Microcrédito ajuda no pontapé inicial de pequenas e médias empresas

Até agosto deste ano, foram concedidos R$ 5,4 bilhões em crédito nesta modalidade, valor 46% superior aos R$ 3,7 bilhões liberados no mesmo período de 2012


Brasil Econômico - José Carlos Videira

As operações de microcrédito no Brasil estão ganhando cada vez mais volume. Essa modalidade de crédito voltada a microempreendedores formais e informais tem garantido o nascimento e sobrevida de muitos empreendimentos. Normalmente, é utilizada para compra de mercadoriasreposição de estoques, compra de máquinas e equipamentos, reforma e ampliação de local de trabalho, a um custo bem mais baixo que as linhas convencionais.
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Segundo dados divulgados pelo Banco Central, até agosto deste ano, foram concedidos R$ 5,4 bilhões em microcréditos, montante 46% superior aos R$ 3,7 bilhões liberados de janeiro a agosto de 2012. O total dos oito primeiros meses de 2013 já representa 83% dos R$ 6,5 bilhões liberados ao longo de todo o ano passado.
taxa média de juros das operações de microcrédito em agosto era de 9,3% ao ano, bem menor que os 14% cobrados, em média ao ano, em igual mês de 2012. Ainda segundo dados do Banco Central, o prazo médio das operações tem girado mais frequentemente em torno de nove meses neste ano e ao longo de 2012. 

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Em geral, os empréstimos por meio de microcrédito são liberados a partir de R$ 100 até R$ 15 mil

De acordo com o superintendente-executivo da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE), Marco Antonio Araujo Lima, “a procura por essas linhas de crédito deve aumentar entre 35% e 40% neste ano”.
Pelos cálculos da ABDE, em 2012, as pequenas e médias empresas brasileiras contrataram R$ 107 bilhões em crédito do Sistema Nacional de Fomento (agências de fomento, bancos públicos comerciais e bancos de desenvolvimento regionais e estaduais). 
Ao longo dos 11 anos de operação com microcrédito, o Banco Santander já realizou cerca de 300 mil atendimentos, com desembolsos de R$ 2 bilhões. “Crescemos 20% ao ano nos últimos cinco anos”, ressalta o superintendente de Microcrédito do Santander, Jerônimo Ramos. A carteira ativa do banco é de R$ 249 milhões, com 121 mil clientes de microcrédito.
Maior parte dos empréstimos é feita por mulheres
O Banco do Brasil passou a atuar no segmento de microcrédito em setembro de 2011, com o Microcrédito Produtivo Orientado (MPO). No final daquele ano, fechou as operações com cerca de 35 mil atendimentos e R$ 142,3 milhões de saldo.
De janeiro a junho deste ano, o saldo da carteira somava R$ 801,7 milhões e mais de 860 mil clientes. “Para nós, o mais importante no MPO não é o volume da carteira, mas a quantidade de beneficiários atendidos”, enfatiza o diretor de Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil, Adílson Anísio.
Pequenos comerciantes, artesãos, prestadores de serviços, muitos sem nem mesmo ter conta corrente em banco, demandam pequenas quantias. Porém, muitas vezes, o recurso faz toda a diferença para a manutenção da sua atividade econômica. Em geral, os empréstimos por meio de microcrédito são liberados a partir de R$ 100 até R$ 15 mil.
Na medida em que o tomador vai ratificando a sua capacidade de pagamento, os novos empréstimos vão sendo liberados em valores maiores.
“A nossa média por operação é de R$ 2,1 mil”, conta o superintendente de Microcrédito do Santander, Jerônimo Ramos. Segundo ele, uma característica da sua carteira é que a maior parte dos empréstimos é feita por mulheres. Não é por acaso que o segmento de confecção e de beleza estão entre as primeiras atividades que mais demandam microcrédito no Santander. 
E para esse nicho de mercado, orientação financeira para a tomada de crédito é fundamental. O Banco Brasil oferece orientação e acompanhamento antes da contratação e durante a vigência do contrato. “Isso permite identificar as reais necessidades de crédito do empreendedor”, ressalta Anísio.
Por intermédio da Santander Microcrédito, empresa não financeira do banco espanhol, 206 agentes de crédito também atuam ao longo de todas as etapas do microcrédito. “É uma figura de extremo valor”, classifica Ramos. Esse pessoal faz toda a gestão das operações, desde a identificação dos empreendedores, perfil socioeconômico, até o acompanhamento da utilização do recurso. “Garante uma assessoria financeira de verdade.” 
As operações de microcrédito do Santander se desenvolvem em dez estados, predominantemente da região Nordeste e também no eixo Rio-SP. O Bradesco atua com microcrédito em 180 pontos, considerando a quantidade de empreendedores individuais ou grande concentração de pobreza, incluindo comunidades da Grande São Paulo e do Rio de Janeiro. A carteira de microcrédito do Bradesco, incluídas operações próprias e de repasse, era de R$ 707 milhões em agosto.