China está acelerando seu afastamento do Ocidente

China enfrenta desafios domésticos e tensões crescentes com o Ocidente

A Estratégia de Xi Jinping para um Mundo Multipolar: O Deslocamento Acelerado da China em Relação ao Ocidente

Enquanto a China enfrenta desafios domésticos e tensões crescentes com o Ocidente, ela busca ativamente expandir sua influência através de blocos como o BRICS, iniciativas como a IDG e instituições culturais como os Institutos Confúcio. 

O verão de 2023 foi um período desafiador para o líder chinês, Xi Jinping. Confrontado com desastres naturais, incertezas econômicas e uma série de ministros desaparecidos, Xi buscou fortalecer a posição da China no cenário global.

O BRICS, um bloco de economias emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, tem sido um pilar central na estratégia de Xi Jinping para reconfigurar a ordem mundial. Recentemente, o bloco adicionou seis novos membros, mais que dobrando seu tamanho e representatividade global. Com essa expansão, o BRICS agora representa quase metade da população mundial, tornando-se um ator geopolítico de peso. A admissão de novos membros foi uma estratégia de longo prazo de Xi para fortalecer a voz do bloco no cenário mundial, especialmente em fóruns como a ONU.

Desafios Domésticos e a Reorientação para o Sul Global

A China enfrenta uma série de desafios domésticos, incluindo o crescimento econômico lento, o alto desemprego entre os jovens e as tensões sociais. No entanto, a guerra na Ucrânia e as relações cada vez mais tensas com o Ocidente levaram Pequim a fornecer uma linha de vida econômica à Rússia. Isso não apenas tensionou as relações com o Ocidente, mas também fez com que a China reorientasse sua estratégia geopolítica para focar mais no Sul Global. A China está ativamente buscando expandir sua influência nessa região através de uma variedade de mecanismos, incluindo investimentos em infraestrutura, acordos comerciais e diplomacia cultural.

A Imagem Internacional da China e a Opinião Pública

A imagem internacional da China é uma preocupação crescente para o governo de Xi Jinping. Pesquisas recentes da Pew Research mostram que, enquanto a maioria dos países ricos tem uma opinião desfavorável sobre a China, em países de renda média, como Quênia e Nigéria, mais de 70% da população tem uma visão positiva da China. Isso sugere uma mudança estratégica na diplomacia chinesa, que agora está dividida entre manter relações com o Ocidente e fazer apelos ideológicos e econômicos aos países do Sul Global.

A Iniciativa de Desenvolvimento Global (IDG): Um Novo Paradigma

Lançada em 2021, a Iniciativa de Desenvolvimento Global (IDG) é um programa ambicioso que visa promover a cooperação internacional em diversas áreas políticas, alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A IDG pode não ter o mesmo nível de apoio financeiro que a Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), mas serve como outra ferramenta poderosa para expandir a influência da China no mundo. A IDG foca em áreas como alívio da pobreza, resposta às mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento sustentável, e já recebeu um fundo de apoio de $10 bilhões de dólares.

Institutos Confúcio: A Expansão do Soft Power Cultural

Os Institutos Confúcio, centros culturais e educacionais apoiados pelo estado chinês, têm sido outra ferramenta eficaz na expansão da influência chinesa. Oferecendo aulas de mandarim e programas culturais em mais de 100 países, esses institutos têm sido especialmente bem-sucedidos na África, América Latina e Sudeste Asiático. Embora tenham enfrentado escrutínio e críticas no Ocidente, a expansão desses institutos nos países do Sul Global tem sido notável.

Relações Sino-Russas: Um Novo Eixo de Poder

A relação entre a China e a Rússia tem se fortalecido nos últimos anos, especialmente à luz das tensões crescentes com o Ocidente. Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin têm trabalhado juntos para moldar uma nova ordem mundial que desafie a hegemonia ocidental. Isso inclui não apenas a cooperação econômica e militar, mas também esforços conjuntos em fóruns internacionais para promover uma visão multipolar do mundo.

O Futuro da Ordem Mundial

A estratégia de Xi Jinping para um mundo multipolar é um chamado para os países em desenvolvimento e representa uma reconfiguração significativa da ordem mundial. Enquanto a China enfrenta desafios domésticos e tensões crescentes com o Ocidente, ela está ativamente buscando expandir sua influência através de uma variedade de mecanismos e parcerias.

Referências Bibliográficas

https://www.theguardian.com/world/2023/oct/09/xi-jinpings-wants-a-multipolar-world-as-china-accelerates-its-shift-away-from-the-west