do sexo masculino, teve aumento de 5% nas vendas.
A companhia não revelou a performance da Coca-Cola dietética no período, mas o volume geral de vendas do refrigerante ficou estável.