Internet vira a principal fonte de pesquisa para investidores, mostra estudo

A Internet se consolidou como a principal fonte de pesquisa para os investidores, antes da compra de novos produtos financeiros, segundo estudo realizado pelo Google Brasil. O trabalho mostra que sites de bancos, corretoras, cartões de crédito, seguradoras e sites de buscas responderam por 54% do total de consultas dos investidores.

"A decisão do investidor demora, em média, de dois a quatro meses de buscas. Notamos que as pesquisas começam com uma palavra-chave geral e, com o passar do tempo, vão afunilando na busca", explica Andreas Huettner, diretor executivo do Google Brasil.

Os sites de bancos lideram a lista de fontes consultadas por investidores na Internet, com 85% do total consultado. No segundo lugar da lista aparecem as ferramentas de busca (66%), seguidas por sites de empresa de cartão de crédito (51%) e sites de notícias (41%).

Huetnner ressaltou que os usuários recorrem à Internet mesmo após obter informações nas mídias off-line, como jornais, revistas e televisão. Os banners na Internet concentram a maior atenção dos usuários, com 78% do total pesquisado, enquanto outros 70% dos investidores disseram prestar atenção em links patrocinados nos sites de busca.

Força dos bancos

No levantamento do Google Brasil, as informações para produtos financeiros se concentraram em quatro grandes grupos: bancos, cartões de crédito, seguradoras e corretoras de investimentos.

Segundo Huetnner, as páginas dos bancos têm maior penetração entre os investidores nas pesquisas por produtos financeiros. "50% dos internautas já digitam o endereço do site diretamente na página. Outros 26% usam sites de busca e 21% já tinham a página gravada nos favoritos do computador." Para os demais grupos, explica o diretor do Google Brasil, entre 40% e 60% dos usuários usaram sites de buscas para conhecer e comparar os serviços oferecidos.

"Notamos que nos últimos anos vêm crescendo a importância da Internet no processo decisório do investidor. A rede passou a ser um complemento da informação que ele recebe do gerente nas agências", destacou Eduardo Jurcevic, superintendente de investimentos do Banco Real.

Há seis meses, o banco lançou um portal de investimento, que reúne todos os serviços oferecidos, além de disponibilizar informações online sobre os principais mercados, entrevistas com especialistas e artigos opinativos. "Olhar só do ponto de vista do produto não faz sentido. Também é preciso dar assessoria para que o investidor identifique seu perfil e faça sua carteira de investimento."

Transparência

Para André Albo, sócio da XP Investimentos, a Internet exige das instituições financeiras uma relação direta e transparente com o investidor. "A Internet não permite que você tenha uma conduta restrita, que não divulgue toda a informação, porque o cliente vai atrás de você onde você estiver", explicou.

Albo destaca que as informações online possibilitaram um maior acesso de pessoas ao mercado financeiro, ajudando a minimizar as desconfianças do investidor. Ele conta que o site de educação financeira da XP Investimentos registrou uma expansão de 40% no número de acessos nos últimos 30 dias. "Isso, de certa forma, reflete a melhora da percepção do mercado em relação à bolsa."

Segundo o sócio da corretora, a Internet ainda tem um grande potencial de crescimento, especialmente como fonte de informação. "Acreditamos que a Internet é uma importante ferramenta para busca de informações sobre a corretora. Mas também acreditamos que o atendimento pessoal faz a diferença e fideliza o cliente. Tem de ser um trabalho conjunto da Internet com o atendimento presencial", concluiu.

Potencial de crescimento

Embora seja a principal ferramenta de pesquisas, a Internet ainda não figura como o canal mais forte de solicitação e aquisição de novos produtos financeiros. Está atrás das agências, que responderam por 55% do total. Entretanto, na avaliação dos executivos do Google, ainda há um grande potencial de crescimento para as ferramentas virtuais, que atualmente respondem por 22% do total.

"Cerca de 5% dos gastos das empresas com mídia vão para o online", disse Huettner, que projeta que o montante seja ampliado em três pontos percentuais até 2011. "Nos Estados Unidos, dos US$ 11 bilhões gastos com mídia, cerca de US$ 2 bilhões investidos em finanças foram para Internet", completou Jon Kaplan, diretor de serviços financeiros do Google nos Estados Unidos.

Os executivos avaliaram que no segmento a Internet no Brasil ainda está atrás da norte-americana, e que a maturidade no setor deve ser atingida em um prazo de até três anos, segundo Huettner, registrando crescimento de 54% ao ano nas pesquisas sobre finanças.

"As finanças são, nos Estados Unidos, a segunda principal vertical de trabalho do Google. Aqui no Brasil está entre as últimas, o que dá um potencial enorme de crescimento, enquanto lá já está praticamente estagnado", finalizou o diretor executivo do Google Brasil.

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