O presidente Barack Obama chegou a um compromisso aceitável na segunda-feira entre duas opções pouco atraentes: deixar a General Motors e a Chrysler chegarem à falência imediata ou lhes dar bilhões de dólares a mais e esperar pelo melhor. Ao invés disso, ele decidiu financiar suas operações por algumas semanas enquanto força as companhias a criarem planos melhores para sua recuperação.
Agora que o governo tem todo controle do processo, deve se manter dentro de seus objetivos e metas. Se a Chrysler não puder atingir um acordo necessário com a Fiat em um mês, o governo deve abandoná-la, mesmo que isso signifique seu fim.
O governo tem 60 dias para limpar a folha de orçamento da GM, eliminar dívidas e se livrar de linhas de produção e revendedoras para que possa emergir como uma companhia menor e mais viável. A gestão Obama deve manter sua oferta de apoiar ambas as companhias durante um processo rápido e controlado de falência. Considerando a indisposição dos acionistas em trocar a dívida pelo lucro líquido nas automobilísticas, os processos de falência provavelmente serão necessários para se limpar a maioria da dívida das companhias.
O resgate de US$ 17,4 bilhões da GM e Chrysler no ano passado foi a medida certa. Incluindo os empregos nas montadoras, outros centenas estavam em risco. Ainda assim, as automobilísticas deixaram de criar planos de reestruturação que garantem sua sobrevivência como companhias auto-sustentáveis do outro lado do resgate multibilionário com dinheiro dos contribuintes. O governo estava certo em recusar outros bilhões que as companhias requisitaram.
As automobilísticas falharam em chegar a um acordo com os acionistas, para converter dívida em lucros líquidos, ou mesmo com o Sindicato dos Trabalhadores de Automóveis Unidos, para usar estes lucros para financiar um fundo para a assistência médica dos aposentados. Os planos de reestruturação que apresentaram eram otimistas. Eles presumem que as companhias manterão grande parte de sua fatia do mercado, uma consideração perigosa considerando performances passadas. Suas projeções de vendas estavam foram de sintonia com a aguda queda no mercado automobilístico americano.
A força tarefa de Obama decidiu que a Chrysler, que é muito dependente de seus carros esportivos, não seria prejudicada apenas pela mistura errada de seus produtos mas também era pequena demais para sobreviver sozinha. E ainda que a força tarefa tenha decidido que a GM parece a caminho de se recuperar, a companhia parecia se mover lentamente para abandonar suas marcas não lucrativas e modificar seus produtos. Mesmo em um cenário otimista, a companhia deve perder dinheiro por muitos anos.
A nova posição do governo deve produzir uma reforma mais significativa do setor automotivo. Forçar a saída do presidente e chefe executivo da GM, Rick Wagoner, foi uma medida necessária para que uma nova liderança possa colocar a companhia em um novo rumo. O processo de falência apoiado pelo governo pode ser usado para descartar as dívidas da GM e os bens indesejados e produzir uma companhia menor e mais lucrativa. Para a Chrysler, uma junção com a Fiat parece ser uma boa decisão.
Haverá resistência em permitir que a GM passe pelo processo de falência. Se a Chrysler estiver ameaçada de liquidação, haverá enorme pressão sobre o governo por mais dinheiro para salvar a companhia. Mas a força tarefa criou o que parece ser o melhor plano para se conseguir uma indústria automobilística viável. O presidente deve segui-lo.