Desde que a crise mundial se acentuou, a vida dos analistas de ações não está nada fácil. Esses profissionais buscam projetar a cotação que determinada ação terá no encerramento do ano, com base na análise de gráficos de preços ou dos fundamentos das empresas. As interpretações sobre o humor do mercado e o potencial de cada companhia são sintetizadas no conceito de preço-alvo, que ampara as decisões de investimento dos clientes das corretoras.A acentuação do risco e a variedade de visões sobre o cenário ampliaram a distância entre os preços estimados pelos analistas. "Risco Brasil, crescimento do PIB e outras variáveis influenciam o preço-alvo. Atualmente, as premissas de cada instituição estão diferentes, o que faz com que projetar o preço-alvo apropriado fique ainda mais difícil", diz o chefe do departamento de análise da corretora Ágora, Marco Melo.O aumento da diferença entre os valores decorre também de métodos de cálculo que podem enfatizar ou minimizar determinada influência sobre a ação. "A corretora pode avaliar um detalhe, como o crédito para o longo prazo, que foi afetado negativamente na crise, mas que não está sendo visto por outro analista", explica o sócio da consultoria FinPlan, Rogério Bastos.É fácil notar a diversidade de preços-alvo: basta comparar as carteiras recomendadas mensalmente pelas corretoras. Em abril, a diferença entre o menor e o maior preço projetado para as ações preferenciais da Vale ao final de 2009 atingiu 127% - em abril do ano passado, a variação era de 17,7% entre o piso e o teto previstos para o fim de 2008.A disparidade, alimentada pela volatilidade dos últimos sete meses, reforça a cautela dos investidores. "É esquisita tamanha distância entre os preços-alvo", diz o engenheiro Allan Arantes, que passou a definir as próprias estimativas de preço para a sua carteira de ações. Mas observar os relatórios dos analistas continua sendo válido, com alguns cuidados. "Deve ser feita uma média das projeções de pelo menos três analistas", sugere Bastos.