DIs apontam alta mesmo com menores previsões de inflação e PIB

Os contratos de juros futuros começam a semana ajustando para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O acúmulo de prêmio de risco acontece mesmo com o Boletim Focus, do Banco Central (BC), mostrando nova redução nas previsões de inflação e crescimento. Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 registrava alta de 0,07 ponto, a 9,74%. O contrato para janeiro 2011 também avançava 0,07 ponto, marcando 10,49%. E janeiro 2012 apontava 11,18%, ganho de 0,10 ponto.Na ponta curta, a movimentação é pouca. Os DIs para maio e junho de 2009 não registravam negócios. E julho de 2009 operava estável a 10,15%.A sondagem do BC mostra Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,25% no encerramento de 2009, contra 4,26% da semana anterior. Queda também no prognóstico para o indicador em 2010, de 4,46% para 4,42%.Pela sexta semana consecutiva os agentes revisaram para baixo a estimativa de Produto Interno Bruto (PIB). A previsão é de contração de 0,30%, contra baixa de 0,19%. Já a taxa de juros esperada para o final do ano segue em 9,25%.Segundo o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, os dados do Focus não trazem grandes novidades e já acenam com uma acomodação no ciclo de revisões para baixo nas projeções de inflação. " Os movimentos estão mais modestos. Estamos próximos de um ponto de equilíbrio para as expectativas. " Ainda de acordo com o economista, há uma defasagem nas expectativas de curto prazo, pois a inflação para os meses de abril e maio será mais pressionada frente a janeiro e fevereiro.Quanto ao comportamento da curva futura, Serrano observa que os movimentos continuam respeitando um range de oscilação. " Ninguém está apostando muito forte na decisão do Copom, por isso o mercado anda de lado " , resume.O economista também avalia que os acontecimentos no front externo passaram a ter maior influência sobre a curva, principalmente nos vencimentos longos, já que cresce a percepção de que o pior da crise teria ficado para trás e que uma recuperação poderia começar.Dentro desse cenário, começa a ganhar força, também, a visão de um BC mais cauteloso, tentando evitar o risco de cortar de mais a taxa e se ver obrigado a ajustar os juros para cima já em 2010. Dada tal imprevisibilidade, a formação de posições defensivas em juros aumenta.Pelo lado doméstico, a retomada da atividade já no segundo trimestre também pesa sobre a decisão de política monetária. " Existe essa expectativa, não será nada espetacular, mas o crescimento será robusto. " Avaliando a agenda de indicadores da semana, Serrano destaca os dados sobre as vendas no varejo em fevereiro, que ainda devem apontar crescimento no comparativo anual.