O presidente da Comissão Europeia (órgão Executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso, afirmou nesta terça-feira que vai defender na cúpula do G20 em Londres, no próximo dia 2, que as economias emergentes passem a ter uma "participação equitativa" na estrutura do Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras instituições financeiras internacionais.
"A questão de representação e responsabilidade no FMI é importante. A representação nas instituições internacionais deve refletir a realidade, não a história. As economias emergentes devem ter uma participação equitativa", afirmou em entrevista coletiva em Bruxelas.
Para o presidente do Executivo europeu, os países da UE "terão que ser flexíveis" ao decidir como proporcionar esse equilíbrio.
Barroso também defenderá que o Fórum de Estabilidade Financeira (FSF, na sigla em inglês) - um organismo internacional criado pelo G7 e escolhido pelo G20 para coordenar as reformas do sistema financeiro internacional - inclua todos os membros do grupo dos 20 e trabalhe em parceria com o FMI para produzir alertas em caso de riscos para a estabilidade macroeconômica ou financeira.
Ajuda aos mais pobres
Em sua posição comum, os 27 países da UE deverão pedir mandatos mais fortes para essas duas instituições e mais fundos para o FMI, ao qual destinarão 75 milhões de euros adicionais, "a fim de que possa ajudar as economias em dificuldade" a restabelecer o fluxo de crédito.
Barroso admitiu que "os países em desenvolvimento não devem pagar o preço de uma crise gerada no mundo desenvolvido" e, para ajudá-los, disse que irá sugerir a criação de um "instrumento global para o financiamento do comércio", mas não explicou como seria seu funcionamento.
"Temos a obrigação de oferecer mais apoio para ajudar os países mais pobres durante a crise. Não pode haver recuperação sem justiça em relação aos países em desenvolvimento", limitou-se a afirmar.
Prioridades
Apesar de reconhecer que a reunião em Londres desta quinta-feira "não acabará com a crise da noite para o dia", Barroso disse confiar em resultados concretos, especialmente em alguns pontos que considera fundamentais, como a "coordenação mundial" de planos de estímulo fiscal e dos sistemas de supervisão das instituições financeiras internacionais.
Bruxelas quer que o G20 concorde em aumentar a regulação sobre os hedge funds e as agências de avaliação de crédito, além de tomar medidas contra os paraísos fiscais.
O bloco também pedirá que, dentro de seus planos de recuperação econômica, os demais países se comprometam em investir em tecnologias que reduzam as emissões de gases causadores do efeito estufa e melhorem a eficiência energética.
Ao mesmo tempo, os europeus voltarão a insistir na importância de seguir no caminho da liberalização comercial, com o argumento de que "não pode haver recuperação sem um comércio livre e justo", em palavras de Barroso.
"O G20 deve repetir alto e claro três palavras importantes: não ao protecionismo", defendeu o presidente da CE, ressaltando que a conclusão da Rodada Doha poderia dar um impulso de US$ 150 bilhões por ano ao comércio mundial.