Segundo fabricante, não há mais motivo para onerar preço da bolsa ao consumidor. Frete deveria elevar unidade em cerca de R$ 1,50


A alta de até 31% sobre os preços do cimento na Grande Cuiabá é culpa exclusiva do varejo. Ontem, o diretor comercial do Grupo Votorantim, Marcelo Chamma, informou ao Diário que o abastecimento já está normalizado e que não há mais motivos para os preços do insumo se manterem tão elevados em relação às cotações registradas há algumas semanas. Nas lojas de materiais de construção, os preços oscilavam entre R$ 19,80 e R$ 25.
A evolução dos preços registrada a partir do dia 19 de julho, alterou os preços ao consumidor em mais de 30%. A bolsa de 50 quilos passou de cerca de R$ 17,50 para R$ 23, em apenas dois dias. Mas, o produto, principal insumo da construção civil, pôde ser encontrado por até R$ 25.
Segundo Chamma, na segunda metade do mês passado a fábrica de Nobres (146 quilômetros ao médio norte de Cuiabá) não deu conta de atender a grande demanda da construção e foi obrigada a trazer cimento de outros estados, como Mato Grosso do Sul (fábrica de Corumbá) e de Cocalzinho (Goiás), Sobradinho (Brasília) e Sergipe.
O transporte implicou em uma elevação, ao comércio, de R$ 1,50 por bolsa para compensar o frete. “Na verdade, quando houve escassez momentânea de cimento, não tínhamos alterado os preços. A alta foi no balcão das lojas e não houve qualquer interferência da indústria”, explicou Chamma.
Com a “importação” do produto de outras regiões, a alta adotada pela indústria foi de apenas R$ 1,50/saca. Com isso, o cimento que estava sendo vendido por R$ 17,50, antes da crise, deveria custar hoje no máximo R$ 19 para o consumidor, já computado o frete cobrado pela indústria. No entanto, chegou a mais de R$ 25.
“Logo no início da crise, informamos aos empresários de Mato Grosso que poderíamos conseguir o cimento em outras fábricas, e que isso implicaria em um aumento temporário de R$ 1,50 por saca. Não podemos nos responsabilizar pela alta que está sendo adotada hoje pelo comércio”, esclareceu Chamma.
OFERTA - Ontem, o presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção (Acomac), Wenceslau Júnior, confirmou que o abastecimento já está normalizado e que muitas lojas podem estar se aproveitando da situação – demanda elevada do consumo – para majorar preços. “A alta hoje já não se justifica e o consumidor tem de fazer cotação antes de comprar cimento”, disse, informando que o produto em sua loja estava sendo vendido ontem ao preço de R$ 19,80.
Nos bairros da periferia, contudo, os preços chegam a até R$ 25. E, nas grandes lojas do ramo, os preços oscilam de R$ 21 a R$ 23. Na Todimo e Beira Rio, a bolsa de cimento estava sendo comercializada ontem por R$ 21 e, na Bigolin, R$ 23.
No balcão das lojas, a justificativa é de que os preços ainda estão altos porque o cimento está vindo de fora. “Estamos comprando cimento do Nordeste, por isso está mais caro”, afirmou o vendedor de uma loja da Avenida Carmindo de Campos.
COMPRA - A Votorantim está comprando atualmente 1,1 mil toneladas – ou 22 mil sacas – por dia de cimento para o suprimento de Mato Grosso, Rondônia e Acre. Deste total, Mato Grosso está recebendo 700 toneladas.
Com a ampliação das instalações da planta de Nobres, a indústria acredita que o abastecimento estará totalmente normalizado dentro de 30 ou 40 dias, sem a necessidade de comprar o produto em outras praças. Além disso, a Votorantim aposta também na nova fábrica de Porto Velho, o que dará um alívio à indústria de Nobres.
Marcelo Chamma prevê incremento no consumo de cimento nos próximos meses, por conta do movimento das obras da construção civil. “Mato Grosso já está registrando forte expansão e acreditamos que ela irá se intensificar ainda mais por conta da Copa do Mundo”, afirmou.
Ele informou que o projeto de construção da nova fábrica de cimento está mantido, porém sem data definida. “Com os ajustes que estamos fazendo na fábrica atual e com a inauguração da planta de Rondônia, a empresa vai avaliar se será realmente necessária para agora”.
Ele admitiu que o adiamento na construção se deve, em boa parte, à crise financeira mundial. “De fato, fomos atingidos”, afirmou Chamma. Segundo ele, alguns projetos, como o de Nobres, estão aguardando uma definição do mercado antes de serem colocados em prática. Mas, a maior parte dos investimentos – cerca de R$ 3 bilhões até 2012 – estão mantidos e muitos projetos já estão em andamento em vários estados.

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=353362