O varejo da região metropolitana de São Paulo encerrou março com alta real de 2,5% no faturamento em comparação com o mesmo mês de 2008, indica Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) divulgada hoje pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). O aumento foi puxado pelo segmento de Comércio Automotivo, que cresceu 13,4%.
Para o economista e diretor executivo da entidade, Antônio Carlos Borges, o bom desempenho surpreende, uma vez que o faturamento real no primeiro trimestre teve recuo de 1,2%, comparado a igual período de 2008. "É o momento de rever as projeções para o ano", afirma.
A pesquisa também aponta crescimento significativo em outros segmentos do varejo. A área de Farmácias e Perfumarias, por exemplo, registrou elevação de 14,6% no faturamento real em relação a igual mês do ano passado. Ainda que tenha menor peso na pesquisa, o setor teve o melhor desempenho do comércio para o mês e acumula alta de 11,8% no ano. Na opinião de Borges, o aumento na massa real de rendimentos na região, adicionado ao crescimento do consumo dos medicamentos genéricos, pressionou o índice positivamente.
Outro segmento que teve destaque na pesquisa foi o de Lojas de Departamento, que pelo terceiro mês consecutivo registrou alta no faturamento. Em março, o crescimento chegou a 1,6% na comparação com o mesmo período de 2008. Em fevereiro, o aumento havia sido de 3%. No acumulado do primeiro trimestre, a expansão chega a 6,3%.
Conforme o economista, se os dados de março representarem uma tendência, o varejo poderá apresentar uma recuperação - ainda que modesta. "Os resultados, apesar de positivos, estão concentrados em poucos setores. Essa centralização mostra um potencial de risco: se esses segmentos, principalmente o automotivo, apresentarem resultados ruins, dificilmente haverá compensação positiva suficiente por parte de outros setores", afirma.
A cautela de Borges se deve às baixas apresentadas em março por outros setores. O segmento de Supermercados teve sua primeira queda no ano, com redução de 7,3% no faturamento real em relação a março de 2008. No acumulado do ano, a queda é de 1,2%. Borges destaca que o efeito calendário é a principal razão da queda expressiva para o setor. "No ano passado, a Páscoa ocorreu no mês de março e neste ano caiu em abril. Com isso, a base de comparação para março deste ano ficou elevada."
Outro segmento que apresentou recuo significativo foi o de Vestuário, Tecidos e Calçados - variação negativa de 10,4% na comparação com o março de 2008. Essa é a terceira redução consecutiva no segmento, que em fevereiro apresentou baixa de 8,7% e encerrou o trimestre com queda de 7,3%.
De acordo com a PCCV, o pior desempenho de março ficou com Lojas de Eletrodomésticos e Eletrônicos. Em março, a queda do faturamento foi de 12,9% e, no trimestre, o desempenho ficou negativo em 10,7%.