Os indicadores econômicos divulgados nesta sexta-feira não deixam dúvida do péssimo estado de saúde das potências euroepeias, que podem ser vítimas de uma recessão galopante durante 2009. Desde quinta-feira, uma série de países europeus confirmou um nítido retrocesso de seu Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2008: Alemanha, Espanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Áustria e Estônia.Prova desta tendência, as últimas estatísticas do conjunto da Eurozona, publicadas nesta sexta, revelaram uma contração de 1,5% do PIB entre outubro e dezembro de 2008, uma queda histórica desde sua criação.Os países que utilizam a moeda única (15 até 31 de dezembro de 2008, 16 desde 1º de janeiro com a entrada da Eslováquia) registraram desta maneira o terceiro trimestre consecutivo de desaceleração da atividade, já que o PIB teve contração de 0,2% no segundo e terceiro trimestres de 2008.A União Europeia em seu conjunto (UE-27) entrou oficialmente em recessão no quarto trimestre do ano passado, com um retrocesso de 1,5% do PIB, depois de uma queda de 0,2% no período anterior, segundo o instituto europeu de estatísticas Eurostat.A Alemanha se afundou um pouco mais na recessão no quatro trimestre, com uma queda de seu PIB de 2,1% em relação ao trimestre anterior, devido, principalmente, a uma diminuição das exportações da primeira grande potência europeia.O PIB da Itália, que entrou em recessão no terceiro trimestre de 2008, se contraiu 1,8% no quarto trimestre em relação ao anterior, e 0,9% de média em todo 2008, segundo uma primeira estimativa publicada nesta sexta.A Holanda entrou oficialmente em recessão com uma contração de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2008 em comparação com o anterior, segundo o Escritório Central de Estatísticas.No terceiro trimestre, o dado de crescimento foi revisado para baixo, de 0 a -0,3%, segundo o Escritório. Para o segundo trimestre, o dado também foi revisado para baixo, de +0,1% a -0,1%.A contração de -0,9% no quarto trimestre de 2009 "é a mais importante registrada desde os anos 1980", acrescentou.No conjunto de 2008, o crescimento holandês foi de 2%, segundo uma primeira estimativa.Por outra parte, a inflação na Espanha registrou em janeiro o menor nível desde 1969, a +0,8% em relação a janeiro de 2008, anunciou o Instituto Nacional de Estatística (INE).Entre dezembro e janeiro, os preços retrocederam 1,3% na Espanha, de acordo com o instituto.Depois de vários anos de forte crescimento, a Espanha sofre desde 2008 uma brutal desaceleração econômica.Para 2009, as previsões no Velho Continente se anunciam ainda mais sombrias, em particular para a Espanha, com uma contração do crescimento de 1,6% em 2009.Mas a situação se anuncia pior para países de fora, como o Japão, que na segunda-feira revelará as cifras de seu PIB no último trimestre: os economistas preveem uma queda de 3% em relação ao terceiro trimestre, e de 11,6% em ritmo anual.Nos Estados Unidos, a contração do PIB foi de 3,8% nos últimos três meses do ano, segundo cifras ainda provisórias, as piores desde 1982.O fim da crise mundial parece distante, apesar das expectativas criadas pelo voto final de aprovação do plano de reativação econômica nos Estados Unidos (789 bilhões de dólares).A hipótese oficial de uma volta ao crescimento nos Estados Unidos durante 2009 parece cada vez mais improvável, como reconheceu conselheiro econômico do presidente Barack Obama, Lawrence Summers, para quem a recuperação só chegará no início de 2010.