A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) terminou a sexta-feira em alta, mas fechou a semana com a pior desvalorização desde novembro de 2008, de 10%. No ano, a Bolsa doméstica já acumula queda de 23,6%.
O Ibovespa, o termômetro dos negócios da Bolsa paulista, subiu 0,26%, atingindo os 52.949 pontos. O giro financeiro foi de R$ 8,83 bilhões.
Nos Estados Unidos, o mercado também ensaiou uma recuperação. O Dow Jones teve alta de 0,54%.
O dólar comercial foi negociado por R$ 1,587, em alta de 0,37% no dia.
"O que aconteceu nesta semana foi um efeito dominó. O índice cai abaixo de um determinado patamar, e começa a disparar outras ordens de venda, o que faz o índice cair mais e disparar outras ordens. É uma queda irracional no mercado, de pânico, e o pior de tudo é que é motivada por acontecimentos lá de fora, nos EUA e na Europa", afirma Leandro Martins, analista-chefe da Walpires corretora.
O dia foi de bastante oscilação nas Bolsas, com a divulgação de dados positivos sobre o mercado de trabalho norte-americano e a persistência da preocupação dos investidores com a crise da dívida na Europa e a ameaça de uma nova recessão global.
O Departamento do Trabalho norte-americano divulgou nesta sexta que a economia dos EUA gerou 117 mil novos empregos em julho, um número que surpreende positivamente o mercado, que estimava a manutenção da taxa de desemprego em 9,2%, com previsões que oscilavam entre 50 mil a 90 mil novas vagas em julho.
Além disso, dados revisados apontam que a contratação em maio e junho não foi tão ruim quanto o que foi reportado anteriormente. Em junho, foram criadas 46 mil vagas.
A taxa de desemprego no país caiu de 9,2% para 9,1%, em parte porque alguns trabalhadores desempregados pararam de procurar trabalho. A taxa ficou acima dos 9% em quase todos os meses desde o fim oficial da recessão, em junho de 2009.
Mas os investidores também se concentraram hoje nos últimos esforços da Europa para conter a crise da dívida na região.
Os líderes europeus estão agendando encontros emergenciais e procurando reassegurar os mercados de que um grande país como a Itália ou a Espanha não se tornará o próximo a precisar de ajuda financeira.
A taxa de retorno dos títulos de 10 anos da Itália ultrapassou o da Espanha, colocando o país -- terceira maior economia da zona do euro -- no centro da crise da dívida.
Um anúncio do governo italiano após o fechamento dos mercados europeus, porém, acalmou os investidores e ajudou as Bolsas nos EUA e no Brasil a terminarem o dia em alta, ainda que leve.
O país europeu disse que vai acelerar um plano de medidas fiscais para balancear o orçamento anunciado no mês passado. O primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, e o ministro das Finanças, Giulio Tremonti, vão propor uma emenda constitucional para alcançar o objetivo até 2013.
O país firmou o compromisso em uma tentativa de garantir uma maior solidez na situação financeira italiana e apaziguar o nervosismo dos mercados. "A Itália vai acelerar as reformas para conseguir um orçamento equilibrado em 2013", disse Berlusconi.