Ao optarem por queimar estoques em vez de aumentar a produção, para dar conta da crescente demanda do mercado consumidor varejista, as indústrias brasileiras contribuem para que o Produto Interno Bruto (PIB) seja menor do que o esperado.
A afirmação é do diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), João Sicsú, feita nesta quarta-feira durante o lançamento da publicação Conjuntura em Foco, que aborda o tema Flutuação de Estoques e Produto Industrial.
“O PIB estará aquém das expectativas por conta da produção industrial, e não do movimento de consumo e comércio. Trata-se de um comportamento racional dos empresários, que buscam não incorrer em custos, atendendo ao comércio varejista com a queima de estoques e não com a produção”, disse o diretor do Ipea.
Mas o momento atual, de acordo com Sicsú, já começa a ser de recuperação para as indústrias. “Em março e abril, as indústrias realizaram um movimento de recomposição de estoques, o que resultará, mais à frente, em crescimento do PIB”, avaliou.
Segundo o estudo, dados de abril indicam leve recuperação da produção industrial. Em particular, pelo fato de 4,1% das empresas terem relatado deter estoques insuficientes.
“A partir da queima de estoques indesejados ocorrida no último trimestre de 2008 e de um processo de recomposição gradual nos dois primeiros trimestres de 2009, a economia brasileira deverá trabalhar com um nível normal de estoque já no terceiro trimestre deste ano, compatível com os patamares registrados no terceiro trimestre de 2007 e um pouco inferior ao do terceiro trimestre de 2008”, disse Sicsú.
“E, no período entre julho de 2009 e junho de 2010, teremos um PIB com crescimento bastante aceitável até para tempos de normalidade. Todos indicadores apontam para isso”, completou.
Indústria colabora para PIB menor ao queimar estoques, diz Ipea
Ricardo Meper
RICARDO MEPER
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