Este ano será favorável para quem precisar tomar dinheiro emprestado. O total de empréstimos concedidos pelos bancos e financeiras vai crescer e, o que é melhor para o consumidor, a concorrência entre os bancos vai fazer com que o crédito fique mais barato, mais longo e mais fácil de conseguir.
Pelas contas dos especialistas, ao final de 2010, o total de empréstimos concedidos no Brasil será equivalente a 50% do Produto Interno Bruto (PIB), crescimento de cinco pontos percentuais em relação aos 45% de hoje. Na ponta do lápis, isso quer dizer uma injeção de R$ 216 bilhões em empréstimos novos na economia.
Esse cenário positivo vai ocorrer devido a uma conjunção de fatores que vai estimular tanto a demanda quanto a oferta de empréstimos. A demanda vai crescer devido aos bons prognósticos para a economia. Tomar dinheiro emprestado é sempre um risco, por isso o estado de espírito do consumidor – otimista ou pessimista – faz muita diferença.
Segundo a pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central (BC) junto aos bancos, os prognósticos dos economistas são de que o PIB brasileiro vai crescer 5,2% em 2010. Em 2009, a alta esperada era de 0,2%.
PIB em alta
Quando a economia cresce, há mais empregos e os salários aumentam, e há menor probabilidade de que quem tomou dinheiro emprestado deixe de pagar o que deve. Assim, pessoas e empresas ficam mais dispostas a tomar dinheiro emprestado.
Já a oferta de empréstimos deve crescer devido ao aumento da concorrência entre os bancos. A crise de 2008, que se estendeu até o começo de 2009, deixou os bancos muito retraídos, com medo de emprestar nos primeiros meses do ano.
A pesada atuação dos bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal também reduziu o espaço dos bancos privados no mercado. “Agora, em 2010, os bancos privados serão mais agressivos em conceder empréstimos para recuperar o terreno perdido”, diz o consultor Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
Alta na Selic
Os bancos privados já estão se movendo. “No início do ano, mudamos processos e reduzimos a burocracia para conceder financiamentos”, diz Nilton Pelegrino, diretor de empréstimos e financiamentos do Bradesco. “Reduzimos de 42 para 12 os documentos necessários para a aprovação dos empréstimos imobiliários, e vamos colocar publicidade em todas as agências informando os clientes sobre a disponibilidade de crédito.”
Além de reduzir a burocracia, os bancos deverão fazer algo até há pouco tempo impensável: reduzir juros. Nos últimos anos, mesmo nos momentos em que o BC reduzia os juros referenciais medidos pela taxa Selic, os bancos não baixavam ou reduziam minimamente as taxas de empréstimo para o consumidor.
Agora, a situação deve se inverter. Apesar de a expectativa ser de a taxa Selic, hoje em 8,75% ao ano, subir para mais de 10,5% até o fim de 2010, os bancos deverão reduzir o custo do dinheiro ao consumidor. Não será uma redução igual em todas as linhas – as taxas do cheque especial e do cartão de crédito vão continuar muito elevadas e não recomendáveis –, mas será possível sentir a baixa em linhas como o crédito imobiliário, o financiamento a automóveis e os empréstimos diretos ao consumidor.