Aceleração no crescimento econômico da China gera preocupações

O crescimento da economia chinesa, que já é uma das que mais crescem no mundo, acelerou ainda mais durante o terceiro trimestre deste ano, alimentando um debate sobre se, e quando, as autoridades chinesas começarão a controlar as medidas de estímulo.

Impulsionada por um vasto crescimento dos empréstimos bancários, pelo generoso apoio governamental às exportações e um pacote de estímulo de US$ 585 bilhões, que está incentivando uma variedade enorme de projetos de construções, a economia chinesa cresceu 8,9% de julho a setembro, mais do que no mesmo período no ano anterior, de acordo com os números do governo divulgados na quinta-feira.

Relatórios econômicos independentes também mostraram, nesta quinta-feira, que as vendas no varejo e a produção industrial cresceram de forma marcante em setembro, ajudando a compensar a queda nas exportações, carro-chefe da economia chinesa, que permanece inabalável há 11 meses.

A taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) saltou de 7,9% no segundo trimestre, colocando a nação mais perto de alcançar um crescimento de 8%, nível que os economistas chineses dizem ser necessário para manter a estabilidade social e uma taxa de emprego saudável.

Apesar das boas notícias para as legiões de trabalhadores que perderam o emprego neste ano, a recuperação da China começou a gerar preocupação com o crescimento do mercado de ações e do preço dos imóveis, por ser potencialmente insustentável ou causar uma possível inflação.

“O governo está muito cauteloso para não começar outra bolha”, disse Alistair Chan, economista do site da Moody, Economy.com.

O sistema bancário estatal distribuiu um recorde de US$ 1,27 trilhão em novos empréstimos neste ano, e alguns analistas advertiram de que muito desse dinheiro acabaria em ações ou bens imobiliários.

O valor das propriedades na China continental subiu 73% neste ano. E o mercado de ações do país aumentou 80% durante os primeiros sete meses de 2009, antes de declinar com o recuo dos empréstimos bancários para níveis mais normais e com a ajuda de uma corrente de ofertas da iniciativa pública para saciar a sede por investimentos. O mercado de ações de Xangai ainda representa quase 67% do total neste ano.

Apesar do surgimento de possíveis bolhas no mercado de ações e de imóveis, algumas autoridades chinesas ainda advertem que a economia chinesa permanece em condições precárias e que, por enquanto, suas políticas expansionistas permanecerão estáveis.

“A economia chinesa está em um momento vital de recuperação e estabilização”, disse Li Xiaochao, porta-voz da Agência Nacional de Estatísticas, a jornalistas em Pequim, de acordo com a agência de notícias Reuters. “As bases da recuperação ainda não estão sólidas, a pressão da demanda externa ainda é grave e expandir nossa demanda interna, além de ajustar a estrutura de nossa economia ainda são tarefas árduas para nós”.

Os exportadores são importantes condutores da economia. Apesar de terem se recuperado um pouco, eles estão muito abaixo dos níveis de anos anteriores quando a economia Ocidental começava a emergir da recessão.

Como resultado, os economistas não esperam um passo muito grande na política monetária e econômica, como um aumento nas taxas de juros.

“Eles darão passos pequenos e administrativos”, disse Chan. Os analistas dizem que isso poderia incluir um aumento no montante de dinheiro que os bancos guardam como reserva ou o corte de empréstimos bancários.

No começo deste mês, a Austrália foi a primeira economia importante a aumentar as taxas de juros, revertendo alguns cortes agressivos que havia feito quando a recessão começou, no ano passado, em várias partes do mundo.

O aumento modesto da taxa no dia 6 de outubro foi de um quarto de ponto percentual e deixou a taxa principal baixa. Mas os números mostraram que algumas das economias mais flexíveis já estão prontas para começar a desenrolar medidas políticas extraordinárias que foram instituídas no auge da crise mundial.

As economias europeia, japonesa e norte-americana permanecem muito mais fracas do que a da China, ou mesmo que a da Austrália. A economia dos EUA encolheu 0,7% durante o segundo trimestre e espera-se que os números do terceiro trimestre, a serem divulgados na próxima semana, mostrem uma taxa de expansão anual de 3,1%.

Mesmo em economias menos dinâmicas, está havendo um debate político sobre se já é o momento propício para retirar os auxílios da economia, ou se recuar com as medidas emergenciais de estímulo prejudicaria a base da recuperação.

Além disso, as autoridades chinesas enfrentam o desafio de estabilizar a economia no longo prazo. Muitos economistas argumentam que o país precisa se desabituar da sua dependência das exportações e que a demanda interna precisa ser fomentada com o desenvolvimento nos sistemas de segurança social, na educação e no sistema de saúde – todos considerados cruciais para incentivar os cidadãos chineses comuns a economizar menos e gastar mais.

A crise no crédito causou um colapso na demanda da Europa e dos EUA no fim do ano passado, resultando em um sério declínio na exportação de bens provenientes da Ásia.

Apesar de o ritmo da queda ter se estabilizado, as exportações permanecem bem abaixo do nível do ano anterior. O Japão, por exemplo, divulgou na quinta-feira que as exportações de setembro foram 30,7% menores do que os números de setembro de 2008.

Chan disse que os dados da quinta-feira mostram que a China “se restabeleceu em relação a seu problema inicial, mas no final das contas, a economia ainda depende das exportações para os EUA”.

Por ANDREW JACOBS