Juros baixos e subsídios embalam o sonho da casa própria

O sonho da casa própria nunca esteve tão próximo. A compra do imóvel está favorecida por um pacote de medidas anunciado pelo governo e pelas instituições financeiras nos últimos tempos: farta linha de crédito imobiliário, concorrência de bancos privados com os federais, queda na taxa de juros, aumento do valor do limite a ser financiado e dos prazos de pagamento do empréstimo.
“Com a crise, os bancos tinham fechado a torneira do crédito. Mas agora voltaram a demonstrar interesse pelo mercado imobiliário, com prazos mais longos de pagamento e taxas de juros mais acessíveis”, afirma o analista Eduardo Almeida, sócio da DLM, empresa gestora de recursos financeiros. Nas últimas semanas, a maior parte dos bancos anunciou redução nos juros para a compra da casa própria, com taxas a partir de 8,2% ao ano mais a Taxa Referencial (TR). A disputa envolveu tanto bancos federais como privados, como a Caixa Econômica Federal, Bradesco, Nossa Caixa e Banco do Brasil. “O cenário como um todo é favorável para o mercado imobilário”, observa Almeida.
Apesar de novas perspectivas de queda de taxa de juros, o momento é positivo para a compra da casa própria, na avaliação de analistas. “Mesmo com previsão de queda nos juros, vale a pena comprar o imóvel já, se o consumidor tiver condições. Com o passar do tempo, a tendência é de que os bens fiquem mais caros. E a aquisição é sempre mais interessante do que pagar aluguel”, observa Ricardo Melo, consultor de finanças pessoais do Instituto Ricardo Melo. Ele lembra que a tendência do imóvel é valorizar com o tempo, ao contrário do que acontece com carros e eletrodomésticos. “A taxa de juros do Brasil ainda é alta, se comparada com outras regiões, como Estados Unidos e Europa. Mas é baixa se for comparar com dois anos atrás”, afirma Melo.
O presidente da Câmara da Construção Civil da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Teodomiro Diniz Camargos, alerta que não há garantias de que os benefícios para o setor imobiliário vão se prolongar. “Ninguém garante que os vários subsídios vão se estender. Nunca tivemos tanto subsídio para a casa própria. É hora de aproveitar a oportunidade”, diz. Ele lembra que os preços dos imóveis, que tiveram um boom no ano passado, já não estão em escalada. “Com as várias medidas adotadas pelo governo e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o custo da construção caiu”, observa.
O Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m²) da construção teve queda de 0,75% em abril deste ano, comparado com março. O resultado foi em função da redução de 1,49% observada no custo com materiais. Os outros itens que compõem os custos da construção (despesas administrativas, mão de obra e aluguel de equipamentos) permaneceram estáveis. Com isso, o custo do metro quadrado de construção em Belo Horizonte, que em março era R$ 826,48, passou para R$ 820,25 em abril. Em maio, houve nova queda, de -0,22%.
O funcionário público Pedro Henrique Miranda Maia e a estudante Natália Carolina Barbosa vão se casar em 2011. Nesta semana, eles já começaram a olhar imóvel para comprar. “Está parecendo que é um bom momento para a compra. O valor da entrada que estão cobrando é mais baixo, tem o subsídio do governo, e a taxa de juros também caiu”, observa Maia. Eles pretendem desembolsar até R$ 100 mil em um apartamento de dois quartos nos bairros Santa Efigênia, Santa Tereza ou Camargos.
Antes do pacote Minha casa, minha vida, lançado pelo governo federal há pouco mais de dois meses, o casal já tinha sondado a compra do imóvel. “Mas saía mais caro. Eles pediam R$ 25 mil de entrada e o pagamento era de 25 anos. Hoje o valor de entrada exigido para o mesmo imóvel é de R$ 15.400, em prazo de 30 anos”, afirma Maia. Os dois moram com os pais. A prestação da casa própria, dentro do programa, vai sair por R$ 450.
O pastor Rodrigo Gonçalves da Silva foi com os filhos Jonathan e Vinícius conferir nesta semana como estão as linhas de crédito para a compra da casa própria. Ele paga há dois anos R$ 550 de aluguel em um apartamento no Bairro Santa Efigênia. “Eu vim olhar as condições para a compra do apartamento porque ouvi falar de feirão de imóveis, juros mais baixos e prazo maior de pagamento. Acho que é um bom momento para a aquisição da casa”, diz. Ele quer comprar um apartamento no Bairro Ouro Preto ou em Santa Efigênia. “Mesmo se a prestação ficar um pouco mais cara do que meu aluguel, acho que vale a pena”, diz.
O presidente em exercício do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-MG), Paulo Tavares, lembra que a taxa de juros pode até elevar o preço das unidades residenciais. “Se a demanda subir muito, o preço pode subir, principalmente de imóveis para a classe média, com faixa de preço entre R$ 150 mil e R$ 350 mil”, diz.

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