Sumário Executivo
O dinamismo da demanda interna seguiu sustentando o nível da atividade econômica no trimestre encerrado em agosto. Este padrão, observado regionalmente, se traduziu em expansão trimestral das vendas varejistas em 25 das 27 unidades federativas, ressaltando-se que em treze delas ocorreu aceleração no ritmo de crescimento.
Como mencionado em edições anteriores, a tendência expansionista das vendas reflete a ampliação da massa salarial, em linha com o crescimento do emprego, e os
impulsos do crescimento do crédito. Ressalte-se que a partir desta edição o Banco Central passa a divulgar estatísticas de crédito por região e unidade da federação, proporcionando o enriquecimento da análise de conjuntura regional. Os detalhes metodológicos dessas novas séries estatísticas encontram-se no boxe “Estatísticas de Crédito Regional” (página 89). Ainda em relação ao dinamismo interno da demanda, destaque-se a continuidade da expansão, generalizada por regiões, das importações de bens de capital, processo que reforça as perspectivas de ampliação e modernização do parque produtivo. No mesmo sentido, ressaltem-se os crescimentos respectivos de 187%, 78% e 93%, registrados nos desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, nos oito primeiros meses do ano, em relação a igual período de 2007. Em resposta aos impulsos da demanda, a indústria manteve a tendência de expansão no trimestre encerrado em agosto, em relação ao finalizado em maio, período em que, considerados dados dessazonalizados, o ritmo de expansão da produção industrial apresentou aceleração em quatro das cinco regiões do país, com ênfase no desempenho do Sudeste, que concentra cerca de 60% da indústria nacional. Neste ambiente, o mercado de trabalho registrou criação acentuada de empregos formais no trimestre encerrado em agosto, em relação a igual período de 2007, 8 Boletim Regional do Banco Central do Brasil Outubro 2008 evolução disseminada em todas as regiões, variando de 19,5%, no Norte, a 109,8%, no Sul.
A evolução recente da economia da região Norte foi caracterizada pela expansão consistente dos distintos setores de atividade, em ambiente de expansão do emprego,
da renda e do crédito. As vendas varejistas e a indústria da região registraram crescimentos respectivos de 3% e 3,6% no trimestre encerrado em agosto, em relação ao finalizado em maio, considerados dados dessazonalizados. Ressaltese que a indústria apresentou expressiva recuperação no trimestre, contrastando com o recuo de 5,2% assinalado no trimestre encerrado em maio, resultado associado ao desempenho da indústria de transformação – responsável por cerca de 80% da produção regional, revelando, em especial, a continuidade do dinamismo na produção de material eletrônico, importante segmento na indústria amazonense. A indústria extrativa mineral, com maior peso no Pará, também seguiu apresentando bons resultados, favorecida pelas exportações de commodities.
A trajetória da economia nordestina vem apresentando robustez ao longo do ano, expressa em aumento do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 5%, registrado nos três estados da região com maior representatividade, no primeiro semestre, em relação a igual período de 2007, segundo fontes regionais de estatísticas econômicas1. Considerando dados mais recentes, a economia do Nordeste apresentou desempenho positivo no trimestre encerrado em agosto, com ênfase no dinamismo do comércio varejista, do setor agrícola e do mercado de trabalho. A geração de empregos formais intensificou-se no período, com destaque para a criação de vagas na construção civil e a recuperação de postos na indústria. Ressalte-se que a expansão do crédito no Nordeste é a maior entre as regiões do país, alcançando o aumento expressivo de 38,5% nos oito primeiros meses do ano, em relação a igual período de 2007. A economia da região segue favorecida pela ampliação dos investimentos, principalmente no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento, registrandose
crescimento de 78% nos desembolsos do BNDES, para investimentos na região, nos oito primeiros meses do ano, em relação a igual período de 2008.