SÃO PAULO - A queda da confiança do consumidor somada à desaceleração do crédito serão as principais adversidades para o comércio varejista em 2009, segundo boletim da consultoria Tendências. Ambos os fatores são decorrência da crise econômica, pois, em um momento de incerteza como o atual, tanto os consumidores, menos confiantes, deixam de comprar, quanto o mercado, mais rigoroso, passa a oferecer crédito mediante exigências mais rígidas.
O relatório elaborado pela Tendências explica ainda que a comercialização de alguns bens tem elevada correlação com a confiança do consumidor. Isto acontece porque determinados financiamentos, como os destinados à aquisição de veículos e imóveis, possuem prazos de amortização de médio e longo prazos. Por esse motivo, em momentos como o atual, muitos consumidores preferem adiar a decisão de comprar.
Menos financiamentos
Além da menor procura do consumidor , o próprio mercado tenderá a oferecer financiamentos menos acessíveis. O desempenho nas vendas do varejo é condicionado a financiamentos com taxas razoáveis, ou seja, parcelas que caibam nos orçamentos das famílias.
Como a estimativa, segundo a consultoria, é de que a massa salarial das famílias não apresente redução, apenas um crescimento mais lento, a principal contribuição para desaquecer a concessão de crédito virá da maior seletividade dos bancos, por taxas de juros maiores e por prazos de pagamento mais curtos. A expectativa da consultoria é, inclusive, que o aumento nos juros seja retomado a partir de dezembro.
Inflação
Outro fator a afetar o varejo será, de acordo com a estimativa da consultoria, a inflação, principalmente entre os bens duráveis, muitos deles importados ou com boa parte de seus insumos fabricados em outros países. Essa realidade também contribui para queda na confiança do consumidor, fazendo com que ele fique menos propenso a gastar.
No caso dos bens não-duráveis, particularmente no segmento de supermercados, a Tendências prevê que a evolução nas vendas deverá acompanhar o aumento da massa salarial. A consultoria acredita que, no próximo ano, tanto a renda quanto o emprego apresentarão condições "relativamente favoráveis".