China enfrenta desafios domésticos e tensões crescentes com o Ocidente
A Estratégia de Xi Jinping para um Mundo Multipolar: O Deslocamento Acelerado da China em Relação ao Ocidente
Enquanto a China enfrenta desafios domésticos e tensões crescentes com o Ocidente, ela busca ativamente expandir sua influência através de blocos como o BRICS, iniciativas como a IDG e instituições culturais como os Institutos Confúcio.
O verão de 2023 foi um período desafiador para o líder chinês, Xi Jinping. Confrontado com desastres naturais, incertezas econômicas e uma série de ministros desaparecidos, Xi buscou fortalecer a posição da China no cenário global.
Desafios Domésticos e a Reorientação para o Sul Global
A China enfrenta uma série de desafios domésticos, incluindo o crescimento econômico lento, o alto desemprego entre os jovens e as tensões sociais. No entanto, a guerra na Ucrânia e as relações cada vez mais tensas com o Ocidente levaram Pequim a fornecer uma linha de vida econômica à Rússia. Isso não apenas tensionou as relações com o Ocidente, mas também fez com que a China reorientasse sua estratégia geopolítica para focar mais no Sul Global. A China está ativamente buscando expandir sua influência nessa região através de uma variedade de mecanismos, incluindo investimentos em infraestrutura, acordos comerciais e diplomacia cultural.
A Imagem Internacional da China e a Opinião Pública
A imagem internacional da China é uma preocupação crescente para o governo de Xi Jinping. Pesquisas recentes da Pew Research mostram que, enquanto a maioria dos países ricos tem uma opinião desfavorável sobre a China, em países de renda média, como Quênia e Nigéria, mais de 70% da população tem uma visão positiva da China. Isso sugere uma mudança estratégica na diplomacia chinesa, que agora está dividida entre manter relações com o Ocidente e fazer apelos ideológicos e econômicos aos países do Sul Global.
A Iniciativa de Desenvolvimento Global (IDG): Um Novo Paradigma
Lançada em 2021, a Iniciativa de Desenvolvimento Global (IDG) é um programa ambicioso que visa promover a cooperação internacional em diversas áreas políticas, alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A IDG pode não ter o mesmo nível de apoio financeiro que a Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), mas serve como outra ferramenta poderosa para expandir a influência da China no mundo. A IDG foca em áreas como alívio da pobreza, resposta às mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento sustentável, e já recebeu um fundo de apoio de $10 bilhões de dólares.
Institutos Confúcio: A Expansão do Soft Power Cultural
Os Institutos Confúcio, centros culturais e educacionais apoiados pelo estado chinês, têm sido outra ferramenta eficaz na expansão da influência chinesa. Oferecendo aulas de mandarim e programas culturais em mais de 100 países, esses institutos têm sido especialmente bem-sucedidos na África, América Latina e Sudeste Asiático. Embora tenham enfrentado escrutínio e críticas no Ocidente, a expansão desses institutos nos países do Sul Global tem sido notável.
Relações Sino-Russas: Um Novo Eixo de Poder
A relação entre a China e a Rússia tem se fortalecido nos últimos anos, especialmente à luz das tensões crescentes com o Ocidente. Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin têm trabalhado juntos para moldar uma nova ordem mundial que desafie a hegemonia ocidental. Isso inclui não apenas a cooperação econômica e militar, mas também esforços conjuntos em fóruns internacionais para promover uma visão multipolar do mundo.
O Futuro da Ordem Mundial
A estratégia de Xi Jinping para um mundo multipolar é um chamado para os países em desenvolvimento e representa uma reconfiguração significativa da ordem mundial. Enquanto a China enfrenta desafios domésticos e tensões crescentes com o Ocidente, ela está ativamente buscando expandir sua influência através de uma variedade de mecanismos e parcerias.
Referências Bibliográficas
https://www.theguardian.com/world/2023/oct/09/xi-jinpings-wants-a-multipolar-world-as-china-accelerates-its-shift-away-from-the-west