Ben S. Bernanke, presidente do Federal Reserve, alertou na quinta-feira que o crescente número de desapropriações está prejudicando a economia. Ele propôs algumas ideias (modificações das hipotecas pelo governo e mais dinheiro dos contribuintes para ajudar em refinanciamentos) para manter as pessoas em suas casas. "Precisamos fazer mais", ele disse.
No Departamento do Tesouro, enquanto isso, oficiais de alto escalão continuaram a trabalhar em um plano que busca impulsionar o mercado imobiliário ao subsidiar hipotecas de 30 anos com juros baixos de até 4,5% (índice que os proprietários não veem desde dos anos 1960).
Ambas as ações ressaltaram como os legisladores econômicos completaram um ciclo. Desde o começo da crise financeira, o Fed e o Tesouro se concentraram quase completamente na ajuda aos bancos, empresas de Wall Street, fundos de mercado e dívidas comerciais.
Mas agora o novo foco na ajuda a indivíduos pode criar uma divisão amarga entre aqueles que querem comprar casas e os que já as têm. A iniciativa já abriu uma disputa entre a indústria imobiliária, que quer aumentar as vendas, e a indústria bancária, que quer abandonar o número crescente de hipotecas em dificuldades.
De acordo com um plano considerado pelos oficiais do Tesouro, o governo se responsabilizaria por bilhões de dólares em hipotecas fixas de 30 anos com juros muito menores do que a maioria dos americanos tem visto. Mas as hipotecas mais baratas seriam disponibilizadas apenas para pessoas que estão comprando casas e não para as que já têm hipotecas e gostariam de refinanciá-las a índices menores. A proposta dos oficiais do Tesouro determina que os proprietários que agora pagam 6% veriam a chegada de vizinhos cujos pagamentos mensais seriam quase um terço menores.
"A essa altura, na nossa opinião um programa como este seria pior do que nada", disse Camden R. Fine, presidente da Comunidade Independente de Bancários da América.
Mas a Associação Nacional de Corretores Imobiliários apoia a ideia. "Nós acreditamos que a única maneira de realmente lidarmos coma situação imobiliária é aumentar as vendas", disse Lawrence Yun, chefe economista da associação. "O preço das casas não irá se estabilizar até que cuidemos do problema de inventário e a única forma de diminuirmos o inventário de casas no mercado é criar um novo setor de compradores".
Por EDMUND L. ANDREWS