Torre de 102 andares terá uma economia de emissões de CO2 equivalente a retirada de 20 mil carros das ruas
Quando o Empire State Building foi inaugurado, em 1º de maio de 1931, tendo sido desenhado em duas semanas e construído em 15 meses, transformou-se na hora em um símbolo da força humana em face à Grande Depressão. Agora, seus atuais proprietários estão tentando reinventr o prédio ao torná-lo verde.
Na semana passada, foram apresentados os novos planos, ambientalmente corretos, para o edifício. No final deste ano, a maior parte do trabalho estará completa, em um investimento de US$ 13 milhões. O projeto visa aprimorar a eficiência energética do edifício, com o objetivo maior de criar um modelo que possa se espalhar pela América e ao redor do mundo.
Por mais de quatro décadas, o Empire State teve a distinção de ser um dos mais altos prédios no mundo, título perdido para o World Trade Center, em 1972. Depois que as duas torres foram destruídas nos ataques de 11 de setembro, ele voltou a ser o mais alto edifício da cidade, com 443 metros até a ponta de seu para-raios.
Em 2006, quando foi comprado pela Malkin Holdings, havia caído em ruínas. Seus 102 andares eram ocupados, na maior parte, por pequenos negócios pagando baixos alugueis.
– Quando tomamos o controle, o prédio precisava ser consertado. Estava quebrado – disse Anthony Malkin, presidente da Malkin Holdings.
Agora, a empresa está em meio a uma renovação de US$ 550 milhões projetada para colocar o prédio de volta no mapa, parte em um projeto ambiental.
– Estamos fazendo isso não porque é a coisa certa a ser feita, mas porque faz sentido para o negócio. Se não reduzirmos o consumo de energia, vamos perder dinheiro e ser menos competitivos – afirmou Malkin.
A reforma do Empire State deve cortar o uso de energia no prédio em cerca de 40%, reduzindo o gasto em mais de US$ 4 milhões. É um número relevante não apenas para o Empire State, mas para toda a cidade de Nova York e também para outras grandes metrópoles.
Quase 80% do consumo de energia nova-iorquino se dá por meio de seus edifícios, principalmente nas grandes e antigas construções. Malkin lembra que a renovação no Empire State Building pode alcançar uma economia nas emissões de carbono equivalente ao consumo de 40 mil famílias.
Investimento em ecoeficiência
A reforma do Empire State cortará sua pegada de carbono em mais de 100 mil toneladas nos próximos 15 anos, o equivalente a tirar 20 mil carros das ruas. Se este número fosse replicado por apenas cinco dos maiores prédios na América, estaríamos falando em 2,3 bilhões de toneladas de carbono, o equivalente à produção de gases de efeito estufa de toda a Rússia em um ano.
Em sua forma mais simples, a reforma envolve a retirada de 6.514 janelas e sua renovação com uma película isolante e uma mistura de gases inertes para torná-las quatro vezes mais eficientes na retenção de calor ou frio.
Na ponta mais high-tech da reforma, a maior rede sem fio a ser aplicada em um único prédio está sendo montada no Empire State e permitirá que válvulas e aberturas sejam monitoradas e controladas por uma central. Além disso, um sistema inteligente de circulação de ar também foi instalado para aquecer o prédio no inverno e esfriá-lo no verão.
Foco na conscientização dos inquilinos
Paul Rode, do Johnson Controls, empresa de gerenciamento de energia que está coordenando o projeto, afirmou que a maior economia envolve persuadir os 300 inquilinos a usarem seus espaços de forma mais eficaz. Como ocupantes do segundo maior complexo de escritórios na América, atrás apenas do Pentágono, muito do ônus da mudança recai sobre eles.
Cada empresa que aluga espaço no Empire State agora tem acesso a um site que registra minuto a minuto quanto elas estão gastando em energia e compara com os outros inquilinos no prédio.
Depois de revelar o consumo, o site aconselha os inquilinos sobre como eles podem reduzir seus gastos com mudanças básicas, como mover mesas para o centro para permitir que a luz do dia seja melhor aproveitada, desligar as lâmpadas de noite ou reduzir o consumo do ar-condicionado.
– Nós estamos mostrando o que é possível ser feito sem instalar um único painel solar, uma turbina eólica ou uma unidade geotérmica. Trata-se de frutos de fácil alcance que podem ser arrancados, e nós devemos pegá-los o mais rápido possível – disse Malkin.