As transformações globais, a crise climática emerge como um desafio sem precedentes

A Crise Climática Global

As transformações globais, a crise climática sem precedentes

Impactos, Desafios e Estratégias de Mitigação e Adaptação

Em um contexto de transformações globais, a crise climática emerge como um desafio sem precedentes, impondo impactos econômicos, sociais e ambientais profundos. 

Um relatório alarmante das Nações Unidas ressalta a gravidade da situação: as concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiram níveis inéditos nos últimos dois milhões de anos. Este cenário evidencia a necessidade imperativa de cortar as emissões globais de CO2 pela metade até 2030, conforme estipulado pelo Acordo de Paris. O objetivo deste acordo é limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, uma meta essencial para evitar catástrofes climáticas.
Os efeitos econômicos da crise climática são tangíveis e devastadores. Estudos recentes indicam que os custos associados a eventos extremos, como tempestades, inundações, ondas de calor e outros fenômenos ligados ao aquecimento global, ascendem a cerca de 16 milhões de dólares por hora - um valor aproximado de 82 milhões de reais. 

Nos últimos 20 anos, estes custos acumularam um total de 2,8 trilhões de dólares, afetando diretamente mais de 1,4 bilhão de pessoas em todo o mundo.

No Brasil, o impacto é igualmente significativo e se manifesta em diversas áreas. Em 2023, aproximadamente 5,8 milhões de brasileiros foram afetados por eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e secas prolongadas. Estes eventos resultaram em perdas de vidas, desalojamentos e um prejuízo econômico estimado em 50,5 bilhões de reais devido a tempestades e estiagens. A agricultura, pilar da economia brasileira, sofreu enormemente: desde 2013, as adversidades climáticas causaram prejuízos superiores a 300 bilhões de reais, com perdas de 24,6 bilhões na agricultura e 9,1 bilhões na pecuária apenas nos primeiros nove meses de 2023.

A resposta global a esta crise, conforme salientado pelo relatório da ONU, abrange a redução de emissões de gases de efeito estufa e a adaptação em setores chave como energia, agricultura, uso da terra e processos industriais. Esta resposta exige investimentos substanciais, especialmente para países em desenvolvimento. Quase metade da população mundial reside em regiões altamente vulneráveis às mudanças climáticas, onde as mortes decorrentes de enchentes, secas e tempestades são 15 vezes maiores em comparação a áreas menos expostas. Portanto, é vital preparar a sociedade e, principalmente, as populações mais vulneráveis, tornando-as mais resilientes a esses eventos.
O relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) serve de base científica para o Acordo de Paris e orientará as discussões na próxima Cúpula da ONU para o Clima em Doha, que se concentrará em estabelecer metas mais ambiciosas para desarmar a "bomba-relógio climática".
A crise climática é um desafio multidimensional que requer soluções coordenadas e colaborativas. A parceria entre nações, setores e comunidades é fundamental para mitigar seus impactos e se adaptar às mudanças climáticas. Enquanto o custo da inação é elevado, tanto em termos econômicos quanto humanos, a transição para uma economia mais verde oferece oportunidades de desenvolvimento sustentável e inovação. No contexto brasileiro, uma abordagem estratégica que integre adaptação climática e sustentabilidade econômica é crucial para garantir a prosperidade futura do país.
A crise climática não é apenas uma questão ambiental, mas também uma questão de desenvolvimento humano, equidade e justiça social. É essencial que os esforços de mitigação e adaptação sejam inclusivos, considerando as necessidades das populações mais vulneráveis e trabalhando em direção a um futuro mais sustentável e resiliente para todos.
A crise climática global emergiu como um dos maiores desafios do nosso tempo, com implicações profundas para o meio ambiente, economia e sociedade. No Brasil, um país com grande biodiversidade e uma economia dependente de recursos naturais, os efeitos dessas mudanças são particularmente significativos.

No Brasil, estratégias que equilibrem mitigação e adaptação são essenciais para um desenvolvimento sustentável e justo. A atuação conjunta de diferentes setores é crucial para garantir um futuro resiliente para o país.

Referências Bibliográficas
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Global Warming of 1.5°C. An IPCC Special Report on the impacts of global warming of 1.5°C above pre-industrial levels and related global greenhouse gas emission pathways. [Online]. Disponível em: https://www.ipcc.ch/sr15/.

Organização das Nações Unidas (ONU). Emissions Gap Report 2020. [Online]. Disponível em: https://www.unep.org/emissions-gap-report-2020.

Stern, N. (2006). Stern Review on The Economics of Climate Change. HM Treasury, London. [Online]. Disponível em: http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/+/http:/www.hm-treasury.gov.uk/stern_review_report.htm.

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Harvey, F., & Ambrose, J. (2021). Cost of global push to prevent climate breakdown is $16m an hour – report. The Guardian.

https://www.corriere.it/economia/23_novembre_10/crisi-climatica-eventi-estremi-ci-costano-almeno-16-milioni-dollari-all-ora-9cc512a4-6843-11ee-aaf2-f4091213009c.shtml